Artigo

A imbatível confiabilidade da mídia impressa

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*Sidney Anversa Victor

A redução do número de páginas de jornais e revistas e até a extinção de alguns títulos bastante conhecidos, tanto no Brasil quanto no exterior, são os aspectos mais visíveis para a opinião pública dos desafios enfrentados atualmente pela indústria gráfica ante à concorrência com a internet, as redes sociais e as novas mídias. Independentemente dos problemas econômicos de nosso país e da duradoura crise internacional desde 2008, há uma questão básica a ser melhor entendida e enfrentada: o impresso versus o eletrônico.

É dessa maneira, ao que parece, que o importante tema vem sendo assimilado pelo público em geral. No entanto, os agentes do mercado, os empresários, os gestores e os executivos de toda a cadeia produtiva da comunicação gráfica não podem concordar com essa visão simplista do problema. Também não devem conformar-se com a previsão dramática de que o seu negócio segue irremediavelmente para a extinção, como às vezes citam algumas matérias veiculadas na própria imprensa.

Mais do que nunca, é preciso pensar, agir e reagir! Para isso, a melhor estratégia a ser adotada é muito semelhante à que sempre fazemos quando nos deparamos em nossas atividades com as dificuldades que se apresentam nos momentos em que ocorre o aumento da concorrência: melhorar a qualidade, entender o foco e as necessidades do mercado, buscar melhor produtividade e preço e, principalmente, fazer prevalecer, aos olhos do cliente, os diferenciais, o detalhe que só você tem, aquele quê de inovação, aplicabilidade e soluções que agregam imenso valor e tornam único um produto ou serviço. Sabemos muito bem fazer essas lições de casa.

Ao analisarmos a questão por esse ângulo mais pragmático, a indústria gráfica tem numerosos diferenciais. No caso do segmento editorial, aqui considerando, em especial, os jornais e revistas periódicos vendidos em bancas ou por meio de assinaturas, um dos seus atributos mais importantes é a credibilidade da informação que veiculam, qualidade que emprestam, aliás, às suas edições online. A internet, como um todo, entretanto, não desfruta dessa virtude, pois muitos blogs, as redes sociais e até alguns sites investidos de pretensa seriedade não têm qualquer compromisso com a verdade e com os princípios do bom jornalismo. Quanto mais confiável for o conteúdo de um veículo de comunicação, maior será sua chance de concorrer e sobreviver na disputa com outras mídias, em especial as que habitam o mundo da web.

Cabe à própria mídia gráfica contribuir para que todos esses conceitos cheguem de modo mais claro e constante à população, aos consumidores e aos formadores de opinião pública. Fico preocupado quando vejo meios de comunicação impressos prevendo sua própria extinção e propondo a criação de cotas e subsídios por parte do Estado para “democratizar” a imprensa. Ora, tais alternativas atentariam contra a liberdade de expressão, uma das maiores conquistas da civilização, e exporiam os veículos à inadequada tutela do governo de plantão. Definitivamente, não é de propostas assim que a cadeia produtiva da comunicação impressa e a indústria gráfica precisam. Não precisam e não querem! É urgente, sim, entendermos, com mais profundidade e clareza, todas as transformações do mercado e do mundo, percebermos como os nossos diferenciais encaixam-se nessas irreversíveis mudanças e torná-los os principais fatores de nossa viável sobrevivência no novo ambiente de negócios da economia e da comunicação globais.


*Sidney Anversa Victor é empresário, presidente da Abigraf Regional São Paulo (Associação Brasileira da Indústria Gráfica-SP).

Reminiscências e reverências do alto do 12º andar

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E chegamos ao último mês do ano. O burburinho das festas se avizinha, o comércio ampliará suas vendas, as canções natalinas passarão a ser executadas à exaustão e, daqui a pouco, para todo o lado para onde se lançar o olhar, a onipresença das reproduções cintilantes de papais noéis, pinheiros boreais e neve requisitarão a nossa atenção. 

Em meio à euforia que, em poucos dias, se apossará de todos, o ano do bicentenário do município de Cantagalo chega ao fim. E, daqui, do alto do “décimo segundo andar” de 2014 (que é como o grande Mário Quintana refere-se ao mês de dezembro, em um arrebatador poema de final de ano intitulado ‘Esperança’), passamos a ter uma visão panorâmica do transcorrido e, antes do show pirotécnico da virada coalhar o céu com seus efeitos reluzentes, talvez seja pertinente tecermos algumas reflexões sobre os eventos comemorativos dos 200 anos.

O que deles não se apagará com os fogos do réveillon? Quais iniciativas ficarão entranhadas na tessitura social a ponto de gerarem frutos futuros? Será que as comemorações contribuíram para incrementar, ou ao menos reorganizar, o amarelado calendário de eventos culturais do município? O que de efetivo foi feito para projetar a história, preservar a memória e o valoroso patrimônio cultural da nossa terra? Na intenção de legar para a posteridade vestígios importantes da caminhada dos cantagalenses no tempo, alguma edificação de valor histórico foi restaurada, ou mesmo um novo equipamento cultural foi criado? Dentre os poucos espaços culturais que existem (ou persistem?) no município, algum foi revitalizado?

