Artigo

Uma nova crise

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Não bastassem os escândalos que colocam a Petrobras nos noticiários do mundo todo, a queda dos preços no precioso mineral que enriqueceu muita gente e fez a prosperidade de países produtores, entra, agora, em uma fase perigosa, tendo em vista a concorrência predatória provocada pelos países árabes para prejudicar outros estados produtores, sufocando-os, já que as economias dos prejudicados dependem, e muito, do petróleo para o equilíbrio de seus orçamentos. No caso brasileiro, a situação ainda tem o agravante de encontrar a nossa estatal em situação de extrema fragilidade pela sua presença agora mais nas páginas policiais do que nas econômicas. Por incrível que pareça, a cada dia o noticiário é enriquecido por mais uma denúncia que engrossa as suspeitas de que a famosa e importante estatal se transformou em um ninho de ratazanas lá colocado pelo PT, com a participação efetiva do PMDB e PP, seus aliados na política nacional.

O que chama a atenção dos comentaristas é que a senhora Dilma Rousseff está muda, imobilizada e atônita com a tremenda carga de problemas que irão marcar definitivamente seu governo frágil e absolutamente incompetente. A manutenção da atual administração da estatal por mais tempo, como está ocorrendo, sofrendo a cada dia com mais uma denúncia grave, demonstra o quanto o País perdeu com a sua reeleição.

O panorama político-econômico se mantém imobilizado pelo envolvimento de políticos governistas e empresários da pior espécie, que, em perniciosa e espúria união, mostraram aos infelizes brasileiros o quanto são capazes de exercerem ações de rapinagem para assaltarem os cofres públicos.

Quanta lama que poderia “ilustrar” a conhecida frase pronunciada pelo chefe de tudo isso: “nunca antes nesse país....”


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, conselheiro do Sebrae-RJ e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj.


Palacete do Gavião, marco de transição entre duas eras

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Além do grande surto da lavoura cafeeira e da famosa ferrovia que cortava a Região Serrana de norte a sul, o maior legado da família Clemente Pinto à história de Cantagalo foi o Palacete do Gavião, sem dúvida a mais suntuosa sede rural do Brasil-Império. Fê-lo (embora só em parte, porque o prédio nunca foi concluído) o primeiro Barão de Nova Friburgo na década de 60 do século 19, com base em projeto elaborado pelo engenheiro alemão Friedrich Gustav Waehneldt, o mesmo que projetou o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

Quando Antônio Clemente Pinto, seu artífice, transferiu-se para a zona, nela já residia seu irmão Manoel (também português) há vários anos, na condição de fazendeiro e político atuante, chegando, inclusive, a presidir sua Câmara de Vereadores em 1829. Ao que consta, foi com auxílio financeiro do Barão de Ubá (João Rodrigues Pereira de Almeida) que ele (Antônio) deu início à sua epopéia empresarial, comprando várias fazendas na região e, afinal, se tornando um dos homens mais ricos do país.

A monumental residência do Gavião, construída para servir de sede aos seus negócios agrários, foi concebida e projetada em forma de um grande quadrilátero, com quatro corpos interligados, a saber: uma frente imponente, uma ala de idêntica proporção nos fundos e duas laterais providas de varanda e colunas, dando vista para as montanhas em torno. No centro, uma espaçosa área contendo belo jardim, no qual, segundo a tradição, foram plantadas as primeiras mudas da variedade “java” de café em terras brasileiras.

Essas mudas, consoante relato do antigo agrônomo Honorário Lamblet, foram levadas ao palacete pelo patriarca do Amparo, Jorge Gripp, servindo-se de sementes trazidas do Oriente por Luiz Sardemberg. 

Dos quatro corpos arquitetônicos que integravam o conjunto, o mais bonito sempre foi o da frente, ainda de pé, ostentando um varandão com dez colunas romanas e uma escadaria em duas rampas contrapostas, cujo ponto de encontro, no topo, formava (como ainda forma) um palanque então ornamentado por belas estátuas de mármore. Certamente, foi diante dessas escadas que se celebrou a festa de liberação dos 1,9 mil escravos antes da Lei Áurea, abrilhantada pela banda de música ‘Calíope Cantagalense’, trazida da cidade para animar o evento.

