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O saudoso Ginásio Euclides da Cunha

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O antigo Colégio Brasil, de Cordeiro, foi semente frondosa de vários colégios na Região Serrana. Com sua transferência para Niterói, em 1914, alguns dos professores se dispersaram, preferindo fundar, na área geográfica, seus próprios educandários. Entre eles, podem ser citados: João Bittencourt, que criou o Colégio Bittencourt em São Fidélis (levando-o depois para Itaperuna e Campos); Carlos Cortes, que fundou o Colégio Modelo em Nova Friburgo; Sílvio Freire, que criou o Colégio de Miracema; e Manoel Vieira Baptista, misto de bedel e professor do estabelecimento cordeirense, que fundou o Colégio Moderno na fazenda Poço d’Anta, do Cel. Eugênio Erthal, em Barra Alegre (Bom Jardim).

Este último, depois de prestar bons serviços pedagógicos à família do proprietário da fazenda e verificar que Barra Alegre era um reduto rural demais para nele desenvolver o seu projeto, resolveu transferi-lo para São José do Ribeirão, sua terra, mudando o nome do estabelecimento para Colégio Euclides da Cunha, escritor regional que se tornou famoso nessa época. Ali, o educandário cresceu e até chegou a contratar professores de grande porte, como Alberto Lontra, Rodolpho Pizzarro Portocarrero e Mário Bittencourt, atraindo alunos em grande cópia das cidades vizinhas, cujos pais, satisfeitos com o aproveitamento escolar deles, acabaram levando-o para Cantagalo em 1927.

Chegando ao novo domicílio, o colégio funcionou provisoriamente no palacete do Gavião até construir sua sede própria na Rua Rodolpho Albino (hoje Nilo Peçanha) em local atualmente ocupado pela Sociedade Espírita Jesus Escola, onde permaneceu até 1941. Nesse período, passou por várias mãos. Em 1935, foi desapropriado pela Prefeitura (Decreto nº 110) com o nome de Ginásio Municipal Euclides da Cunha, quando foi oficializado, voltando à iniciativa privada em 1938, sob a tutela da firma Bittencourt Irmãos, dirigido pelo Dr. Jayme da Siqueira Bittencourt.

Nos primeiros tempos de Cantagalo, quando o colégio ainda não tinha habilitação legal para expedir certificados, o professor Baptista (que na época só contava com a ajuda da própria esposa, Corina Penna e do professor Benedito Barros) levava, anualmente, os alunos mais graduados aos colégios Pedro II, Brasil ou Paduano para, neles, prestarem seus exames.

Transformado o colégio em ginásio no curto período em que esteve sob o controle da Prefeitura, os exames começaram a ser feitos no próprio estabelecimento, adotando o Dr. Jayme uma estrutura mais dinâmica e compatível com os padrões pedagógicos da época. Para tanto, cercou-se de professores jovens e entusiastas, como Jabes Leão, Paulo Campos, Manoel Ramos e duas irmãs dele próprio, diretor. Isso, sem falar nos melhoramentos materiais introduzidos no estabelecimento, como o grande barracão de entrada, duas praças esportivas e um excelente gabinete de história natural.

Mas, sobrevindo grave desentendimento com o inspetor federal Paulo Roberto de Baere, em 1941, o Dr. Jayme afastou-se, com a transferência do colégio para a praça central da cidade (velho sobrado onde residiu o Cel. Bibi de Mello) e a consequente passagem dele por vários diretores: Dr. Alcides Ventura, Padre Hugo Montedôneo Rego, Monsenhor Acchiles de Mello e, por fim, Dr. Messias Moraes Teixeira, talvez o mais atuante mentor do tradicional estabelecimento.

Além de contar com o decisivo apoio do dedicado secretário Joaquim Soares, o Dr. Messias (que também dirigia o Colégio Modelo, de Nova Friburgo), compôs o quadro docente com professores extraídos da própria sociedade cantagalense, a saber: ele próprio, lecionando inglês; Manoel Vieira Baptista, ensinando latim e francês; Dr. Alcides Ventura, história do Brasil; Sílvio Lutherbach, matemática e ciências naturais; Marino de Paula Pinto e, depois, Amélia Thomaz, português; Lourdes Dietrich Gonçalves, geografia e canto orfeônico, e o Dr. Niltho Leite com história geral.

O colégio, embora não tão numeroso como noutros tempos, porque passou a sofrer concorrência de outros ginásios que surgiram na área, continuou emblemático, inclusive deixando muita saudade entre os alunos que o frequentaram.


