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Sociedade Musical 15 de novembro: 100 anos de muitas histórias

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CÉSAR MANSUR

Através de uma rápida pesquisa, vamos, aqui, tentar contar a história da Sociedade Musical 15 de Novembro.

Diz a história de bandas do município de Cantagalo-RJ que, até o início do século XX, havia aqui duas bandas de música: A 7 de Setembro e a Flor de Maio, que eram duas bandas políticas.

A 7 de Setembro pertencia ao grupo político de Dr. Honório Pacheco, que, segundo contam, era um político temperamental e, em certos momentos, até violento.

A Flor de Maio era do partido de Dr. Júlio Santos, político completamente diferente do seu adversário. Dr. Júlio Santos era calmo, ponderado e nunca tomava atitudes violentas.

Embora houvesse muita rivalidade entre as duas bandas, que eram de muita qualidade, havia uma pequena superioridade para a Flor de Maio, que reunia maior simpatia popular.

Lembram os mais antigos que, em dias de retreta da Flor de Maio, as moças da sua torcida saiam às ruas vestidas de azul e branco e, nos dias da 7 de Setembro, as moças adeptas desta vestiam-se de verde e amarelo.

No período de 1913 a 1914, aconteceu uma verdadeira decadência das duas bandas, que encerraram, definitivamente, suas atividades, embora houvesse um grande grupo de músicos que não se conformaram com aquela situação.

Numa bela manhã de 15 de novembro de 1914, Edmo Ferreira da Silva, Horácio Araújo, Isolino Alves (pai do saudoso músico e maestro Celso Alves e do também ex-músico e diretor João Alves), Joaquim Pinto Gomes; Alfredo Teixeira Torres; Paulo Keller e outros amantes da música, que sempre se reuniam no bar do Sr. Eudorico Alves, o ponto de encontro da sociedade cantagalense (hoje, onde é a loja da Riedy, em frente à delegacia) e, após muita conversa, sob a liderança do Sr. Guilherme Sauerbronn, alemão, aqui residente, industrial, proprietário de uma cervejaria, resolveram que, naquele momento, estava fundada a SOCIEDADE MUSICAL 15 DE NOVEMBRO, nome escolhido pelo grupo em alusão à data cívica.

Na mesma reunião, foi escolhido para maestro o músico Domingos José Cidade e, em seguida, saíram todos visitando e convidando todos os músicos para participassem daquele movimento, no que foram atendidos, acontecendo, então, naquela tarde de 15 de novembro de 1914, à base de muito entusiasmo, sem ensaios, sem repertório previamente escolhido e à paisana, a primeira apresentação da nova banda de música.

O primeiro presidente, após a gestão do Sr. Guilherme Sauerbronn, foi o síriolibanês Elias Antônio Yunes. Depois, vieram: Dr. Joaquim de Souza Carvalho Júnior (mais de uma vez), David da Costa Lage (também reeleito); Walter Tardin; Rodolfo Tardin; Walter de Almeida Soutelino (também músico); Dr. Francisco Leite Teixeira; Carlos Gomes Pereira (por diversas vezes) que também era músico; Edmo Japour (reeleito), Nacib Mansur (músico), Manoel Martinez Corbal (reeleito). Nacyr Aiub Nacif; Jorge Ernesto Pinto Farah. Sérgio Campanate (músico); Jorge Ferreira, Nacib Miguel Mansur e, atualmente, novamente o músico Sérgio Campanate.

Devemos, aqui, abrir um parêntese para destacar, com muita justiça, a atuação do casal Manoel Corbal e Elvira de Castro Corbal que, realmente, foram os que mais ajudaram a Sociedade Musical 15 de Novembro com a doação do terreno e ajuda substancial na construção da nossa antiga sede, além de atendimento a toda espécie de solicitação, inclusive com a doação de 40 fardas.