Talvez, argumentarão os mais cautelosos, não tenhamos todas as respostas para essas indagações assim, no frescor da hora presente, por conta da proximidade imediata com os fatos. É provável que, só concedendo tempo ao tempo, possamos perceber (ou não) se haverá desdobramentos do acontecido e verificar seus reais efeitos... Então, utilizemos a regra da prudência: aguardemos! 

Mudando o tom da partitura, o ano do bicentenário não deve terminar sem prestarmos, aqui, as nossas necessárias homenagens e reverências às atuações de quatro importantes personalidades que, através de suas ideias, reflexões e paixões, contribuíram sobremaneira para a redefinição dos marcos temporais que balizam a história do município, devolvendo a Cantagalo a primazia de unidade administrativa mais antiga da região.

Cada um deles, ao seu modo e com seu estilo pessoal, plantou e fez germinar a semente da mudança, recolocando o “2 de outubro de 1857” em seu devido lugar – apenas como um marco temporal honorífico de elevação da nossa malha urbana central à condição de cidade – e evidenciando o “9 de março de 1814” como data magna representativa da criação do município, deste modo, redefinindo, de forma fidedigna, a contagem da idade de Cantagalo.

Há tempos, o nosso sempre candidato ao Prêmio Nobel da Paz, Seu Bento Luiz Lisboa, com a inabalável serenidade que lhe é peculiar, assinalava em conversas informais, nos debates públicos, nas palestras em colégios e em demais espaços de discussão, o que realmente representava cada um desses marcos temporais e a confusão que se fazia com eles.

Na seara da discussão acadêmica e militância na imprensa escrita (contando com ampla cobertura do JORNAL DA REGIÃO), atuavam os doutores Clélio Erthal e Henrique Bon, convertendo os incrédulos. Incansáveis pesquisadores que são, produziram textos reveladores e contundentes, imprescindíveis para o convencimento geral quanto à gênese do município e o “divisor de águas” que o “9 de março de 1814” representa, na história de Cantagalo e região.

E, por fim, mas tão importante quanto, encontrava-se o professor Gerson Tavares do Carmo, articulando a mudança de perspectiva junto às instâncias pedagógicas e políticas locais, com a produção de material didático sobre a correção da idade do município, como também promovendo profícuo diálogo junto aos representantes do Executivo e Legislativo à época.

Deste modo, esses quatro valorosos expoentes engendraram, há mais de uma década, na complementariedade de suas ações, um movimento de revisão histórica que conquistou os corações e mentes de uma parcela considerável dos munícipes, culminando na outorga, pelo Executivo municipal, do Decreto nº 1.661, de 22 de novembro de 2004  (publicado aqui, no JORNAL DA REGIÃO, em 11 de dezembro), e, no ano seguinte, ensejando a primeira comemoração pública, com toda pompa e circunstância, do “9 de março de 1814” como data magna do município, dentro do espírito de que esta deveria ter o status de ‘Dia da Consciência Histórica de Cantagalo’.

Assim sendo, do alto do décimo segundo andar de 2014, nas últimas semanas do bicentenário, aos artífices da mudança, prestamos as nossas mais respeitosas reverências, almejando que outros movimentos com o mesmo sentido de valorização da nossa história venham à tona.

Na oportunidade, desejamos a todos os cantagalenses um Ano Novo repleto de alegrias e afetos.

Viva o povo cantagalense!!! Viva a inebriante história e o valoroso patrimônio cultural da nossa queridíssima Cantagalo!!!


*João Bôsco de Paula Bon Cardoso é professor de sociologia e geografia, coordenador de patrimônio cultural do Projeto Fazenda São Clemente e um dos coordenadores do Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo.

Leite: sua produção e importância

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Sempre que me dedico a escrever sobre esse nobre e essencial alimento, me vem à mente não apenas uma tabela estatística sobre o produto, mas os detalhes que afetam todo arranjo necessário que percorre o longo caminho, que começa na ordenha, passa pelo beneficiamento nas usinas processadoras até chegar aos pontos de venda.

Ao longo dos meus 60 anos de trabalho nas cooperativas leiteiras, com passagem de 20 anos pela Cooperativa Central dos Produtores de Leite (CCPL), cuja área de ação compreendia quatro estados, pude ver e acompanhar todo o longo caminho que o produto percorre, hoje bem melhorado pelas mudanças ocorridas, podendo se citar como a principal delas a Normativa do Ministério da Agricultura de nº 51, que, entre outras medidas de longo alcance, estabeleceu a obrigatoriedade da colocação de tanques de expansão ou resfriamento nas propriedades produtoras, garantindo-se, com isso, que o leite chegasse à unidade industrial com sua qualidade garantida.

Essa mudança foi de tal forma chocante que mexeu com a cabeça dos produtores, até com ameaça de rebeldia entre os mais afoitos, que diziam “não vai dar certo”! Deu certo e, hoje, todos reconhecem os benefícios daí recorrentes e já nem se lembram dos velhos e enferrujados latões. Com relação à produção, embora os vários números com que lidamos não fechem com a exatidão requerida, sabe-se que se aproximam e se tornam confiáveis, como, por exemplo, os dados compilados pela SCOT Consultoria, que  informam que, de 2000 até 2012, a produção do País passou de 19,7 bilhões de litros para 32,5 bilhões, com crescimento significativo.