*Clélio Erthal é ex-desembargador, ex-juiz federal e pesquisador da história de Cantagalo e região. Mais em www.cantagalo.rj.gov.br/index.php/filhos-ilustres/136-clelio-erthal.

Tiraram a azeitona da empada

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Reginaldo Gonçalves* 

O baixo crescimento demonstra a fragilidade em que se encontra a economia e expõe as dificuldades enfrentadas pela indústria. O superávit da balança comercial cada vez menor, com possibilidade de entrar no vermelho, prejudica o serviço da dívida externa e os juros muito altos, além de ser remédio já ineficaz contra a inflação, onera o pagamento da dívida interna. O Banco Central fica entre a cruz e a caldeira, numa inglória tentativa de conciliar juros, combate à inflação, crescimento do PIB, câmbio, a geração de superávit primário e a adimplência da União.

Essa situação repete-se durante todo o ano e, infelizmente, algumas ações são urgentes, porém improváveis diante da proximidade das eleições. Os preços administrados, como energia, combustíveis e transportes, já estão no limite, mas o governo insiste em mantê-los represados. Se houver aumento do consumo, certamente a pressão sobre os preços prejudicará o sistema de controle, confirmando o que muitos indicadores já apontam: o estouro da meta inflacionária, fixada em 6,5%.

O excesso de gastos públicos é uma evidência, além do uso político de empresas como a Petrobras. A estatal, que agora se vê envolvida em mais um triste episódio, vem reduzindo, de maneira significativa, o pagamento dos dividendos aos acionistas em virtude de manobras internas estabelecidas pelo Conselho de Administração.

O País está assistindo a sucessivos escândalos que envolvem a área econômica e dilapidação do patrimônio público. Somente o caso da refinaria de Pasadena está gerando prejuízo em torno de US$ 792 milhões. Diante das novas denúncias dos últimos dias, estamos mais uma vez sob a mira de olhos inquisidores. É o que teremos, mais uma vez, de enfrentar: a desconfiança internacional.

Em 2013, ingressaram no Brasil US$ 64 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED), colocando o país na quinta posição do ranking divulgado em junho pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), com base nos dados da United Nations Conference on Trade and Development (Unctad). Parece um valor bastante considerável. E é. Preocupante não é o montante em si, mas o movimento de queda de interesse do investidor estrangeiro em relação ao País.

O Brasil perdeu a quarta posição de 2012, viu o valor dos recursos caírem pela primeira vez desde 2009 e foi ultrapassado a toda velocidade pela Rússia, que figurava no oitavo lugar da edição anterior do ranking. O País perdeu sua importância no cenário internacional? Seguramente, não. Tanto que, segundo aponta a própria Unctad, é o quinto principal destino nas intenções de investimentos nos próximos dois anos para 164 companhias globais. Porém, a pouca transparência e as manobras contábeis para manter indicadores positivos, sem falar na ausência de reformas e incentivos à produtividade e inovação, tiram o fôlego de qualquer disputa por recursos.

Em tempos de cenário econômico mundial instável, o dinheiro busca segurança. Agora, como vamos recuperar a azeitona da empada?


*Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de graduação em ciências contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM).

Jornais do interior cada vez mais fortes

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*Miguel Ângelo Gobbi

Uma revolução anunciada. Há alguns anos, desde que a internet, o celular, o tablet, o mobile e tantos novos recursos levaram o leitor, o ouvinte e o telespectador a buscar as informações e notícias por intermédio de novos meios, os grandes jornais – de influência nacional e estadual – vêm sofrendo uma rápida e vertiginosa queda de suas tiragens e circulação.

Como consequência, as empresas que editam esses jornais estão reduzindo e fundindo suas empresas e produtos, desligando jornalistas e profissionais de comunicação, mudando o perfil de seus negócios, provocando uma agitação sem precedentes no setor de mídia impressa e também no mercado de comunicação.

Neste momento, é imprescindível que os jornais do interior associados à Associação Nacional dos Jornais do Interior do Brasil (Adjori/Brasil) e à Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC) venham até você, leitor, para afirmar que:

Os jornais do interior estão cada vez mais fortes. Crescem todos os anos – como crescerão em 2014 – em vários aspectos: produção de conteúdos, veiculação de publicidade e propaganda, número de páginas, cadernos especiais e outros indicadores.


Crescimento

Esse crescimento é consequência de um fato irrefutável: em suas cidades e regiões, os jornais associados da Adjori são os “donos da notícia”, porque cobrem os fatos e eventos políticos, econômicos e sociais locais, de interesse direto da população. Nós conhecemos nossos leitores e eles nos conhecem, acreditam no que fazemos. Somos os porta-vozes dessa mesma população, o elo entre a comunidade, o poder público, as empresas e as entidades organizadas da sociedade (confederações, federações, associações, sindicatos).


