Artigo

Sobre o edificado e o nada edificante

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Na segunda metade do século XIX, quando tão somente a altiva cruz da cúpula da Igreja Católica dominava os céus da cidade de São Pedro de Cantagallo, a estrutura urbana do centro era marcada pela onipresença dos casarões. Com traços arquitetônicos que apresentavam interessante variedade, transitando desde o colonial mineiro até edificações com os ares europeus do neoclássico, não só atestavam o poderio da aristocracia rural, como embelezavam, na diversidade de suas fachadas, as ruas do coração econômico e político da região.

Construídos a fim de tornarem-se as moradas urbanas dos fazendeiros de café, os sobrados, contudo, não desfrutavam da presença diuturna desses poderosos patriarcas; pois estes, após a resolução de questões de ordem política, econômica e jurídica na urbis, ou quando do término das festividades religiosas, retornavam às suntuosas sedes de fazendas, objetivando vistoriar e administrar, in loco, seus vultosos negócios rurais, que tinham como “carro chefe” o plantio, a colheita e o beneficiamento primário, do gênero agrícola considerado, na época, o “ouro verde” do Vale do Paraíba Fluminense.

A observação dos mapas da cidade de São Pedro de Cantagallo em seus primórdios, sugere a preocupação em se criar um espaço planejado, no qual, apesar das reduzidas dimensões de um estreito vale ladeado por morros, houve a intensão em estabelecer, no ponto central da povoação, o quadrilátero da Praça da Matriz e, ao seu redor, em traçado um tanto quanto regular e geométrico, as suas ruas. Estas, à época, apesar de conterem calçadas de adobe e pavimentação composta por chão batido e pedras lavradas, atendiam perfeitamente às necessidades de mobilidade dos cidadãos e do transporte de mercadorias. 

Nada semelhante ao que se vê na cidade, nos dias atuais. A área central, projetada há dois séculos, presencia, impassível, o exponencial aumento do número de transeuntes, motocicletas, automóveis e caminhões. Um fluxo viário cada vez mais intenso começa a sufocar suas estreitas ruas, e o antigo traçado das mesmas já enfrenta significativa sobrecarga.

Em se tratando de um município bicentenário como o nosso, outro aspecto preocupante, no âmbito das questões referentes à cidade sede, é a descaracterização do centro histórico. Este guarda, ainda, edificações representativas de épocas distintas, estruturadas em camadas arquitetônicas subsequentes... Há construções novecentistas coloniais, como os sobrados (em sua determinação hercúlea em resistir à inexorável ação do tempo e de sobrevier - até quando? – à pressão dos interesses imobiliários), juntamente com a Câmara Municipal e a Maçonaria. Encontram-se também edificações em estilo neoclássico da segunda metade do século XIX, como Fórum e o Templo Católico; que passaram a conviver, no século XX, com um característico casario remanescente das décadas de 1940 e 1950, até que, mais tarde, sob inspiração modernista, ergueu-se a sólida estrutura de concreto armado da Prefeitura Municipal. Todos esses estratos arquitetônicos repousam hoje, obrigatoriamente, à sombra dos, cada vez mais esguios e numerosos, prédios de apartamentos.

É sempre forçoso assinalar, a obrigação legal do poder público em preservar o patrimônio edificado sob o seu poder; porém, quanto ao casario histórico de propriedade particular, o futuro é incerto. Apesar da municipalidade deter o direito de preempção (prioridade na compra dos centenários sobrados), a eterna carência de recursos públicos para investimentos e a “modernização” urbana podem varrer das ruas do centro, em poucos anos, o que os nossos antepassados levaram décadas para edificar e que se constitui, ao lado das suntuosas sedes de fazendas e das estruturas remanescentes da Estrada de Ferro Cantagallo, um traço fundamental da identidade dos cantagalenses e importante atrativo turístico.

No momento em que o governo e a sociedade civil reveem o instrumento básico de política urbana do município, qual seja, o Plano Diretor; encaminhamos, através dos trâmites formais, a proposta de manter a limitação do gabarito das construções no centro histórico, principalmente na área ao redor do Jardim; para que este precioso patrimônio cultural e ambiental não seja emparedado por prédios de apartamentos, maculando sua beleza cênica e condenando sua rica cobertura vegetal a uma lenta agonia. Sem contar o fato de que, quanto mais formos permissíveis à verticalização e ao adensamento das edificações nesta tradicional área da cidade, mais caótica se tornará a mobilidade urbana... trajeto nada edificante, para um município que se preocupa com a qualidade de vida dos seus cidadãos e se orgulha da sua História.