O estado do Rio figura na 11ª posição entre os estados produtores com, aproximadamente, seis milhões de litros/ano, necessitando importar perto de 70% das suas necessidades, devendo-se ressaltar que nosso estado teve um grande incremento na instalação de unidades processadoras, porém a produção não acompanhou, nem de longe, esse crescimento.

Um dado que chama a atenção é o grande número de produtores com fornecimento de até 100 litros/dia, que, em algumas unidades receptoras, representam 70% da produção total.

Logo a seguir, nós temos cerca de 15% de produtores com até 200 litros/dia. Esses dados indicam que todos os esforços deveriam se concentrar no incentivo a esse grande número de pequenos e médios produtores, que, com tecnologia já conhecida e assistência técnica, dariam, certamente, um salto importante na produção em nosso estado. O Brasil está em quinto lugar entre os maiores produtores mundiais e tem na sua frente Índia, Estados Unidos, Paquistão e China. 

Temos um grande caminho a percorrer...


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ) e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

A coisa está ficando feia...

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O pesadelo do PT e de seus aliados não tem dia marcado para terminar. A cada fala dos chamados delatores mais alguns nomes são adicionados ao já considerável número de políticos e grandes empresários afundados até o pescoço nesse mar de lama que nos envergonha como país que pretende ter voz ativa na política mundial. Fico imaginando a cara da senhora Dilma no encontro dos 20, que foi realizado, assim como fico pensando nos brasileiros que não recebem “bolsas” por não precisarem desse tipo de favor, que votaram na reeleição dela.

Essa bandalheira de bilhões sacados dos cofres da Petrobras para engordar contas bancárias de uma grande quantidade de políticos da pior qualidade, pertencentes aos partidos que apoiam Lula e seus comparsas, está trazendo um prejuízo incalculável a essa grande empresa, que sempre foi um orgulho nacional, e prejudicando, de maneira absurda, milhões de investidores que nela confiaram e que, agora, graças aos apaniguados pelos governos Lula/Dilma, fizeram o valor das ações se derreterem, levando para o ralo as esperanças de quem sempre confiou na empresa.

A responsabilidade desses fatos cabe principalmente ao PT, que, durante 20 anos, pregou honestidade, necessidade de mudanças e outras balelas, que, hoje, podem ser consideradas atendidas da maneira mais condenável.

Os partidos que se aliaram ao PT se emporcalharam e, com eles, levaram empresas de grande porte, muitas das quais operam no exterior, a se chafurdarem na lama, comprometendo suas marcas e provocando um desastre total para os seus executivos, que brilhavam nas colunas sociais e, agora, ilustram as colunas policiais. Neste momento, trocaram suas ricas residências por alguns quartos apertados na sede da Polícia Federal de Curitiba.

Que vergonha! Que vexame!


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Sebrae-RJ e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Os Caminhos do Imperador

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Quem ouve falar nos ‘Caminhos do Imperador’ em Cantagalo sem conhecer a verdadeira história das tradicionais viagens de D. Pedro II pela região, imagina que ele, à semelhança do Príncipe Adalberto da Prússia e de outros viajantes ilustres que por ela passaram no século XIX, visitou várias fazendas de café e percorreu muitas partes do município, certamente atraído pelas belezas do lugar e no afã de conhecer, de perto, suas riquezas sociais e econômicas. 

Entretanto, nada mais ilusório.

O imperador, na verdade, não perambulou pelo município, nem visitou muitas fazendas na região como o vulgo imagina. Apenas passou duas vezes pela cidade, em ritmo acelerado, não tanto com propósitos sociais de conhecer os belos cafezais ou contactar os barões que viviam no recanto, mas com o fito de inaugurar trechos ferroviários já prontos e em pleno funcionamento mas por ele ainda desconhecidos.

A primeira viagem ocorreu em dezembro de 1878, para inaugurar a terceira etapa do projeto da Estrada de Ferro Cantagalo (já que a segunda, de Cachoeiras a Friburgo, ele tinha inaugurado em 1873, quando compareceu a um célebre banquete e outorgou a Bernardo Clemente Pinto o título de 2º Barão de Nova Friburgo). Na oportunidade, veio de Campos em trole até a fazenda de Areias (Boa Sorte) acompanhado de grande comitiva, da qual faziam parte, entre outras pessoas, a imperatriz Thereza Cristina, o conselheiro Cansanção de Sinimbu (presidente do conselho), Andrade Pinto (ministro da Marinha) e o Visconde de Bom Retiro (presidente da Província).

Foi uma viagem cansativa e árdua para quem estava acostumado ao conforto dos palácios; sobretudo, considerando que toda ela transcorreu em caminhos e chão e foi entrecortada por ligeiros pernoites em fazendas isoladas de São Fidélis e Itaocara.

Em Areias, a comitiva, já cansada, passou uma noite, seguindo para Santa Rita (hoje Euclidelândia) e daí para o Gavião em bonde sobre trilhos puxado a burros.

Em Cantagalo, ao contrário do que se imagina, sua passagem foi meteórica, tendo a comitiva mantido ligeiro contato com líderes locais de expressão, como José Antônio da Silva Freire (futuro Barão de Dourado), então delegado de polícia, Augusto de Souza Brandão (Barão de Cantagalo), chefe do Partido Liberal, e o Dr. Francisco de Souza Gomes, presidente da Câmara e, depois, famoso por ter combatido e, afinal, debelado a febre amarela na cidade.