Antes da ferrovia, essa propriedade era ligada à Fazenda Santa Rita por uma linha de bondes puxados a burros, a qual ladeava, na várzea em frente ao palacete, um belo prado de corrida de cavalos.

Ao falecer o Conde de Nova Friburgo, em 6 de agosto de 1914, os tempos já eram outros. A alteração do regime laboral, seguida da queda da Monarquia e consequente extinção dos cafezais, forçaram: primeiro, a interrupção das obras, impedindo que o grande palácio se completasse; segundo, a decadência econômica da família Clemente Pinto, por sinal coincidente com o grande declínio da economia cantagalense, só revigorada mais tarde, com o advento da pecuária.

As partes laterais e do fundo do edifício nunca foram concluídas. Quando, em 1946, o Dr. Pedro Pitta as demoliu, restaurando apenas a fachada, prestou um assinalado serviço à cultura local, porque, afinal, permitiu às novas gerações contemplar a frente da mais notável edificação arquitetônica da Cantagalo Imperial. Lá, ainda podem ser vistas: a fachada, com a bela colunata, a escadaria (embora sem as estátuas) e a capela, no interior da fachada.

Vale a pena tal contemplação.


*Clélio Erthal é ex-desembargador, ex-juiz federal e pesquisador da história de Cantagalo e região. Mais em www.cantagalo.rj.gov.br/index.php/filhos-ilustres/136-clelio-erthal.

Um segundo mandato trôpego

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Os brasileiros que se ligam na política, mas que, principalmente, estejam sintonizados com o que rola nesse mundo, já devem ter observado que o segundo mandato da senhora sabe tudo Dilma Rousseff começa com maus presságios, tendo em vista tudo o que se noticia a respeito de detalhes de extrema importância, que, para contrariar a “presidenta”, ninguém vê em que isso pode resultar. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Data Folha destaca que sete em cada dez entrevistados citam Dilma como uma das responsáveis pela roubalheira descarada ocorrida na Petrobras, e, como já se sabe, a investigação sobre as ações do governo no que se refere a grandes obras irá se estender para todos os setores que envolvem grandes investimentos governamentais como, por exemplo, nas grandes obras comandadas pela Eletrobras, e outros setores onde rola muita grana e que, por isso, os políticos ligados ao governo disputam quase que a tiros, uma vaguinha de diretor.

Além de estar às voltas com a necessidade de mexer na lei para fugir da responsabilidade fiscal que determinava a economia de algumas centenas de milhões de reais para fazer face ao pagamento da enorme dívida pública, que cresceu horrores no ano da eleição para garantir a sua permanência no poder, passou por um tremendo susto com a dificuldade encontrada no Congresso para lhe dar cobertura, já que a oposição, ao que parece, sob a liderança de Aécio Neves, pretende realmente ser “oposição” e fazer valer os 50 milhões de votos recebidos na última eleição. Além disso, o escândalo da Petrobras com os depoimentos de componentes da diretoria, que, hoje, estão no foco das denúncias, são unânimes em afirmar que a responsabilidade da compra da Refinaria de Pasadena, era do Conselho de Administração que Dilma presidia. Vamos aguardar o indiciamento dos grandes empreiteiros, assim como o enquadramento dos ex-diretores que lidaram com o mau uso do dinheiro da Petrobras, que, em último caso, é nosso também.


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Sebrae-RJ (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro) e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

A imbatível confiabilidade da mídia impressa

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*Sidney Anversa Victor

A redução do número de páginas de jornais e revistas e até a extinção de alguns títulos bastante conhecidos, tanto no Brasil quanto no exterior, são os aspectos mais visíveis para a opinião pública dos desafios enfrentados atualmente pela indústria gráfica ante à concorrência com a internet, as redes sociais e as novas mídias. Independentemente dos problemas econômicos de nosso país e da duradoura crise internacional desde 2008, há uma questão básica a ser melhor entendida e enfrentada: o impresso versus o eletrônico.