*João Bôsco de Paula Bon Cardoso é professor de Sociologia e Geografia, Coordenador de Patrimônio Cultural do Projeto Fazenda São Clemente e um dos coordenadores do Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo


A farra dos cargos de confiança

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Célio Pezza*

A estrutura governamental da administração Dilma, com seus 39 ministérios, custa perto de R$ 500 bilhões por ano aos cofres públicos e possui mais de 100 mil pessoas em cargos de confiança. Este número é um deboche ao trabalhador e contribuinte que não vê nenhum resultado prático dessa gastança desenfreada. Dentro dessa triste realidade, chama nossa atenção essa imensa quantidade de cargos de confiança e seus valores. Só no Ministério da Educação, temos mais de 50 mil cargos de confiança, fora os cerca de 300 mil efetivos. Vale lembrar que, na época de Juscelino Kubitschek, tínhamos 13 ministérios.

Durante a Ditadura Militar, nunca passamos de 16. José Sarney tinha 25, Fernando Henrique 24, Lula subiu para 35 e Dilma chegou a 39. Países como Alemanha e Estados Unidos têm, respectivamente, 14 e 15. Isso mostra claramente que a criação de ministérios e cargos de confiança é uma forma de abrigar a corte governamental e sua base aliada. Faltam professores, médicos, policiais, mas sobram assessores para todos os lados. Cada deputado federal pode ter até 25 assessores. 

Para a presidência e ministérios, não há limites de cargos de confiança, bastando que sejam autorizados pela presidente. Com tudo isso, temos um dos piores serviços públicos do mundo. Em termos de salários, um motorista ou uma secretária do Ipea ganha mais que um professor com doutorado no magistério público. Cada senador pode contratar até 50 assessores comissionados, cada deputado até 25 e assim por diante. A Presidência da República tem cerca de sete mil servidores e esses cargos envolvem gastos absurdos.

No final de 2014, o Planalto adquiriu eletrodomésticos, toalhas de banho, aparelhos de ginástica e outros, pela bagatela de R$ 260 milhões, para melhorar o condicionamento físico dos seus servidores e seguranças. Atualmente, pressionada pelos movimentos das ruas e pesquisas que apontam mais de 93% de rejeição ao seu governo, Dilma Roussef deve ser forçada a diminuir a gigantesca máquina de desperdiçar dinheiro público que ajudou a criar e extinguir alguns ministérios que nem deveriam ter sido criados.  

Ao mesmo tempo em que aumentam impostos, retiram direitos dos trabalhadores, sufocam as empresas e causam recessão e desemprego, o governo continua com uma máquina inchada, ineficiente e que segue gastando sem limites o nosso dinheiro. Até quando o governo vai continuar com essa gastança, vivendo em outro mundo e rindo da nossa cara? Quando vai desmontar essa máquina imoral, parar de criar cargos inúteis e se concentrar no que realmente importa para o país?


*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo. 

Ainda a questão de limites entre Cantagalo e Macuco

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Aproveitando a pendência das desavenças entre Cantagalo e Macuco a propósito dos limites, volto à cena para dizer algo sobre a legislação pertinente.

Como é de todos sabido, Cordeiro e Macuco chegaram a sediar municípios próprios no início da República (Decretos nºs 180 e 249/91). Mas por pouco tempo; eis que, tão logo assumiu a governança estadual, em 1892, Porciúncula deu cabo de ambos, através do Decreto de 08/06/92, voltando os dois à condição de distritos de Cantagalo. Cinquenta anos depois, o interventor Amaral Peixoto criou o novo município de  Cordeiro (Decreto-Lei nº 1.055/43). E, como a nova unidade não podia mais contar com o território bonjardinense – já emancipado desde dezembro de 1892 –, o novo governante outorgou-lhe, a título de compensação, parte do distrito de Macuco. Vale repetir: apenas parte do distrito, porque a zona montanhosa, hoje denominada área do calcário, ficou com Cantagalo.