Na ocasião, o imperador inaugurou a bela igreja do lugar (28 de dezembro), já em funcionamento desde 27 de janeiro de 1876, quando o padre José Antônio Paes Leitão nela celebrou a primeira missa. Em seguida, a comitiva tomou o rumo de Cordeiro, aí pegando o trem que a conduziu até Niterói, dando por inaugurado o respectivo trecho ferroviário (de Cordeiro a Friburgo).

A segunda viagem deu-se em junho de 1883 no sentido contrário ao da primeira, visando inaugurar a ferrovia até a margem do Paraíba (Itaocara), então chamada ‘Ramal da Cantagalo’. Tal como a outra, essa passagem também foi breve e corrida, demorando D. Pedro apenas um dia; tanto que foi até acompanhado de uma comitiva menor que a anterior, mal tendo tempo de manter contato com as autoridades locais, agora integrantes do Partido Conservador e não do Liberal. Nem tempo teve para deter-se na cidade ou visitar o interior do município e ali deixar as marcas da passagem, como certamente gostaria, na forma mencionada na lenda tão querida pelo povo.


*Clélio Erthal é ex-desembargador, ex-juiz federal e pesquisador da história de Cantagalo e região. Mais em www.cantagalo.rj.gov.br/index.php/filhos-ilustres/136-clelio-erthal.

Projeto Fazenda São Clemente relembra o sesquicentenário de nascimento de Eduardo Chapot-Prévost

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O Projeto Fazenda São Clemente, neste ano de 2014, recorda os 150 anos de nascimento do médico e professor Eduardo Chapot-Prévost, uma das mais ilustres e notórias personalidades da medicina brasileira, cujo nome tornou-se mundialmente famoso pela marcante e bem sucedida operação que realizou, no final do século XIX, separando as irmãs siamesas Maria e Rosalina.

Eduardo Chapot-Prévost nasceu em Cantagalo, em 25 de junho de 1864, filho de Louis Chapot-Prévost, cirurgião dentista, de nacionalidade francesa, e de D. Louisa Chapot-Prévost, de nacionalidade belga, professora de línguas.

Chapot-Prévost cursou os preparatórios no Colégio Pedro II. Vocacionado aos estudos médicos, Eduardo Chapot-Prévost matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Colou grau em 1885, defendendo a tese sobre ‘Formas Clínicas do Puerperismo Infeccioso e seu Tratamento’, na Bahia.

No magistério, foi professor adjunto de anatomia, em 1886, e de histologia, em 1888, tendo logrado conquistar a cátedra de histologia em 1890, com uma tese sob o título ‘Pesquisas Histológicas sobre a Inervação das Vias Biliares Extra-Hepáticas’.


NOTORIEDADE MUNDIAL

Em 30 de maio de 1900, Eduardo Chapot-Prévost realizou, pela primeira vez na história da medicina, uma intervenção operatória que constituiu um marco na evolução da cirurgia mundial: a separação das meninas toracoxifópagas Maria e Rosalina, de 7 anos de idade, cuja cirurgia durou apenas 90 minutos.

Eduardo Chapot-Prévost, após realizar os mais minuciosos estudos sobre a operabilidade desse caso de toracoxifopagia, esgotando os métodos de investigação e exame possíveis para a época, criou processos originais para as várias fases da inovadora cirurgia.


MARIA E ROSALINA

As irmãs Maria e Rosalina, ligadas pelo fígado, nasceram em 21 de abril de 1893, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, filhas de João Antônio Davel e Rosalina Pinheiro Davel. Entretanto, os poucos recursos da medicina do final do século XIX não permitiram aos médicos descobrir como e por onde elas estavam unidas.

O tempo foi passando e até que, quando tinham 5 anos de idade, os pais foram convencidos de que só no Rio de Janeiro seria possível resolver o caso. Poucos dias depois, rumaram para o Rio de Janeiro, onde o doutor Pinheiro Júnior apresentou os pais das irmãs toracoxifópagas ao doutor Álvaro Ramos, que decidiu realizar a operação.

Durante um ano, estiveram as crianças aos cuidados desse médico, em observação. A primeira tentativa de operação fracassou, quando o doutor Álvaro Ramos descobriu que as meninas não estavam ligadas apenas por músculos ou cartilagem, como inicialmente se pensara.

Diante desse resultado frustrado, o doutor Pinheiro Júnior decidiu consultar o doutor Eduardo Chapot-Prévost sobre o caso. Ficou surpreso com a resposta do cientista, que declarou estar disposto a assumir a responsabilidade da intervenção. Entretanto, como, na época, nem radiografias existiam, o decidido médico Eduardo Chapot-Prévost foi obrigado a mais de um ano de pesquisas. Aplicando remédios para uma das irmãs a fim de verificar se a outra sentia os efeitos, foi que ele chegou à conclusão de que o órgão que ligava as duas era o fígado. Foram necessários vários meses de experiências para descobrir se elas possuíam um único fígado ou não.