É dessa maneira, ao que parece, que o importante tema vem sendo assimilado pelo público em geral. No entanto, os agentes do mercado, os empresários, os gestores e os executivos de toda a cadeia produtiva da comunicação gráfica não podem concordar com essa visão simplista do problema. Também não devem conformar-se com a previsão dramática de que o seu negócio segue irremediavelmente para a extinção, como às vezes citam algumas matérias veiculadas na própria imprensa.

Mais do que nunca, é preciso pensar, agir e reagir! Para isso, a melhor estratégia a ser adotada é muito semelhante à que sempre fazemos quando nos deparamos em nossas atividades com as dificuldades que se apresentam nos momentos em que ocorre o aumento da concorrência: melhorar a qualidade, entender o foco e as necessidades do mercado, buscar melhor produtividade e preço e, principalmente, fazer prevalecer, aos olhos do cliente, os diferenciais, o detalhe que só você tem, aquele quê de inovação, aplicabilidade e soluções que agregam imenso valor e tornam único um produto ou serviço. Sabemos muito bem fazer essas lições de casa.

Ao analisarmos a questão por esse ângulo mais pragmático, a indústria gráfica tem numerosos diferenciais. No caso do segmento editorial, aqui considerando, em especial, os jornais e revistas periódicos vendidos em bancas ou por meio de assinaturas, um dos seus atributos mais importantes é a credibilidade da informação que veiculam, qualidade que emprestam, aliás, às suas edições online. A internet, como um todo, entretanto, não desfruta dessa virtude, pois muitos blogs, as redes sociais e até alguns sites investidos de pretensa seriedade não têm qualquer compromisso com a verdade e com os princípios do bom jornalismo. Quanto mais confiável for o conteúdo de um veículo de comunicação, maior será sua chance de concorrer e sobreviver na disputa com outras mídias, em especial as que habitam o mundo da web.

Cabe à própria mídia gráfica contribuir para que todos esses conceitos cheguem de modo mais claro e constante à população, aos consumidores e aos formadores de opinião pública. Fico preocupado quando vejo meios de comunicação impressos prevendo sua própria extinção e propondo a criação de cotas e subsídios por parte do Estado para “democratizar” a imprensa. Ora, tais alternativas atentariam contra a liberdade de expressão, uma das maiores conquistas da civilização, e exporiam os veículos à inadequada tutela do governo de plantão. Definitivamente, não é de propostas assim que a cadeia produtiva da comunicação impressa e a indústria gráfica precisam. Não precisam e não querem! É urgente, sim, entendermos, com mais profundidade e clareza, todas as transformações do mercado e do mundo, percebermos como os nossos diferenciais encaixam-se nessas irreversíveis mudanças e torná-los os principais fatores de nossa viável sobrevivência no novo ambiente de negócios da economia e da comunicação globais.


*Sidney Anversa Victor é empresário, presidente da Abigraf Regional São Paulo (Associação Brasileira da Indústria Gráfica-SP).

Reminiscências e reverências do alto do 12º andar

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E chegamos ao último mês do ano. O burburinho das festas se avizinha, o comércio ampliará suas vendas, as canções natalinas passarão a ser executadas à exaustão e, daqui a pouco, para todo o lado para onde se lançar o olhar, a onipresença das reproduções cintilantes de papais noéis, pinheiros boreais e neve requisitarão a nossa atenção. 

Em meio à euforia que, em poucos dias, se apossará de todos, o ano do bicentenário do município de Cantagalo chega ao fim. E, daqui, do alto do “décimo segundo andar” de 2014 (que é como o grande Mário Quintana refere-se ao mês de dezembro, em um arrebatador poema de final de ano intitulado ‘Esperança’), passamos a ter uma visão panorâmica do transcorrido e, antes do show pirotécnico da virada coalhar o céu com seus efeitos reluzentes, talvez seja pertinente tecermos algumas reflexões sobre os eventos comemorativos dos 200 anos.

O que deles não se apagará com os fogos do réveillon? Quais iniciativas ficarão entranhadas na tessitura social a ponto de gerarem frutos futuros? Será que as comemorações contribuíram para incrementar, ou ao menos reorganizar, o amarelado calendário de eventos culturais do município? O que de efetivo foi feito para projetar a história, preservar a memória e o valoroso patrimônio cultural da nossa terra? Na intenção de legar para a posteridade vestígios importantes da caminhada dos cantagalenses no tempo, alguma edificação de valor histórico foi restaurada, ou mesmo um novo equipamento cultural foi criado? Dentre os poucos espaços culturais que existem (ou persistem?) no município, algum foi revitalizado?