Muitos passaram pela regência da Sociedade Musical 15 de Novembro. Alguns não por muito tempo, por motivo de mudança para outros municípios. O primeiro maestro foi o músico Domingos José Cidade, de 1914 a 1925.

Em 1925, tendo em vista séria crise financeira, já não era possível trazer maestros de outros municípios. Mesmo assim, nossos abnegados músicos não desistiram e, no mês de junho, na Festa do Sagrado Coração de Jesus, estreava como regente o músico Edmo Ferreira da Silva, que, infelizmente, veio a falecer no dia 26 de dezembro de 1930.

Após 30 dias de respeitoso luto, reiniciadas as atividades com o contramestre Izolino Alves, que regeu até março de 1931, quando, a serviço, foi transferido para o município de Campos, indicando para assumir seu posto o músico e contramestre Carlos Gomes Pereira.

Ao voltar a residir em Cantagalo, Izolino Alves reassumiu, por duas vezes, a regência da banda, em substituição ao então maestro Carlos Gomes Pereira, por problemas de saúde, que, ainda em 1931, foi obrigado a se ausentar pelos mesmos problemas, deixando em seu lugar o Sr. José Naegele, que só deixou a regência quando de sua mudança para Niterói, reassumindo, então, mais uma vez, a batuta, o inesquecível e, até hoje respeitado músico, maestro, compositor e arranjador, Carlos Gomes Pereira.

Em 1974, ao se aposentar, o então maestro Carlos Gomes Pereira indicou para substituí-lo o contramestre Celso Alves, que foi auxiliado pelo também músico e maestro Celso Guimarães, até que, por motivo de saúde, foi obrigado a se ausentar, ficando, então, a batuta, com o maestro-arranjador Celso da Silva Guimarães.

ALGUMAS HISTÓRIAS QUE MARCARAM

Ainda em 1974, foi criado um grupo de trabalho composto pelos músicos João Alves, Celso Guimarães, José Lack Dias e Nacib Mansur, com a finalidade de ajudar a direção executiva na solução de pequenos problemas internos e de menor gravidade, que, por ventura, surgissem. A partir da criação desse grupo, a Sociedade Musical 15 de Novembro, que, até então, se apresentava apenas em nossa cidade e distritos, começou a participar dos recém-criados concursos de bandas civis, do Mobral. O 1º foi realizado no município de Miracema-RJ, onde, sob a regência do maestro Celso Guimarães, a nossa banda foi a grande campeã, classificando-se para a segunda fase, realizada na Quinta da Boa Vista, no município do Rio de Janeiro, e, embora não tenha se classificado para a outra fase, foi eleita a de melhor e de maior comunicação com o público, pela crítica jornalística que cobria o evento.

No segundo concurso, realizado no município de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, aconteceu a nossa grande decepção pela falta de seriedade dos jurados, que, mesmo comprovadamente estando a nossa banda classificada e designada para concorrer naquele polo, não deram notas para a nossa apresentação, alegando ser a 15 de Novembro, de Cantagalo, de nível muito superior às outras participantes e, portanto, sendo considerada hors concours. Este fato gerou à nossa diretoria e grupo de trabalho certo desânimo e descredibilidade quanto à organização daquele concurso, fazendo com que houvesse um afastamento, até que, quando da realização do polo em nosso município, mesmo com a organização do concurso tendo negado o pedido de participação como hours concurs, a diretoria da banda resolveu que, por uma questão de ética e até por ser anfitriã, participaria sem maiores pretensões, e foi tão boa, tão destacada a performance, que saímos, mais uma vez, vencedores e classificados para a segunda etapa, realizada no Clube Municipal da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde conseguimos o honroso terceiro lugar dentre tantas renomadas bandas do nosso estado. No ano seguinte, fomos premiados com um honroso terceiro lugar.

Os vários e belíssimos troféus conquistados pela nossa honrada agremiação musical acham-se expostos em nossa sede.