Para preparar a operação, o doutor Eduardo Chapot-Prévost foi obrigado a esculpir em gesso – no tamanho natural – o modelo das duas crianças e a desenhar uma mesa de operação especial, que se dividia em duas, para permitir que ele, depois de separadas as toracoxifópagas, atendesse a uma delas, enquanto os assistentes concluíam a operação da outra. Inclusive, um aparelho especial para a sutura do fígado foi desenhado e construído pelo médico.

A equipe médica chefiada pelo doutor Eduardo Chapot-Prévost, na operação de toracoxifopagia, era composta por 13 médicos assistentes: doutor Paulino Werneck, doutor Pinheiro Júnior, doutor Azevedo Monteiro, doutor Ernani Pinto, doutor Figueiredo Rodrigues, doutor João Gonçalves Lopes, doutor Amaro Campello, Dr. Jonathas Campello, doutor José Chapot-Prévost, doutor Sílvio Muniz, doutor Paula Rodrigues, doutor Dias de Barros e doutor Chardinal d’Arpenans.

Em 1900, o doutor Eduardo Chapot-Prévost usou, pela primeira vez no mundo, as máscaras de gaze, só dezenas de anos depois generalizadas pelos cirurgiões de todos os continentes, em seus atos operatórios. Para a hemostasia (interrupção fisiológica de uma hemorragia) do fígado, separado em larga ponte de conexão entre Maria e Rosalina, o doutor Eduardo Chapot-Prévost utilizou método e aparelhos originais, aceitos na técnica cirúrgica, após a publicação do seu trabalho ‘Chirurgie dês Thoracopages’, em Paris, no ano de 1901.

Durante o procedimento cirúrgico, “a população está acompanhando o drama de bondade e de amor que se representa na Casa de Saúde de São Sebastião.

Acabada a operação, suspensa a ação (anestésica) do clorofórmio, quando um silêncio trágico reinava naquela sala em que acabava de ser afirmada a glória da ciência humana, a Mariasinha, a que mais sofrera, a que mais sangue perdera, a que mais receios devia dali por diante inspirar, logo ao despertar, agitou uma das mãos no ar e disse adeus à irmã. Um cronista, na pressa de transmitir aos leitores as suas impressões pessoais, não soube compreender toda a significação desse adeus. Pareceu a essa alma apressada que havia ali, naquele gesto eloquente da pequenina, a manifestação da primeira saudade, da primeira mágoa da separação, do primeiro desgosto do apartamento... Não era isso, não. Aquilo era um adeus aliviado e consolado, com que o galé se despede do calceta, com que o acusado se despede do banco dos réus, com que a alma da gente se despede de uma preocupação dolorosa, com que um devedor ameaçado de penhora se despede de uma dívida, com que todos os que sofrem se despedem do sofrimento.

Como quereríeis vós que se amassem aquelas pobres almas, condenadas ao eterno convívio? Como quereríeis vós que não se repelissem aqueles dois corpos, condenados ao eterno contato?” (trecho apócrifo de um texto encontrado junto aos documentos dos descendentes dos familiares de Eduardo Chapot-Prévost).

Infelizmente, Maria, uma das xifópagas, faleceu cinco dias e 14 horas após a cirurgia, vitimada, conforme ficou provado pelo laudo da necropsia oficial, solicitada pelo próprio cirurgião, por uma pleuropericardite, quadro infeccioso para cuja debelação a medicina da época não dispunha de eficazes recursos.

Maria, caso tivesse acatado a dieta recomendada, também se salvaria. Muito voluntariosa, porém, e cheia de caprichos, não quis se submeter aos rigores que indicavam somente a ingestão de caldos e coisas leves. A enfermeira resolveu contrariar o conselho médico e deu-lhe um mingau de tapioca, que causou grave infecção intestinal.

A sobrevivência de Rosalina, a outra xifópaga, foi suficiente para atestar a magistral proficiência e o êxito do ato operatório, bem como para consagrar, no Brasil, e perante a ciência médica mundial, o nome de Eduardo Chapot-Prévost, cientista, mestre da medicina e imortal pioneiro deste tipo de cirurgia. Rosalina Henriques, depois de visitar toda a Europa, serviu de tema a várias conferências médicas.

Rosalina relatou, em diversos jornais da década de 1930, como ela e sua irmã Maria viveram presas, uma a outra, durante sete anos. Havia, entre elas, profundas diferenças de gênio e de vontades. Maria era voluntariosa, caprichosa e isso causava rusgas constantes. Uma não queria satisfazer as vontades da outra e principiava a briga da qual sempre Rosalina levava a pior parte, pois, mais cordata, calma e ponderada, cedia aos caprichos da irmã.

Resumindo, Rosalina gostava mais do sossego e Maria de brincadeiras mais movimentadas. Essas divergências eram constantes. Manifestavam-se, inclusive, na hora de dormir. Uma queria ir para o leito e a outra não, porque não tinha sono. E como era difícil acomodarem-se no leito.

A deformação no rosto da sobrevivente foi proveniente da posição a que era obrigada no leito. Maria também apresentava deformação idêntica, mas em sentido inverso porque as suas faces se encostavam, e, de tanto se tocarem, estabeleceram perfeita junção das partes em contato. O vestido tinha que ser de feitio todo especial. Da cintura para cima, com duas blusas; para baixo, uma saia somente. Comiam, cada qual no seu prato, mas sentadas numa só cadeira.  