O Decreto-Lei nº 1.055, ao tomar o Rio Macuco (e não o Negro) como espinha dorsal dos limites, foi incisivo nesse sentido. Segundo esse diploma, a linha separatória começa no local onde o Córrego do Oliveira se lança no Rio Macuco, subindo este no rumo do Val de Palmas e, em seguida, busca a vertente do Córrego Bom Vale. Daí, aproveitando a rota da antiga estrada de ferro, percorre os morros da Fazenda Gavião Novo e atinge os riachos do Andrade e São Martinho, em cuja foz toma novamente o Rio Macuco e se dirige, em linha reta, às nascentes do Córrego Lavrinhas, do outro lado das montanhas.

Cordeiro, que por 40 anos concordou com tais limites, mudou de ideia logo que na área do calcário (então reservada a Cantagalo) começaram a surgir fábricas de cimento. Segundo o município (agora substituído por Macuco, que também defende semelhante tese), a área em questão está toda contida no território que lhe foi deferido pelo Decreto-Lei 1.055/43, a qual não foi cedida na ocasião do desenlace por culpa dos redatores da lei que, por ignorância, deram aos acidentes geográficos que serviram de balizas nomes trocados. Ao Rio Negro, por exemplo, deram o nome de Macuco, assim como ao Córrego Bom Vale o nome de Val de Palmas.

Puro ardil.

Se realmente fosse propósito do legislador fazer o território de Cantagalo cessar no Córrego Bom Vale (ainda que de nome trocado para Val de Palmas), não o teria levado até o município de São Sebastião do Alto no setor entre o Rio Negro e a foz do Córrego Oliveira, como o fez no Decreto-Lei 1.055/43. Por outro lado, se esse diploma, por duas vezes, diz que Cantagalo limita-se com São Sebastião do Alto pelo Rio Macuco, no trecho entre o Negro e a foz do Oliveira, é porque, de fato, o seu território chega até ali. Tanto que o Rio Negro, tido pelos cordeirenses (e agora pelos macuquenses) como linha-mestra dos limites territoriais entre os municípios interessados, nem foi citado no Decreto-Lei 1.055/43. Na verdade, ele fica fora das lindes fixadas.


*Clélio Erthal é ex-desembargador, ex-juiz federal e pesquisador da história de Cantagalo e região. Mais em www.cantagalo.rj.gov.br/index.php/filhos-ilustres/136-clelio-erthal.

O ‘Mal de Cantagalo’

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Nos idos da segunda metade do século XIX, quando do ápice da produção cafeeira em Cantagalo, uma grave ameaça abateu-se sobre as grandes propriedades do município: a “moléstia do cafeeiro”. Emergiu, primeiramente, nas proximidades de São Fidélis, em 1869, avançou para sudoeste e, seguindo o curso do Rio Dois Rios, com voracidade incontrolável, dizimou os cafezais em suas margens. Posteriormente, em 1875, galgou os cursos dos rios Negro e Grande, deixando para trás inexorável rastro de destruição. Ao distanciar-se das imediações dos cursos d’água, a partir de 1879, alastrou-se amplamente pela região, destruindo lavouras em grandes proporções, causando incontáveis (e antes impensáveis) prejuízos aos produtores. A “praga do café”, provocada por um “nematoide” (verme que se aloja nas raízes das plantas, dificultando a absorção de nutrientes), à época, ficou popularmente conhecida como o “Mal de Cantagalo”.

Se somarmos a esse flagelo a intensa degradação das terras (causada pelas técnicas de cultivo então praticadas), e, nesse contexto, acrescentarmos também a abolição da escravatura, teremos o cenário histórico que, em um curto intervalo de tempo, reduziu a pó parcela considerável das riquezas dos, até então, poderosos cafeicultores cantagalenses, e lançou o município, antes um dos principais sustentáculos econômicos do Império Brasileiro, na mais grave crise econômica vivenciada em toda a sua jornada pelo tempo.

Quem se mostra atento ao que a história ensina e mantém-se disposto a aprender com as suas, por vezes, dolorosas lições, é levado a concluir, em se considerando a situação exposta acima que, no passado, a extrema dependência em relação a uma única fonte de renda levou à ruína, numa vertiginosa sucessão de acontecimentos, as portentosas fortunas dos barões do café, causando, neste segmento do Vale do Paraíba Fluminense, uma ruptura no tecido social ainda não devidamente avaliada e mensurada pelos historiadores. Em face disso, outro arranjo social e econômico teve que ser, a duras penas, estabelecido, como fonte de trabalho e renda para o município, arranjo esse assentado na pecuária e na retomada, em maiores proporções, da lavoura de subsistência.