Além destas, a nossa Sociedade Musical 15 de Novembro teve outras destacadas atuações e, aqui, vale lembrar que, através do nosso músico e então comunicador César Mansur, fizemos a abertura do Programa ‘Aqui e Agora’, na extinta TV TUPY, do Rio de Janeiro, ao vivo, e, no mesmo dia, nos apresentamos no Campo de São Bento, em Niterói, a convite do prefeito daquele município, Dr. Valdenir Bragança.

Também em Muriaé-MG, atendendo a honroso convite, nos fizemos presentes ao Encontro de Bandas promovido pela Prefeitura daquela cidade, e, no ano seguinte, nos apresentamos na Feira da Bondade, na mesma cidade, a convite de uma rádio local.

Em Bom Jesus do Itabapoana, mais uma vez nos destacamos com sucesso na Exposição Agropecuária daquele município. Divulgamos, ainda, o nome do nosso município, através da música, na Vila Pereira Carneiro e Jardim São João, em Niterói-RJ.

Marcante também foi a nossa apresentação de gala nas escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, contratados que fomos através da Funarte.

A Sociedade Musical 15 de Novembro se apresentou, ainda, no Sambódromo, no Rio de Janeiro, onde, dentre 50 bandas presentes, fomos um dos destaques no encerramento.

Pelas sempre belíssimas apresentações, seja na qualidade de repertório, dos músicos, no comportamento, etc., nossa banda sempre foi muito requisitada para abrilhantar as festas nos mais distantes rincões no nosso estado e de Minas Gerais, a exemplo de: Trajano de Moraes, Valão do Barro, Visconde de Imbé, São Fidélis, Sapucaia, Porto Velho (MG) e outras.

As histórias mais antigas nos foram narradas através de conversas com os srs. Nacib Mansur, Walter de Almeida Soutelino, João Alves, Celso Alves, Carlos Gomes Pereira e outros, além de ser eu, testemunha ocular e participante de algumas nos, pelo menos, últimos 57 anos.

Ao encerrar essa narrativa, na qual, com maior tempo de pesquisa, com certeza muitas coisas poderiam ser acrescentadas, espero que todos se conscientizem que “MÚSICA NÃO TEM FRONTEIRAS”. Por isso, é importantíssimo que exista maior intercâmbio de músicos entre bandas, que uma ajude a outra e, principalmente, haja maior participação e envolvimento do povo em geral, para que possamos manter viva a chama da nossa cultura, e que não se acabem as bandas do interior.

Aproveito para, com muito carinho, agradecer a um por um dos meus colegas de estante da 15 de Novembro e de outras bandas que aqui estiveram dando-nos o prazer de um convívio sadio e de amizade e, com muito carinho, ao Grupo Amigas da Banda, aos prefeitos e secretários que, ao longo desses anos, nos deram apoio, e a todos que direta ou indiretamente colaboraram para a realização deste centenário.

Parabéns à atual diretoria pela inauguração e atualização da GALERIA DOS MÚSICOS IMORTAIS, DIRIGENTES, MAESTROS, MÚSICOS QUE POR AQUI PASSARAM E MÚSICOS ATUAIS. Parabéns, saudosos músicos, maestros e dirigentes que por aqui passaram! Parabéns músicos, maestros, dirigentes e agregados que aqui se encontram! Parabéns Sociedade Musical 15 de Novembro pelos 100 anos!!

Cantagalo, RJ, novembro de 2014.


*César Mansur é músico e diretor da Sociedade Musical 15 de Novembro.

“Meu caminho é de pedra”

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No segundo semestre do ano em que se comemora o bicentenário de emancipação político-administrativa de Cantagalo, as máquinas de pavimentação voltaram ao Centro da cidade e, com o seu quente bafejar, despejaram, sobre os poucos paralelepípedos que ainda restam, mais metros cúbicos do material que se tornou um dos principais símbolos do “progresso”: o asfalto. O futuro chegou, caros munícipes, já o temos à nossa porta!