Rosalina disse que seus pais tiveram, depois, mais 10 filhos, todos eles perfeitos, e que o seu caso foi o único fenômeno que se registrou na sua família e na de seus parentes. Rosalina, contou, ainda, que, depois de operada, passou a morar com o doutor Eduardo Chapot-Prévost, que, mais tarde, se tornou seu padrinho e lhe arranjou educação gratuita num colégio de irmãs de caridade, em Botafogo. Seu grande benfeitor tratava-a como filha.

Quando o padrinho morreu, tinha Rosalina 14 anos de idade e, muito embora a família do médico não quisesse, deixou a casa e foi morar com os pais. Educada, porém, não se habituou àquela vida de privações, no interior do Espírito Santo. Assim, ela voltou para o Rio de Janeiro e, depois, passou a residir com a família de Sebastião Lacerda, na vila que hoje tem seu nome e que se chamava Commercio. Em Sebastião Lacerda, perto de Vassouras, conheceu o homem que viria a ser seu esposo. Dos seus seis filhos, os dois primeiros nasceram em maternidades do Rio de Janeiro, pois os médicos temiam qualquer complicação no parto. Os outros quatro, em mãos de parteiras, naquele lugarejo fluminense.  Rosalina viveu mais de 80 anos.


VIDA E FAMÍLIA

Eduardo Chapot-Prévost casou-se com D. Laura Caminhoá, filha do Comendador da Ordem da Rosa, Joaquim Monteiro Caminhoá, doutor em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e professor de botânica e zoologia, e de sua esposa, D. Delmira Monteiro Caminhoá. Da união, nasceu um único filho, falecido em tenra idade. Após longa enfermidade, Eduardo Chapot-Prévost faleceu em 19 de outubro de 1907, aos 43 anos de idade.

A fotografia e todas as informações apresentadas na presente matéria foram retiradas dos diversos documentos e jornais das primeiras décadas do século XX sobre a vida e obra do doutor Eduardo Chapot-Prévost e que, pela força do destino, integram o acervo da Fazenda São Clemente, localizada em Boa Sorte, no município de Cantagalo, Rio de Janeiro.


*Álvaro Antônio Sagulo Borges de Aquino (coordenador executivo e coordenador de Comunicação Institucional do Projeto Fazenda São Clemente).

*Marcello Cardoso Monnerat (coordenador administrativo e financeiro e coordenador de Restauração e Conservação do Projeto Fazenda São Clemente).

Um mandato perdido

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Todos nós estamos assistindo as sérias e fundadas apreensões vividas pelos brasileiros com relação ao que vai restar para o nosso país: o triste final de governo de Dilma Rousseff.

A indústria brasileira bate recordes negativos de produção. A consequência desses resultados tem provocado desemprego e, pior do que isso, criado perspectivas desanimadoras para um futuro próximo. O setor agrícola, que tem sido o carro-chefe da economia com superávits seguidos da Balança Comercial, está sofrendo os efeitos de clima desfavorável, provocando o atraso no plantio da soja e do milho, trazendo um ambiente de desânimo no setor, o que faz piorar o cenário previsível. Além disso, os escândalos com os desvios na Petrobras, com a forte presença de elementos ligados ao Governo Federal, agora denunciados por intermediários presos, usando os chamados benefícios da “delação premiada”, estão contribuindo, de maneira contundente, para mostrar a vulnerabilidade do governo petista e a desestabilização da atual administração.

O déficit fiscal deste exercício, superior a R$ 20 bilhões, demonstra a total irresponsabilidade do governo, que, preocupado em gastar com as bolsas e outras coisas mais, pensando unicamente na reeleição, incorreu em crime de responsabilidade fiscal, já que gastou, até mesmo, o que tinha de economizar na formação do chamado “superávit primário” para fazer face ao pagamento dos juros da enorme dívida pública. Segundo alguns analistas, isso é caso sujeito ao impedimento do exercício do mandato do chefe de governo, no caso, a própria Dilma, por descumprimento da lei acima citada.

Se há algum benefício para o país na passagem dessa personalidade no mais alto cargo da República, foi a de fazer com que a oposição política tenha assumido o seu papel de combate veemente aos desmandos e desvios, fazendo surgir uma figura oposicionista como Aécio Neves, que, ao receber 51 milhões de votos e se mostrar competente na articulação política, possa se transformar na esperança de renovação da política brasileira. 

Essa é a minha expectativa.


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro fiscal do Sebrae-RJ e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj.

Sociedade Musical 15 de novembro: 100 anos de muitas histórias

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CÉSAR MANSUR

Através de uma rápida pesquisa, vamos, aqui, tentar contar a história da Sociedade Musical 15 de Novembro.

Diz a história de bandas do município de Cantagalo-RJ que, até o início do século XX, havia aqui duas bandas de música: A 7 de Setembro e a Flor de Maio, que eram duas bandas políticas.

A 7 de Setembro pertencia ao grupo político de Dr. Honório Pacheco, que, segundo contam, era um político temperamental e, em certos momentos, até violento.

A Flor de Maio era do partido de Dr. Júlio Santos, político completamente diferente do seu adversário. Dr. Júlio Santos era calmo, ponderado e nunca tomava atitudes violentas.