Qualificação

Os jornais do interior associados à Adjori vêm, há vários anos, se preparando, por meio de congressos, workshops, cursos, treinamento, aprimoramento, implantação de sistemas integrados, para este novo momento da mídia. Por isso, boa parte deles já tem edições eletrônicas – via portais, com edições diárias – e atuam fortemente nas mídias sociais. Ou seja: ao mesmo tempo em que a edição impressa continua a crescer, os jornais do interior passam, também, a oferecer conteúdos diários via internet e por outros meios digitais/eletrônicos. Importante ressaltar que é política dos jornais associados à Adjori manter e aprimorar cada vez mais a base de qualidade editorial no impresso, para que, então, este conteúdo seja utilizado por outras mídias na área virtual.


Reconhecimento

O crescimento incontestável da mídia impressa do interior tem feito com que os governos e mercado nacional e estadual de comunicação busquem uma aproximação cada vez maior com os jornais do interior. Afinal de contas, governos e mercado precisam “falar diretamente” com o público e sabem que o jornal do interior é o melhor veículo para fazer isso.

No entanto, mais do que tudo, este é o momento de agradecer a você, leitor, razão de ser dos jornais do interior.

É você, leitor, que faz com que busquemos melhorar cada vez mais nossos produtos e conteúdos. E ampliar cada vez mais nossa missão de lutar pelas reivindicações de nossas comunidades, nas ruas, bairros, cidades e regiões, onde registramos a história e preservamos a tradição e a cultura local.

Este é o nosso compromisso com você, leitor do jornal do interior: crescer, aprimorar e inovar cada vez mais, para apoiar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida das nossas comunidades.


*Miguel Ângelo Gobbi é presidente da Associação dos Diretores de Jornais do Interior do Brasil (Adjori/BRl) e da Associação dos Diretores de Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC).

Homenagens aos músicos da Sociedade Musical 15 de Novembro

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Elizeu, Dedei, Ferreirinha

fazem o trombone soar,

e seguindo a mesma linha

vem o Joel completar.


Dinho, com seu instrumento,

desperta toda cidade,

toca até com o pensamento

e comove a mocidade...

O Fumo com seu piston,

O Arthur cheio de ardor,

entoando um belo som

nas canções cheia de amor.


Geraldo nunca diz não,

prá banda desta cidade,

voa alto o coração,

nas asas da mocidade.


| Cantagalo, 1992

A derrocada do barão

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Dentre os integrantes ilustres da sociedade cantagalense no século XIX, incluía-se Augusto de Souza Brandão, o Barão de Cantagalo. Além de integrar estirpe nobre (a mesma dos barões de Porto Novo e Aparecida), ele era forte comerciante na praça e atuante político, tornando-se, inclusive, chefe do Partido Liberal e presidente da Câmara local mais de uma vez. Nessa última posição, cuidou, entre outros melhoramentos, de calçar a principal rua da cidade, que ainda guarda seu nome, e de arborizar a bela praça que hoje se chama João XXIII.

Homem progressista e dinâmico, o barão pretendeu transformar sua fazenda Santana (800 alqueires de terras, que davam um total de duas sesmarias) em propriedade modelo, grande centro cafeeiro. Para tanto, contraiu um empréstimo de 250 contos de réis junto a algumas instituições de crédito, notadamente Miranda Velloso & Cia. e Paulino Tinoco, que operavam no setor de comissariado do café no Rio de Janeiro. A título de garantia, ofereceu a hipoteca da fazenda.

Sobrevindo a extinção do regime servil em 1888 e a consequente perda dos numerosos escravos que possuía, ele não teve como colher o café que plantou e nem pagar a dívida que contraiu. Em consequência, rompeu com o Império, apontando-o como causador do revés que sofreu, e aderiu, com força, à campanha republicana, inscrevendo-se, como grande força política, no clube de São Sebastião do Paraíba. 

Falecendo pouco depois do evento, deixou para os dois filhos, então integrantes da firma Augusto Brandão Filho & Irmão, a solução do problema.

Augusto Brandão Filho, que era médico conceituado, dirigiu, em nome da firma, uma carta a José Heggendorn Monnerat, dono da fazenda São João e outras em Duas Barras, em 25 de setembro de 1900, solicitando um empréstimo no referido valor para saldar as dívidas. Como garantia, oferecia a hipoteca da Fazenda Santana, cujos vínculos anteriores deveriam ser desfeitos com o pagamento dos débitos.