Como sofro de mania de história, vou puxar o fio do tempo para contextualizar a recente febre de asfalto em terras cantagalenses. Mas, antes, um parêntese. Engana-se quem imagina que o estudo da história permita apenas que se lance o olhar em direção ao passado, tendo o historiador que grudar as retinas, irremediavelmente, nos vestígios daquilo que, em sua plenitude, já se foi, ficando a revirar as sobras dos tempos idos. O profissional da área, ou mesmo um historiador domingueiro (diletante), como eu, não é um balconista de antiquário. A história ensina, sobretudo, a pensar em perspectiva, indo além do que é observado de imediato, projetando as ações humanas no tempo. Ao avaliar como o passado chegou até o presente, o conhecimento histórico propicia uma necessária reflexão sobre os rumos que as coisas tomaram, oportunizando, também, o imprescindível (e muitas vezes negligenciado) trabalho de arquitetar o futuro.

Pois bem, posto isso, vamos ao nosso intento.

Promovendo um recuo à penúltima década do século XVIII, vemos um pequeno arraial começando a expandir-se ao redor de uma edificação central: a Igreja do Santíssimo Sacramento. A paróquia, instituição primal, passa a estabelecer parâmetros societários para os colonos que para cá acorreram. Ao redor do templo católico, poucas ruas de terra batida compõem o cenário de uma incipiente malha urbana.

Um pouco mais de meio século se passou e, na década de 1860, o barão suíço João Tiago Tschudi, em visita a então “cidade” de Cantagalo (já que, em 2 de outubro de 1857, a sede da antiga vila é alçada a essa condição), assinala que a urbis contava, na época, com 1,5 mil habitantes e 120 casas. Um pequeno núcleo urbano cercado por “uma paisagem muito bem cultivada, com numerosos cafezais”.

Na década seguinte, o auge da produção cafeeira entroniza Cantagalo como um dos maiores centros produtores da rubiácea do Brasil, a malha urbana se expande e, como nos informa o grande pesquisador Clélio Erthal, as duas principais vias da cidade recebem calçamento: a Rua Sant’Ana (hoje Avenida Barão de Cantagalo) e a Rua Direita (atual Chapot Prévost). Essas benfeitorias ocorreram por ocasião da gestão do 2º Barão de Cantagalo, Augusto de Souza Brandão, à frente da Câmara Municipal, instituição essa que, então, assumia, também, funções executivas.

Naqueles tempos, era frequente a utilização de pedras irregulares denominadas “pés de moleque” na pavimentação das ruas, porém, pouco a pouco, estas foram sendo substituídas por outro tipo de revestimento lítico. É interessante observar que o calçamento tipo “pé de moleque” foi mantido em vários logradouros de cidades que, hoje, são reconhecidas como tendo grande valor histórico e patrimonial, tais como Paraty e Ouro Preto. Porém, em Cantagalo, os caminhos de pedras irregulares, há décadas, cederam lugar aos paralelepípedos, que, por terem maior regularidade em suas formas, proporcionaram mais comodidade no tráfego e maior eficiência no escoamento das águas pluviais.

Mas, nas últimas décadas do século XX, a princípio de forma tímida e vacilante, um outro tipo de pavimentação foi avançando sobre os tradicionais paralelepípedos, tendo, nos últimos anos, alçado ímpeto e fôlego, tornando-se uma febre – a febre do asfalto. O revestimento asfáltico, ao sepultar as ruas de pedras, não somente apagou uma das características históricas mais marcantes da cidade, como tem protagonizado inúmeros problemas... alguns estão sendo vivenciados de imediato pela população, outros aguardam um futuro próximo, quando mostrarão sua face nefasta.