Talvez, argumentarão os mais cautelosos, não tenhamos todas as respostas para essas indagações assim, no frescor da hora presente, por conta da proximidade imediata com os fatos. É provável que, só concedendo tempo ao tempo, possamos perceber (ou não) se haverá desdobramentos do acontecido e verificar seus reais efeitos... Então, utilizemos a regra da prudência: aguardemos! 

Mudando o tom da partitura, o ano do bicentenário não deve terminar sem prestarmos, aqui, as nossas necessárias homenagens e reverências às atuações de quatro importantes personalidades que, através de suas ideias, reflexões e paixões, contribuíram sobremaneira para a redefinição dos marcos temporais que balizam a história do município, devolvendo a Cantagalo a primazia de unidade administrativa mais antiga da região.

Cada um deles, ao seu modo e com seu estilo pessoal, plantou e fez germinar a semente da mudança, recolocando o “2 de outubro de 1857” em seu devido lugar – apenas como um marco temporal honorífico de elevação da nossa malha urbana central à condição de cidade – e evidenciando o “9 de março de 1814” como data magna representativa da criação do município, deste modo, redefinindo, de forma fidedigna, a contagem da idade de Cantagalo.

Há tempos, o nosso sempre candidato ao Prêmio Nobel da Paz, Seu Bento Luiz Lisboa, com a inabalável serenidade que lhe é peculiar, assinalava em conversas informais, nos debates públicos, nas palestras em colégios e em demais espaços de discussão, o que realmente representava cada um desses marcos temporais e a confusão que se fazia com eles.

Na seara da discussão acadêmica e militância na imprensa escrita (contando com ampla cobertura do JORNAL DA REGIÃO), atuavam os doutores Clélio Erthal e Henrique Bon, convertendo os incrédulos. Incansáveis pesquisadores que são, produziram textos reveladores e contundentes, imprescindíveis para o convencimento geral quanto à gênese do município e o “divisor de águas” que o “9 de março de 1814” representa, na história de Cantagalo e região.

E, por fim, mas tão importante quanto, encontrava-se o professor Gerson Tavares do Carmo, articulando a mudança de perspectiva junto às instâncias pedagógicas e políticas locais, com a produção de material didático sobre a correção da idade do município, como também promovendo profícuo diálogo junto aos representantes do Executivo e Legislativo à época.

Deste modo, esses quatro valorosos expoentes engendraram, há mais de uma década, na complementariedade de suas ações, um movimento de revisão histórica que conquistou os corações e mentes de uma parcela considerável dos munícipes, culminando na outorga, pelo Executivo municipal, do Decreto nº 1.661, de 22 de novembro de 2004  (publicado aqui, no JORNAL DA REGIÃO, em 11 de dezembro), e, no ano seguinte, ensejando a primeira comemoração pública, com toda pompa e circunstância, do “9 de março de 1814” como data magna do município, dentro do espírito de que esta deveria ter o status de ‘Dia da Consciência Histórica de Cantagalo’.

Assim sendo, do alto do décimo segundo andar de 2014, nas últimas semanas do bicentenário, aos artífices da mudança, prestamos as nossas mais respeitosas reverências, almejando que outros movimentos com o mesmo sentido de valorização da nossa história venham à tona.

Na oportunidade, desejamos a todos os cantagalenses um Ano Novo repleto de alegrias e afetos.

Viva o povo cantagalense!!! Viva a inebriante história e o valoroso patrimônio cultural da nossa queridíssima Cantagalo!!!


*João Bôsco de Paula Bon Cardoso é professor de sociologia e geografia, coordenador de patrimônio cultural do Projeto Fazenda São Clemente e um dos coordenadores do Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo.