Embora houvesse muita rivalidade entre as duas bandas, que eram de muita qualidade, havia uma pequena superioridade para a Flor de Maio, que reunia maior simpatia popular.

Lembram os mais antigos que, em dias de retreta da Flor de Maio, as moças da sua torcida saiam às ruas vestidas de azul e branco e, nos dias da 7 de Setembro, as moças adeptas desta vestiam-se de verde e amarelo.

No período de 1913 a 1914, aconteceu uma verdadeira decadência das duas bandas, que encerraram, definitivamente, suas atividades, embora houvesse um grande grupo de músicos que não se conformaram com aquela situação.

Numa bela manhã de 15 de novembro de 1914, Edmo Ferreira da Silva, Horácio Araújo, Isolino Alves (pai do saudoso músico e maestro Celso Alves e do também ex-músico e diretor João Alves), Joaquim Pinto Gomes; Alfredo Teixeira Torres; Paulo Keller e outros amantes da música, que sempre se reuniam no bar do Sr. Eudorico Alves, o ponto de encontro da sociedade cantagalense (hoje, onde é a loja da Riedy, em frente à delegacia) e, após muita conversa, sob a liderança do Sr. Guilherme Sauerbronn, alemão, aqui residente, industrial, proprietário de uma cervejaria, resolveram que, naquele momento, estava fundada a SOCIEDADE MUSICAL 15 DE NOVEMBRO, nome escolhido pelo grupo em alusão à data cívica.

Na mesma reunião, foi escolhido para maestro o músico Domingos José Cidade e, em seguida, saíram todos visitando e convidando todos os músicos para participassem daquele movimento, no que foram atendidos, acontecendo, então, naquela tarde de 15 de novembro de 1914, à base de muito entusiasmo, sem ensaios, sem repertório previamente escolhido e à paisana, a primeira apresentação da nova banda de música.

O primeiro presidente, após a gestão do Sr. Guilherme Sauerbronn, foi o síriolibanês Elias Antônio Yunes. Depois, vieram: Dr. Joaquim de Souza Carvalho Júnior (mais de uma vez), David da Costa Lage (também reeleito); Walter Tardin; Rodolfo Tardin; Walter de Almeida Soutelino (também músico); Dr. Francisco Leite Teixeira; Carlos Gomes Pereira (por diversas vezes) que também era músico; Edmo Japour (reeleito), Nacib Mansur (músico), Manoel Martinez Corbal (reeleito). Nacyr Aiub Nacif; Jorge Ernesto Pinto Farah. Sérgio Campanate (músico); Jorge Ferreira, Nacib Miguel Mansur e, atualmente, novamente o músico Sérgio Campanate.

Devemos, aqui, abrir um parêntese para destacar, com muita justiça, a atuação do casal Manoel Corbal e Elvira de Castro Corbal que, realmente, foram os que mais ajudaram a Sociedade Musical 15 de Novembro com a doação do terreno e ajuda substancial na construção da nossa antiga sede, além de atendimento a toda espécie de solicitação, inclusive com a doação de 40 fardas.

Muitos passaram pela regência da Sociedade Musical 15 de Novembro. Alguns não por muito tempo, por motivo de mudança para outros municípios. O primeiro maestro foi o músico Domingos José Cidade, de 1914 a 1925.

Em 1925, tendo em vista séria crise financeira, já não era possível trazer maestros de outros municípios. Mesmo assim, nossos abnegados músicos não desistiram e, no mês de junho, na Festa do Sagrado Coração de Jesus, estreava como regente o músico Edmo Ferreira da Silva, que, infelizmente, veio a falecer no dia 26 de dezembro de 1930.

Após 30 dias de respeitoso luto, reiniciadas as atividades com o contramestre Izolino Alves, que regeu até março de 1931, quando, a serviço, foi transferido para o município de Campos, indicando para assumir seu posto o músico e contramestre Carlos Gomes Pereira.

Ao voltar a residir em Cantagalo, Izolino Alves reassumiu, por duas vezes, a regência da banda, em substituição ao então maestro Carlos Gomes Pereira, por problemas de saúde, que, ainda em 1931, foi obrigado a se ausentar pelos mesmos problemas, deixando em seu lugar o Sr. José Naegele, que só deixou a regência quando de sua mudança para Niterói, reassumindo, então, mais uma vez, a batuta, o inesquecível e, até hoje respeitado músico, maestro, compositor e arranjador, Carlos Gomes Pereira.

Em 1974, ao se aposentar, o então maestro Carlos Gomes Pereira indicou para substituí-lo o contramestre Celso Alves, que foi auxiliado pelo também músico e maestro Celso Guimarães, até que, por motivo de saúde, foi obrigado a se ausentar, ficando, então, a batuta, com o maestro-arranjador Celso da Silva Guimarães.