A cobertura asfáltica, por ser mais cômoda para a rodagem dos automóveis e motocicletas, faz com que a velocidade dos veículos aumente consideravelmente, necessitando de mais quebra-molas para contê-la. Tal comodidade cobra, também, alto preço em termos de aquecimento dos ambientes, pois as superfícies revestidas com asfalto absorvem 98% da radiação solar que recebem, intensificando um fenômeno, antes típico das grandes cidades, que, agora, estamos a desfrutar nas ruas do Centro: a “ilha de calor”.

A cada problema na rede pluvial (que, diga-se de passagem, não foi redimensionada para receber tal tipo de pavimentação), na rede de esgoto (que em determinadas ruas é centenária), ou mesmo no sistema de abastecimento de água, remendos são produzidos no asfalto. Com a sucessão desses necessários procedimentos de manutenção, seremos brindados, para o desfrute dos munícipes e visitantes, com um piso repleto de recortes, que mais parecerá uma colcha de retalhos.

É necessário ressaltar também que a elevação das ruas, em função da deposição da camada asfáltica, gera rebaixos, já que as tampas metálicas e os bueiros não são soerguidos em tempo hábil, e transformam-se em perigosas armadilhas aos pedestres, ciclistas e motociclistas desavisados. Sem contar que a elevação do piso, acrescida à impermeabilidade característica do material originário do petróleo, faz com que o risco de enchentes torne-se maior, exatamente numa época em que os fenômenos climáticos estão se intensificando, tornando as chuvas mais devastadoras.

Caros leitores, o arrazoado dos últimos parágrafos contempla apenas as consequências mais imediatas dessa, digamos, opção infeliz. Pois quando o presente chegar até o futuro próximo, o que assistiremos é o inexorável envelhecimento do asfalto e, em sua senilidade, legaremos às próximas gerações ruas com piso desgastado, corroído e remendado, necessitando, portanto, tragicamente, de mais asfalto na porta, para o recapeamento. 

Quem viver, verá!


*João Bôsco de Paula Bon Cardoso é professor de sociologia e geografia, coordenador de Patrimônio Cultural do Projeto Fazenda São Clemente e um dos coordenadores do Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo.

A Firjan e o desenvolvimento do interior

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Já faz um bom tempo que a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), motivada pela sua preocupação em desenvolver o nosso interior, vem trabalhando no incentivo ao setor rural, focando a produção de frutas para sua posterior industrialização.

Em proveitosas e bem sucedidas ações em dois projetos nas regiões Norte e Noroeste, a Firjan, com recursos obtidos junto ao Ministério de Integração Regional, e com a participação e da Secretaria de Estado de Agricultura, desenvolveu o plantio de abacaxi no município de Campos e de pêssego em Porciúncula, que se constituíram em sucesso de renda e emprego, até porque, como se sabe, essas atividades, por suas características, são grandes empregadoras de mão de obra de menor exigência quanto à qualificação do pessoal empregado. 

Infelizmente, a nossa região, que poderia se incluir nesse processo, continua dormindo em “berço esplêndido”, esperando que caia do céu, por descuido, algum milagre que faça a economia deslanchar. Doce e ledo engano.

Nossas lideranças políticas parecem viver em outro mundo, onde as festas, que nos custam caro, são os embalos maravilhosos que os encantam.

A região onde os nossos municípios se localizam precisam despertar do marasmo e da acomodação, chamando os prefeitos para que exerçam a força dos cargos e se juntem a instituições como a Firjan na busca de soluções que nos tirem da situação de pobreza crônica que já faz tempo domina nosso triste cenário. Ao setor rural pode caber um papel importante, se for incentivado ao plantio de madeira, que iria ocupar uma enorme área totalmente inaproveitada com o cultivo de eucalipto e seringueiras, que povoem nossos milhares de hectares de terras sem nenhuma utilização prática. Acredito que a madeira aqui produzida poderia ser a base de instalações de indústrias transformadores, como as ligadas ao beneficiamento e industrialização de madeira. Os fortes exemplos do interior de Minas Gerais e Espírito Santo poderiam ser seguidos por nós.