José Monnerat, que era empresário astuto, procurou, antes, sondar os riscos do negócio: escreveu aos credores do falecido barão, informando-se das dívidas, e percorreu a fazenda para verificar a solidez da garantia oferecida. Por fim, verificando que melhor negócio seria deixar que se consumasse a execução. Escreveu ao Dr. Augusto Brandão, em 29 de setembro seguinte, comunicando-lhe que não poderia aceitar a proposta, e assim foi feito: no dia aprazado, compareceu ao leilão e arrematou a Fazenda de Santana por preço muito inferior ao montante que lhe fora solicitado a título de empréstimo. Tanto que acabou pagando a propriedade com o produto da colheita nela mesmo procedida naquele ano!

Em razão disso, ao mesmo tempo que a família do antigo barão emigrava de Cantagalo, levando o menino igualmente chamado Augusto e que, mais tarde, seria uma das glórias (vindo, inclusive, a merecer o título de “príncipe dos cirurgiões brasileiros”), a Fazenda Santana passou a ser administrada por Sebastião Monnerat Lutherbach, genro do arrematante, que acabou deixando nome na história do município.

Além de presidente da Câmara nos anos de 1920/1921, Sebastião Lutherbach destacou-se como administrador da fazenda (que enfeitou com novas construções, nela introduzindo gado guzerá de qualidade) e como inovador agroindustrial, participando, diretamente, da Exposição de Cordeiro de 1920 e da criação do Partido Rural, de grande aceitação na época.

Os filhos Tito, Augusto e Homero, embora apolíticos, ainda deram sequência às tradições agrícolas da família. Mas Santana, outrora vasta e produtiva fazenda, acabou, com o tempo, retalhada entre os herdeiros e sucessores, não passando, hoje, de mais um centro habitacional do município.




*Clélio Erthal é ex-funcionário da Justiça, tendo ocupado cargos de vulto, como desembargador e juiz, além de pesquisador da história de Cantagalo.

Sete passos para você elevar a resiliência

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Bibianna Teodori*

Saber atuar sob pressão, responder rapidamente em momentos de crise, demonstrar criatividade e encontrar soluções, mesmo com poucos recursos, não são tarefas fáceis. Mas, hoje, mais do que nunca, é justamente este perfil de profissional que o mercado de trabalho valoriza.

Para quem não sabe, as citadas acima são algumas características da resiliência, um conceito que vem da física e que está tão em alta. Originalmente, a resiliência se refere à capacidade que alguns materiais têm de acumular energia quando submetidos à pressão e, depois de absorver o impacto, voltar ao estado original sem deformação, como se fosse um elástico.

No comportamento humano, a resiliência é a habilidade de se adaptar e superar adversidades, situações estressantes. Isso de forma saudável, construtora, sem ser afetado por elas de modo negativo, permanente. Em outras palavras, uma pessoa resiliente é aquela que:

- Tem energia e disposição para enfrentar dificuldades em vez de se deixar abater;

- É capaz de atuar com competência, mesmo sob forte pressão;

- Antecipa crises, prevê obstáculos e se prepara para lidar com eles;

- Tem atitudes positivas, realistas e firmeza de objetivos;

- Recupera-se mais rapidamente após sofrer revezes e não muda sua essência depois de passar por experiências difíceis.

Desenvolver a resiliência é fundamental para enfrentar os desafios pessoais e profissionais. E também para ser bem sucedido profissionalmente, uma vez que a pressão por resultados, as mudanças e as crises são constantes.

No mundo atual, quanto mais resiliente for o profissional, maior será sua vantagem competitiva. E maior será sua capacidade de lidar com tudo isso e ainda manter ou aumentar seu bem-estar, além de encontrar mais satisfação.

Confira sete passos para você elevar a resiliência:

1) Mantenha o foco no futuro. Olhe para frente e não se prenda ao passado;

2) Mantenha-se motivado. Lute por seus sonhos e objetivos. Quem trabalha por seus ideais não tem tempo para chorar mágoas;

3) Invista em seus relacionamentos. Eles são uma grande fonte de apoio e de encorajamento;

4) Mude o hábito de colocar defeito nas coisas e de ver apenas o que as pessoas têm de pior. Combata o costume de ter uma opinião formada sobre tudo;

5) Redescubra as coisas que lhe dão prazer. Fique atento às suas necessidades. Cuide de sua mente, de seu corpo e de sua saúde;

6) Fique atento às necessidades dos outros. Contribuição e compaixão aumentam a resiliência;

7) Resiliência não é rejeitar ou ignorar as emoções negativas, mas apenas não permitir que elas controlem você. Fique atento!