Leite: sua produção e importância

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Sempre que me dedico a escrever sobre esse nobre e essencial alimento, me vem à mente não apenas uma tabela estatística sobre o produto, mas os detalhes que afetam todo arranjo necessário que percorre o longo caminho, que começa na ordenha, passa pelo beneficiamento nas usinas processadoras até chegar aos pontos de venda.

Ao longo dos meus 60 anos de trabalho nas cooperativas leiteiras, com passagem de 20 anos pela Cooperativa Central dos Produtores de Leite (CCPL), cuja área de ação compreendia quatro estados, pude ver e acompanhar todo o longo caminho que o produto percorre, hoje bem melhorado pelas mudanças ocorridas, podendo se citar como a principal delas a Normativa do Ministério da Agricultura de nº 51, que, entre outras medidas de longo alcance, estabeleceu a obrigatoriedade da colocação de tanques de expansão ou resfriamento nas propriedades produtoras, garantindo-se, com isso, que o leite chegasse à unidade industrial com sua qualidade garantida.

Essa mudança foi de tal forma chocante que mexeu com a cabeça dos produtores, até com ameaça de rebeldia entre os mais afoitos, que diziam “não vai dar certo”! Deu certo e, hoje, todos reconhecem os benefícios daí recorrentes e já nem se lembram dos velhos e enferrujados latões. Com relação à produção, embora os vários números com que lidamos não fechem com a exatidão requerida, sabe-se que se aproximam e se tornam confiáveis, como, por exemplo, os dados compilados pela SCOT Consultoria, que  informam que, de 2000 até 2012, a produção do País passou de 19,7 bilhões de litros para 32,5 bilhões, com crescimento significativo.

O estado do Rio figura na 11ª posição entre os estados produtores com, aproximadamente, seis milhões de litros/ano, necessitando importar perto de 70% das suas necessidades, devendo-se ressaltar que nosso estado teve um grande incremento na instalação de unidades processadoras, porém a produção não acompanhou, nem de longe, esse crescimento.

Um dado que chama a atenção é o grande número de produtores com fornecimento de até 100 litros/dia, que, em algumas unidades receptoras, representam 70% da produção total.

Logo a seguir, nós temos cerca de 15% de produtores com até 200 litros/dia. Esses dados indicam que todos os esforços deveriam se concentrar no incentivo a esse grande número de pequenos e médios produtores, que, com tecnologia já conhecida e assistência técnica, dariam, certamente, um salto importante na produção em nosso estado. O Brasil está em quinto lugar entre os maiores produtores mundiais e tem na sua frente Índia, Estados Unidos, Paquistão e China. 

Temos um grande caminho a percorrer...


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ) e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

A coisa está ficando feia...

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O pesadelo do PT e de seus aliados não tem dia marcado para terminar. A cada fala dos chamados delatores mais alguns nomes são adicionados ao já considerável número de políticos e grandes empresários afundados até o pescoço nesse mar de lama que nos envergonha como país que pretende ter voz ativa na política mundial. Fico imaginando a cara da senhora Dilma no encontro dos 20, que foi realizado, assim como fico pensando nos brasileiros que não recebem “bolsas” por não precisarem desse tipo de favor, que votaram na reeleição dela.

Essa bandalheira de bilhões sacados dos cofres da Petrobras para engordar contas bancárias de uma grande quantidade de políticos da pior qualidade, pertencentes aos partidos que apoiam Lula e seus comparsas, está trazendo um prejuízo incalculável a essa grande empresa, que sempre foi um orgulho nacional, e prejudicando, de maneira absurda, milhões de investidores que nela confiaram e que, agora, graças aos apaniguados pelos governos Lula/Dilma, fizeram o valor das ações se derreterem, levando para o ralo as esperanças de quem sempre confiou na empresa.

A responsabilidade desses fatos cabe principalmente ao PT, que, durante 20 anos, pregou honestidade, necessidade de mudanças e outras balelas, que, hoje, podem ser consideradas atendidas da maneira mais condenável.

Os partidos que se aliaram ao PT se emporcalharam e, com eles, levaram empresas de grande porte, muitas das quais operam no exterior, a se chafurdarem na lama, comprometendo suas marcas e provocando um desastre total para os seus executivos, que brilhavam nas colunas sociais e, agora, ilustram as colunas policiais. Neste momento, trocaram suas ricas residências por alguns quartos apertados na sede da Polícia Federal de Curitiba.