Precisamos acordar os homens que se elegem e esquecem que prometeram criar empregos. 

Muitos preferem festas, mas a maioria quer desenvolvimento gerador de riquezas. 


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Sebrae-RJ e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Alerj.

Homenagem aos músicos da Sociedade Musical 15 de Novembro - Banda de Cantagalo

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Sempre muito eficiente,

 vai lutando Nacibinho

ele está sempre contente

ao lado do seu Marquinho.


Loir, gradne zelador,

bate o bumbo, com vontade,

põe na arte todo amor,

num sonho de liberdade...

Marquinho, o procurador, 

trabalha com o coração

em tudo um pouco de amor,

pra que haja perfeição.


Ruanito, Celso, Raquel

sax alto os faz unidos,

Paulinho e Rafael

estão entre os preferidos


Não há inocente. Oito milhões já pagaram propinas

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01 – Diz o nosso correspondente que o “sabe de nada, inocente”, no Brazilquistão, só tem sentido quando se quer debochar de alguém. O povo majoritariamente sabe muito bem o que é certo e o que é errado, ou seja, tem noção muito boa sobre o que é ético e moralmente adequado, embora viva mergulhado na corrupção e na malandragem. Pesquisa do Datafolha de 2009 revelou que 94% acham errado oferecer propina e vender o voto. Na teoria, dizem os nativos, somos muito parecidos com a Escandinávia (chamamos isso aqui na nossa Ilha de Brazildinávia). Na prática, somos outro tipo de gente: somos mesmo do Brazilquistão. A pesquisa mostrou que 13% dos ouvidos (maiores de 16 anos) já trocaram voto por emprego, por dinheiro ou por presente (dentadura, saco de cimento, uma licitação, fornecimento de materiais a uma grande empresa, etc.). Num universo de 150 milhões de pessoas (maiores de 16 anos), 13% significam quase 20 milhões! Outros 12% afirmaram estarem sempre dispostos a aceitar dinheiro para mudar o voto; 79% acreditam que os eleitores vendem seus votos; 33% dos entrevistados concordam que não se faz política sem um pouco de corrupção; 92% acreditam que há corrupção no Congresso e nos partidos políticos; para 88%, na Presidência da República e nos ministérios.

02 – Dos entrevistados, 13% já ouviram pedido de propina (isso significa quase 20 milhões de pessoas) e 36% destes (quase oito milhões de pessoas) já pagaram; 5% (7,5 milhões de pessoas) já ofereceram propina a funcionário público; 4% (seis milhões) pagaram para serem atendidos antes em serviço público de saúde; 2% (três milhões) compraram carteira de motorista; 1% (1,5 milhão de pessoas) compraram diploma falso. Mais: 83% (125 milhões de pessoas) admitiram ao menos uma prática ilegítima ao responder a pesquisa (7% reconheceram a prática de 11 ou mais ações ilegítimas, admissão considerada “pesada”; 28% dizem ter praticado de cinco a dez ações; 49% tiveram uma conduta “leve”, com até quatro irregularidades). A pesquisa ainda mostra que 31% dos entrevistados (quase 50 milhões de pessoas) colaram em provas ou concursos (49% entre os jovens); 27% receberam troco a mais e não devolveram; 26% admitiram passar o sinal vermelho; 14% assumiram parar carro em fila dupla. Dos entrevistados, 68% compraram produtos piratas (mais de 105 milhões de pessoas); 30% compraram contrabando; 27% baixaram música da internet sem pagar; 18% compraram de cambistas; 15% baixaram filme da internet sem pagar.