ALGUMAS HISTÓRIAS QUE MARCARAM

Ainda em 1974, foi criado um grupo de trabalho composto pelos músicos João Alves, Celso Guimarães, José Lack Dias e Nacib Mansur, com a finalidade de ajudar a direção executiva na solução de pequenos problemas internos e de menor gravidade, que, por ventura, surgissem. A partir da criação desse grupo, a Sociedade Musical 15 de Novembro, que, até então, se apresentava apenas em nossa cidade e distritos, começou a participar dos recém-criados concursos de bandas civis, do Mobral. O 1º foi realizado no município de Miracema-RJ, onde, sob a regência do maestro Celso Guimarães, a nossa banda foi a grande campeã, classificando-se para a segunda fase, realizada na Quinta da Boa Vista, no município do Rio de Janeiro, e, embora não tenha se classificado para a outra fase, foi eleita a de melhor e de maior comunicação com o público, pela crítica jornalística que cobria o evento.

No segundo concurso, realizado no município de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, aconteceu a nossa grande decepção pela falta de seriedade dos jurados, que, mesmo comprovadamente estando a nossa banda classificada e designada para concorrer naquele polo, não deram notas para a nossa apresentação, alegando ser a 15 de Novembro, de Cantagalo, de nível muito superior às outras participantes e, portanto, sendo considerada hors concours. Este fato gerou à nossa diretoria e grupo de trabalho certo desânimo e descredibilidade quanto à organização daquele concurso, fazendo com que houvesse um afastamento, até que, quando da realização do polo em nosso município, mesmo com a organização do concurso tendo negado o pedido de participação como hours concurs, a diretoria da banda resolveu que, por uma questão de ética e até por ser anfitriã, participaria sem maiores pretensões, e foi tão boa, tão destacada a performance, que saímos, mais uma vez, vencedores e classificados para a segunda etapa, realizada no Clube Municipal da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde conseguimos o honroso terceiro lugar dentre tantas renomadas bandas do nosso estado. No ano seguinte, fomos premiados com um honroso terceiro lugar.

Os vários e belíssimos troféus conquistados pela nossa honrada agremiação musical acham-se expostos em nossa sede.

Além destas, a nossa Sociedade Musical 15 de Novembro teve outras destacadas atuações e, aqui, vale lembrar que, através do nosso músico e então comunicador César Mansur, fizemos a abertura do Programa ‘Aqui e Agora’, na extinta TV TUPY, do Rio de Janeiro, ao vivo, e, no mesmo dia, nos apresentamos no Campo de São Bento, em Niterói, a convite do prefeito daquele município, Dr. Valdenir Bragança.

Também em Muriaé-MG, atendendo a honroso convite, nos fizemos presentes ao Encontro de Bandas promovido pela Prefeitura daquela cidade, e, no ano seguinte, nos apresentamos na Feira da Bondade, na mesma cidade, a convite de uma rádio local.

Em Bom Jesus do Itabapoana, mais uma vez nos destacamos com sucesso na Exposição Agropecuária daquele município. Divulgamos, ainda, o nome do nosso município, através da música, na Vila Pereira Carneiro e Jardim São João, em Niterói-RJ.

Marcante também foi a nossa apresentação de gala nas escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, contratados que fomos através da Funarte.

A Sociedade Musical 15 de Novembro se apresentou, ainda, no Sambódromo, no Rio de Janeiro, onde, dentre 50 bandas presentes, fomos um dos destaques no encerramento.

Pelas sempre belíssimas apresentações, seja na qualidade de repertório, dos músicos, no comportamento, etc., nossa banda sempre foi muito requisitada para abrilhantar as festas nos mais distantes rincões no nosso estado e de Minas Gerais, a exemplo de: Trajano de Moraes, Valão do Barro, Visconde de Imbé, São Fidélis, Sapucaia, Porto Velho (MG) e outras.

As histórias mais antigas nos foram narradas através de conversas com os srs. Nacib Mansur, Walter de Almeida Soutelino, João Alves, Celso Alves, Carlos Gomes Pereira e outros, além de ser eu, testemunha ocular e participante de algumas nos, pelo menos, últimos 57 anos.

Ao encerrar essa narrativa, na qual, com maior tempo de pesquisa, com certeza muitas coisas poderiam ser acrescentadas, espero que todos se conscientizem que “MÚSICA NÃO TEM FRONTEIRAS”. Por isso, é importantíssimo que exista maior intercâmbio de músicos entre bandas, que uma ajude a outra e, principalmente, haja maior participação e envolvimento do povo em geral, para que possamos manter viva a chama da nossa cultura, e que não se acabem as bandas do interior.

Aproveito para, com muito carinho, agradecer a um por um dos meus colegas de estante da 15 de Novembro e de outras bandas que aqui estiveram dando-nos o prazer de um convívio sadio e de amizade e, com muito carinho, ao Grupo Amigas da Banda, aos prefeitos e secretários que, ao longo desses anos, nos deram apoio, e a todos que direta ou indiretamente colaboraram para a realização deste centenário.

Parabéns à atual diretoria pela inauguração e atualização da GALERIA DOS MÚSICOS IMORTAIS, DIRIGENTES, MAESTROS, MÚSICOS QUE POR AQUI PASSARAM E MÚSICOS ATUAIS. Parabéns, saudosos músicos, maestros e dirigentes que por aqui passaram! Parabéns músicos, maestros, dirigentes e agregados que aqui se encontram! Parabéns Sociedade Musical 15 de Novembro pelos 100 anos!!

Cantagalo, RJ, novembro de 2014.


*César Mansur é músico e diretor da Sociedade Musical 15 de Novembro.

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