Que vergonha! Que vexame!


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Sebrae-RJ e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Os Caminhos do Imperador

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Quem ouve falar nos ‘Caminhos do Imperador’ em Cantagalo sem conhecer a verdadeira história das tradicionais viagens de D. Pedro II pela região, imagina que ele, à semelhança do Príncipe Adalberto da Prússia e de outros viajantes ilustres que por ela passaram no século XIX, visitou várias fazendas de café e percorreu muitas partes do município, certamente atraído pelas belezas do lugar e no afã de conhecer, de perto, suas riquezas sociais e econômicas. 

Entretanto, nada mais ilusório.

O imperador, na verdade, não perambulou pelo município, nem visitou muitas fazendas na região como o vulgo imagina. Apenas passou duas vezes pela cidade, em ritmo acelerado, não tanto com propósitos sociais de conhecer os belos cafezais ou contactar os barões que viviam no recanto, mas com o fito de inaugurar trechos ferroviários já prontos e em pleno funcionamento mas por ele ainda desconhecidos.

A primeira viagem ocorreu em dezembro de 1878, para inaugurar a terceira etapa do projeto da Estrada de Ferro Cantagalo (já que a segunda, de Cachoeiras a Friburgo, ele tinha inaugurado em 1873, quando compareceu a um célebre banquete e outorgou a Bernardo Clemente Pinto o título de 2º Barão de Nova Friburgo). Na oportunidade, veio de Campos em trole até a fazenda de Areias (Boa Sorte) acompanhado de grande comitiva, da qual faziam parte, entre outras pessoas, a imperatriz Thereza Cristina, o conselheiro Cansanção de Sinimbu (presidente do conselho), Andrade Pinto (ministro da Marinha) e o Visconde de Bom Retiro (presidente da Província).

Foi uma viagem cansativa e árdua para quem estava acostumado ao conforto dos palácios; sobretudo, considerando que toda ela transcorreu em caminhos e chão e foi entrecortada por ligeiros pernoites em fazendas isoladas de São Fidélis e Itaocara.

Em Areias, a comitiva, já cansada, passou uma noite, seguindo para Santa Rita (hoje Euclidelândia) e daí para o Gavião em bonde sobre trilhos puxado a burros.

Em Cantagalo, ao contrário do que se imagina, sua passagem foi meteórica, tendo a comitiva mantido ligeiro contato com líderes locais de expressão, como José Antônio da Silva Freire (futuro Barão de Dourado), então delegado de polícia, Augusto de Souza Brandão (Barão de Cantagalo), chefe do Partido Liberal, e o Dr. Francisco de Souza Gomes, presidente da Câmara e, depois, famoso por ter combatido e, afinal, debelado a febre amarela na cidade.

Na ocasião, o imperador inaugurou a bela igreja do lugar (28 de dezembro), já em funcionamento desde 27 de janeiro de 1876, quando o padre José Antônio Paes Leitão nela celebrou a primeira missa. Em seguida, a comitiva tomou o rumo de Cordeiro, aí pegando o trem que a conduziu até Niterói, dando por inaugurado o respectivo trecho ferroviário (de Cordeiro a Friburgo).

A segunda viagem deu-se em junho de 1883 no sentido contrário ao da primeira, visando inaugurar a ferrovia até a margem do Paraíba (Itaocara), então chamada ‘Ramal da Cantagalo’. Tal como a outra, essa passagem também foi breve e corrida, demorando D. Pedro apenas um dia; tanto que foi até acompanhado de uma comitiva menor que a anterior, mal tendo tempo de manter contato com as autoridades locais, agora integrantes do Partido Conservador e não do Liberal. Nem tempo teve para deter-se na cidade ou visitar o interior do município e ali deixar as marcas da passagem, como certamente gostaria, na forma mencionada na lenda tão querida pelo povo.


*Clélio Erthal é ex-desembargador, ex-juiz federal e pesquisador da história de Cantagalo e região. Mais em www.cantagalo.rj.gov.br/index.php/filhos-ilustres/136-clelio-erthal.

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