São os mais ricos e mais estudados os que têm as maiores taxas de infrações (97% dos que ganham mais de dez mínimos assumem ter cometido infrações e 93% daqueles que têm ensino superior também), sendo que 17% dos mais ricos assumem frequência pesada de irregularidades (11 ou mais atos). Entre os mais pobres, 76% assumem infrações; dos que têm só o ensino fundamental, 74% afirmam o mesmo. Apesar disso, 74% dizem que sempre respeitam as leis, mesmo se perderem oportunidades. E 56% afirmam que a maioria tentaria tirar proveito de si, caso tivesse chance.


*Luiz Flávio Gomes é jurista e professor.

Incêndios em Cantagalo

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Muito interessante a matéria publicada sobre tais incêndios no último número do JORNAL DA REGIÃO. O incêndio a que se refere é o que vem ocorrendo durante duas semanas consecutivas, na periferia da sede do município, cuja interrupção foi providenciada pelo Criador, na tarde de ontem, com uma chuva, ante a incompetência e a indiferença dos homens.

Nos últimos 20 anos, venho publicando, com regularidade, nessa época do ano, artigos no JR sobre o assunto sem que houvesse alguma repercussão de parte das autoridades  municipais em exercício. Dado que é quase impossível a extinção de incêndios em morros de difícil acesso – já que os bombeiros não dispõem de equipamentos adequados suficientes – os incêndios geralmente só terminam com a presença de alguma chuva ou quando exauridos, por nada mais haver inflamável ao redor.

Cantagalo é situada em um vale, onde a fumaça permanece estagnada por vários dias. A inalação de partículas de fumaça encerra efeitos deletérios sobre a  saúde, sobretudo de idosos e crianças, levando a crises de asma e bronquite e mesmo a pneumonia. Sofrem as populações de idosos e crianças, sofre a ecologia – a fauna e a flora e a camada protetora de ozônio. Há grandes riscos para casas residenciais e comerciais; pastos e matas são impiedosamente destruídos, como é o caso da mata criada e cuidada no horto pelo ambientalista Jorge.  

Nesse ultimo incêndio, várias casas residenciais foram ameaçadas no bairro Cantelmo e até mesmo o respeitável palacete. O acesso à prevenção é muito maior quando há interesse das autoridades municipais. Pelo menos aqui, em nossa região, pode-se afirmar que a grande maioria dos incêndios – 90% – ocorridos em Cantagalo é criminosa; os incêndios pirofóricos (espontâneos) praticamente inexistem aqui. A prevenção é composta de repressão, com pesadas multas aos detratores, que podem ser identificados através de disque denúncias anônimas premiadas, bem como por intensivo programa educativo nas escolas, para crianças e adultos. O povo deseja muito e merece saber como estão agindo a respeito; se estão sendo promulgadas algumas  leis municipais a respeito, por nosso digno prefeito e dignos vereadores. Se esses se mantiverem calados e indiferentes, poderão nos dar a impressão de neutralidade, como aqueles que apreciam o circo pegar fogo, de braços cruzados. Creio que prefeito e vereadores jamais trairão a confiança que neles depositamos ao elegê-los. É necessário que os administradores públicos e a população se unam em torno de uma bandeira única, na luta contra o incêndio criminoso.


*Erly Bon Cosendey

é professor aposentado de pediatria da UFRJ – e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Esqueceram-se da bandeira?

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Mais uma vez, nas eleições brasileiras, os candidatos atuaram como políticos amadores. Chegaram ao dia das eleições sem que tivessem elaborado qualquer programa de governo. Além de injustificável, isso é muito lamentável, pois soa como se alguém que fosse votar ignorasse onde estaria a urna. E nem seria necessário grande trabalho para identificar uma excelente inspiração para um grande programa de governo, inscrita na bandeira do Brasil: ORDEM E PROGRESSO! Dentro do ditame da ordem haveria tolerância zero para a corrupção de qualquer natureza, para os funcionários públicos, até do mais alto escalão. Será que existem quaisquer resquícios de ordem em um país onde alguns de seus ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) desengavetam processos já julgados, com ações condenatórias, anulam a decisão de outros ministros, seus pares, efetuam novo julgamento e, mediante barganha escusa e fraudulenta, libertam os ladravazes do dinheiro do governo – que é também do povo – sem qualquer tipo de condenação? 