Promovendo um salto histórico de mais de meio século, na década de 1970, inaugura-se, em terras cantagalenses, outra expressiva atividade produtiva. O “progresso” e as oportunidades de alavancagem econômica do município nos seriam legados, agora, na visão de muitos, pela industrialização do calcário. Três fábricas de cimento, pertencentes aos maiores grupos empresariais deste ramo no Brasil e no mundo, passaram a operar, onde, no século XIX, imperava o café. A então pífia arrecadação da administração pública municipal saltou exponencialmente e, a partir deste momento, os gestores que se sucederam, passavam a contar, através dos recursos advindos do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), com importante fôlego financeiro, capaz de engendrar uma nova era de desenvolvimento no município.

Mas, ironicamente, não foi isso o que ocorreu. A, então, vultosa receita não foi aplicada com a perspicácia e a pertinência devidas e passou a nutrir, muita das vezes, malfadadas práticas, que, desde sempre, infestam a política brasileira, em relação às quais, Cantagalo não se mostrou imune. Obras públicas houve, temos de reconhecer, não somente com recursos próprios, como também com o aporte de verbas estaduais e federais, mas o que não houve foi exatamente o mais importante: uma visão de futuro, na qual os recursos oriundos da industrialização do calcário deveriam potencializar o desenvolvimento de novas áreas da economia do município, gerando a necessária diversificação das atividades produtivas.

O discurso de que as jazidas calcárias tinham potencial quase infinito, garantindo ao “Terceiro Maior Polo Cimenteiro do Brasil”, incontáveis décadas de fabulosa arrecadação, eclipsou qualquer visão estratégica de médio e longo prazos. Desavisadas sobre as duras lições do passado, as sucessivas administrações municipais desenvolveram uma espécie de “dependência química” em relação ao ICMS do cimento, impedindo que outras tantas potencialidades econômicas das terras cantagalenses – como o turismo cultural e histórico, por exemplo – fossem consideradas seriamente em sólidos planos estratégicos, já que estes últimos, por vezes, não passaram de retórica pirotécnica de palanque eleitoral, ou mesmo de elemento decorativo dos programas de governo, que se dissipavam (e ainda se dissipam!) como fumaça, no dia a dia das administrações recém-empossadas.

O drama reeditado da disputa pelas fábricas de cimento faz com que me venha à mente, caro leitor, a epígrafe do livro ‘As veias abertas da América Latina’, de Eduardo Galeano, grande escritor uruguaio falecido recentemente. Antes de apresentar a contundência do seu amplo e revelador diagnóstico sobre os flagelos que assolaram o nosso subcontinente, ele nos ensina: “a história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será”.  

Que o futuro possa trazer ao povo cantagalense novas perspectivas e possibilidades de desenvolvimento, sem que necessitemos continuar convivendo e padecendo com o eterno retorno dos males do passado.


*João Bôsco de Paula Bon Cardoso é professor de sociologia e geografia, coordenador de Patrimônio Cultural do Projeto Fazenda São Clemente e um dos coordenadores do Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo.

Enfim, o triunfo da verdade?

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Com a provável vitória de Cantagalo no processo em curso perante o STF, espera-se o fim da contenda sobre a área do calcário. Esse território, que chegou a ser importante na era do café (inclusive abrigando fazendas de vulto, como a Mont Vernon), caiu no esquecimento logo após a queda do Império, por ser muito pedregoso e acidentado, portanto pouco adequado ao desenvolvimento da pecuária leiteira então emergente. Tanto que Cordeiro, ao se emancipar de Cantagalo (dezembro de 1943) nem fez caso da sua não inclusão no respectivo termo. Afinal, diziam os cordeirenses com certa empáfia: “vaca não come pedra”.

Porém, com a implantação da indústria cimenteira na área (década de 1970) e a consequente renda dela derivada, o novo município acordou, verificando que a divisão territorial, tal como ocorreu, não lhe foi tão favorável como imaginava.