Enquanto isso, seus pares, os ministros restantes – homens e mulheres dignos e respeitáveis e de caráter ilibado – permanecem indiferentes, para o desespero do povo. Será que, em assim agindo, não estarão prestando um desserviço à Pátria, expondo a imagem do majestoso e respeitável STJ a ser denegrida?

Desconheço a existência, na Constituição, da existência de algum parágrafo especial concedendo direitos específicos de lapidar o povo, a nação. A quem recorrermos, depois disso? É isso que nos tem mostrado a mídia, com repetida frequência. Existem casos em que fatos como esses ocorrem diariamente com muitos juízes (felizmente não a maioria), ministros do governo, deputados, senadores, vereadores, prefeitos e governadores. Todos eles agraciados e protegidos pela infalível e nociva impunidade.

Haverá, por acaso, ordem, em um país onde ocorrem fatos calamitosos dessa natureza?

Faz algumas décadas, quando em sua vinda ao Brasil, o finado presidente De Gaule, da França, afirmou textualmente: “este, positivamente, não é um país de gente séria!.”

Para nós, brasileiros honestos, é duro ter que engolir uma dose de verdade como essa, dita por um estrangeiro tão digno e respeitável, como De Gaule. Curiosamente, não obstante, é de pasmar a quase nula atenção dada pelos candidatos postulantes a presidente mais votados nas últimas eleições. Aquele que não considera o problema da corrupção, o mais grave para o país, no momento, é porque está se dando ou espera se dar bem com ele. É necessário que todos os homens de bem e honestos, juntos, procurem resgatar a credibilidade em todos os homens públicos e denunciem, na mídia, sempre, os casos conhecidos, cobrando punição. Necessário, também, é reconhecer que os corruptos estão desafiando a Deus e que seu cantinho no doloroso inferno está sendo reservado. As áreas de progresso mais carentes neste momento são educação, saúde e trabalho em geral. Amemos ao Brasil e confiemos em Deus e em nossa pátria.


Erly Bon Cosendey é professor aposentado de pediatria da UFRJ. – e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Eleições 2014

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Já lá se vão 12 anos que os brasileiros iludidos por Lula e seus partidários levaram o PT ao governo, acreditando nas promessas de mudanças, honestidade e outras balelas que o tempo desmascarou. O PT, por suas lideranças, demonstrou que, no fundo das promessas, o que existia mesmo era a fome do poder e, com ela, o enriquecimento da patota.

Os escândalos praticados nesses 12 anos de “maracutaias” está explodindo nas mãos de um incompetente presidenta, que, extasiada por haver chegado a uma altura inesperada, teve mais que uma vertigem das alturas; chegou a ser vítima de alucinações. Sua presença em entrevistas e debates demonstra seu despreparo, assim como mostram sua inexperiência e incompetência.

Seu governo ou “desgoverno” chegam ao fim com resultados negativos, como a volta da inflação, juros altos, falências e perspectivas de um 2015 cheio de problemas que irão custar caro aos brasileiros. As contas a serem quitadas no próximo ano com os aumentos de preços contidos pelo atual governo para ganhar as eleições terão que ser pagos através de reajustes a serem implementados por qualquer dos candidatos que for eleito.

As figuras que estão nos noticiários por assalto aos cofres da Petrobras, todas ligadas aos grupos dominantes, estão jogando tudo pela vitória de Dilma, na esperança de serem preservados com as fortunas desviadas e, agora, confirmadas.

Difícil acreditar que as pessoas que querem mudanças e pensam em um Brasil diferente votem pela continuidade da presença dos petistas no governo.


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), conselheiro do Sebrae-RJ e membro do Conselho de Agronegócio da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

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