Data de então a disputa pelo território. Segundo seus adeptos, o tão festejado Decreto Lei nº 1.055/43, que criou o município, apesar de louvável, cometeu erros redacionais imperdoáveis, dando aos acidentes geográficos aproveitados como divisas, denominações incorretas. Embora “querendo” (dizem eles) incorporar ao município de Cordeiro a área do calcário, as autoridades encarregadas de sua redação, por ignorarem a geografia local, deram ao Rio Negro o nome de Macuco, assim como ao Córrego Bom Vale o nome de Val de Palmas. E, com isso, retiraram “involuntariamente” do seu município a cobiçada área.

Começou a briga com a notificação da empresa Alvorada (antecessora da Holdercim) a recolher aos seus cofres (do município de Cordeiro) os tributos municipais; em seguida, ensejando a série de ações judiciais que terminou com a vitória de Cantagalo; por fim, apelando para o governador Leonel Brizola, que baixou o Decreto “interpretativo” nº 8.745/85, afinal também derrubado pelo Tribunal de Justiça ao decidir que o chefe do Executivo não pode, por simples decreto, alterar divisas intermunicipais.

À vista de tais reveses e da emancipação de Macuco, Cordeiro ensarilhou as armas, deixando ao seu rebento a tarefa de continuar a disputa. E o resultado foi ainda pior, porque o novíssimo município, em vez de se contentar com o território herdado, fez constar da respectiva lei emancipadora (Lei 2.497/95) a divisa antes pretendida por Cordeiro. Vale dizer: invadiu a área pertencente a Cantagalo. Foi quando o Tribunal de Justiça, acolhendo o Mandado de Segurança impetrado por Cantagalo (Proc. nº 277/96), corrigiu a irregularidade.

Macuco, todavia, não se deu por vencido. Com auxílio da Procuradoria da República, ajuizou, perante o STF, duas pretensões: primeira, no sentido da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 3.196/99 (Lei Aparecida Gama); segunda, pedindo o reconhecimento da divisa descrita na Lei nº 2.497/95, já derrubada pelo TJ ao julgar o MS nº 277, acima referido. Quanto ao primeiro pedido, foi até atendido, aliás para surpresa dos estudiosos do tema. E quanto ao segundo, ainda pendente de julgamento, espera-se que a Suprema Corte o denegue, confirmando as anteriores decisões judiciais e pondo fim à interminável disputa, que já dura mais de 40 anos.


*Clélio Erthal é ex-desembargador, ex-juiz federal e pesquisador da história de Cantagalo e região. Mais em www.cantagalo.rj.gov.br/index.php/filhos-ilustres/136-clelio-erthal.

Do Leitor

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Poesia de aluno

Gostaria de lhe agradecer  pela atenção dada ao publicar a poesia do meu aluno. Várias pessoas comentaram comigo que leram no JORNAL DA REGIÃO. Fiquei muito feliz.

Muito obrigada. 


Valéria Silva Dalboune


Produto contra dengue

Dr. Gilvan Barbosa Gama*

Todos sabem ou deveriam saber que a dengue e a malária são  doenças infecciosas para as quais a nossa medicina tradicional desconhece vacina ou fármaco específico para tratá-las. Acontece que, em algumas regiões da África setentrional, o extrato de própolis das abelhas já vem sendo usado com sucesso no tratamento profilático e clínico não só da dengue como também da malária. Causa-me espanto saber que vivemos a era da informática e da mídia globalizada e que notícia de tal monta é relegada ao silêncio consentido. 

Seriam os mosquitos aedes e anofelinos africanos diferentes dos mosquitos do continente americano? Seriam insetos racistas só picando africanos e afrodescendentes? Existiria interesse por parte de alguma nação ou multinacional que não visse com bons olhos esta solução tão elementar, simplória e sobretudo barata, mostrar tamanho desinteresse? 

Para que ficasse definitivamente comprovada a eficácia ou não do própolis em relação à dengue e à malária, bastaria, simplesmente, que qualquer órgão de saúde realizasse, de forma oficial e com total isenção, um ensaio terapêutico desta substância produzida pelas abelhas e a sua consequente prova terapêutica, apresentando-a à toda poderosa Anvisa.

Quero salientar ainda que, neste momento de caos sanitário em  que os países atravessam, com patologias emergentes e ressurgentes pipocando por todos os continentes, faz-se mister mais humildade profissional por parte de alguns infectologistas de plantão, e que a  arrogância acadêmica de muitas lentes em não aceitar fatos e situações novas que  fujam aos padrões conhecidos do velho ranço de teses arcaicas e ultrapassadas, fossem abandonadas. 

Toda e qualquer solução que venha neste momento evitar surtos e consequentes óbitos dessa ou daquela patologia não deve nem pode ser contestada e sim colocadas em prática para salvar vidas. Posteriormente, tais soluções poderão ser devidamente avaliadas e até contestadas, porém, salvar vidas é o que importa no momento. Trata-se de estado de necessidade sanitária.


Dr. Gilvan Barbosa Gama - apiterapeuta holístico - Piúma- ES - Tel  (0xx28) 3520-1211.

Pensar pequeno é o maior problema do empresário

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Ricardo Tocha*

Estamos enfrentando um ritmo de mudanças sem precedentes na história. As grandes inovações que costumavam mudar nosso estilo de vida entre uma ou duas vezes em uma geração, agora acontecem quase que anualmente. Para sobreviver nesse cenário, o pequeno empresário precisa ter mecanismos para entender e satisfazer as necessidades do cliente. Administrar uma empresa sem indicadores de desempenho é como dirigir um carro sem painel. Sem os indicadores de velocidade, temperatura do motor, quantidade de combustível, você pode até chegar a seu destino, mas é uma questão de sorte. 

Acreditar que sistemas de gestão são apenas para grandes empresas impede o pequeno empresário de usar técnicas de gestão testadas e aprovadas por empresas do mundo inteiro. Dezenas de estudos já comprovaram que o crescimento gerado pela adoção de sistemas como, por exemplo, a ISO 9001, é muito maior que o investimento necessário para sua implementação.

A consultoria é a forma mais rápida de adquirir conhecimento empresarial e amplificar o potencial da sua equipe. O consultor experiente o ajudará a aplicar os conceitos de gestão moderna na realidade da sua empresa. É importante documentar a cultura da empresa, pois isso facilita o acesso à informação, agiliza o treinamento de novos colaboradores e acelera a evolução da operação.

 

*Ricardo Tocha é gerente de marketing na Templum Consultoria e, há 16 anos, trabalha com internet e marketing online. 

Em compasso de espera

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Já lá se vão alguns meses que os prefeitos da nossa região se reuniram e formaram uma associação para lutarem pelo progresso e crescimento da nossa empobrecida e sempre esquecida região. Como se sabe, não é a primeira vez que os prefeitos se juntam em almoços, conversam, estabelecem determinados compromissos, são fotografados, espelham suas preocupações, ameaçam providências e, pouco tempo depois, o assunto é esquecido e os projetos e sonhos vão ficando no limbo e nada se concretiza. Penso que isso está se repetindo, já que o tempo está correndo, a crise aconteceu, o ambiente econômico perdeu substância e, mais uma vez, o sonho da região vai se desvanecer.

Na verdade, penso que qualquer projeto sério a ser desenvolvido será sempre de prazo longo e planejado por especialistas e estudiosos de matéria econômica, já que, como não somos “milagreiros”, não será com um estalar de dedos que iremos transformar uma região, que parece ter se acostumado com a pobreza, a mudar de patamar. O interior do nosso estado é ridiculamente pobre, não só de dinheiro, mas, principalmente, de ideias práticas e projetos baseados na nossa realidade.

Tenho feito palestras programadas pelo ‘Programa Despertar’, que tem a chancela do Grupo Lafarge, cujo objetivo é passar informações aos estudantes que estão terminando o ensino fundamental e do ensino médio, a respeito das inúmeras profissões a serem escolhidas, assim como despertar, em cada um deles, vocações adormecidas que precisam e devem ser objeto de preocupações de pais e professores. Meu tema preferencial é o ‘Agronegócio’, cujo desempenho exportador nos tem proporcionado bilhões de dólares indispensáveis para o equilíbrio das contas externas do País. Claro que não temos áreas baixas e nem mesmo o clima do Centro-Oeste brasileiro, assim como não possuímos topografia e efeitos climáticos da Região Sul, mas temos, como Minas Gerais e Espírito Santo, clima, áreas e topografia que se prestam para o cultivo de madeira, que pode e deve merecer a atenção dos prefeitos.

Nos estados acima lembrados, existem indústrias madeireiras que poderiam também ser instaladas em nosso estado, caso venhamos a ter madeira aqui produzidas. E nós possuímos as condições ideais para que isso se torne realidade. Basta vontade política e disposição.


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, conselheiro fiscal do Sebrae-RJ e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj.

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