*Bibianna Teodori é executive e master coach, fundadora da Positive Transformation Coaching e coautora do livro ‘Coaching na Prática - Como o Coaching pode contribuir em todas as áreas da sua vida’ – www.bibiannateodori.com.br.

O fim melancólico do governo Dilma

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Felizmente, está próximo o fim da desastrada gestão de Dilma Rousseff à frente dos destinos do nosso infeliz país. Sua herança vai ser terrível para a próxima administração, que irá encontrar dificuldades de toda a ordem para dar um novo rumo ao Brasil, que se viu engolfado em um mar de corrupção e roubalheiras sem fim, tendo em vista que a fraqueza e incompetência da “revolucionária” da década de 1960 do século passado, no movimento que justificou a entrada dos militares no poder, virou o país de “ponta a cabeça”, com uma política econômica condenada por todos, que nos trouxe a volta da inflação, juros altos e, pior do que isso, a desconfiança dos investidores nacionais e estrangeiros, que já se afastaram de qualquer possibilidade de aplicarem seus recursos no nosso crescimento.

Considerada por seu chefe e orientador Lula como uma grande “gerente”, com pouco tempo no governo desandou a tomar decisões e atitudes inconsequentes, sempre apoiadas por um Congresso de aproveitadores e negocistas, com 40 ministérios no geral entregues a politiqueiros venais. Com as raras exceções de sempre, levou a que todos aqueles que pudessem colocar recursos para alavancar o crescimento econômico se encolhessem por não confiar no governo. O escândalo da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e a construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, abalou a nossa grande Petrobras, cujas ações despencaram nas bolsas de valores, causando prejuízos sem conta para os investidores. Por incrível que possa parecer, as ações da Petrobras passaram a oscilar com os resultados das pesquisas eleitorais. Se Dilma desce, as ações sobem de preço. Isso confirma que os que investem seus recursos em qualquer setor da economia entenderam que o nome de Dilma é sinônimo de azar na área financeira.

Queira Deus que os números apurados pelos institutos de pesquisas se confirmem e que, em janeiro de 2015, o fantasma petista esteja banido do poder para “o bem do povo e a felicidade geral da Nação”.


*Joel Naegele é vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), conselheiro do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ) e membro da Câmara Setorial de Agronegócios da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Postagens anônimas na internet podem ser usadas para promover o cyberbullying

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Francisca Paris (*)

 Com a promessa do anonimato, usuários cedem ao apelo do aplicativo para celulares Secret e revelam seus segredos. Ele permite fazer confidências sobre si mesmo ou outras pessoas por meio de posts com textos ou fotos – ou também compartilhar amenidades e brincadeiras – sem que o autor tenha sua identidade declarada, e se conectar tanto com conhecidos como com desconhecidos, que interagem por meio de comentários e curtidas.

A ideia de seus criadores, nos Estados Unidos, até pode ter sido boa, já que o programa incentiva o compartilhamento de pensamentos e sentimentos que, às vezes, são difíceis de serem revelados em outras situações. Porém, a condição de anonimato acabou criando um espaço aparentemente sem lei, em que se pode falar de tudo, inclusive propagar calúnias, difamações e imagens constrangedoras sem a devida autorização.

O Secret é mais uma ferramenta de relacionamento com infinitas possibilidades, que podem ser usadas para o bem e para o mal. O problema é quando ele é mal utilizado. O que era para ser um diário aberto virtual e bacana, em alguns casos tornou-se uma grande rede de intrigas e fofocas. Ou, pior, um espaço utilizado por alguns para promover o cyberbullying – agressão, intimidação ou humilhação de terceiros na esfera virtual –, a intolerância, o preconceito e, até mesmo, a pedofilia.

Mesmo quando essa violência é provocada sem intenção de machucar, geralmente por pessoas que não pensam nas consequências de seus atos, ela resulta na vitimização especialmente da criança ou do jovem, causando-lhe sofrimento, perturbação e diversos danos. Como em tudo na vida, é preciso pensar bem antes de agir, e não o contrário.

O aplicativo está disponível para download no Brasil há poucos meses e tem provocado muitas reclamações. Quem se sentir ofendido com um conteúdo que julgar inadequado pode denunciar o post ou até bloquear o autor da postagem no aplicativo. Em casos mais sérios, é possível, também, prestar queixa na delegacia. Já há, inclusive, pedidos de vítimas de postagens maldosas na Justiça para que o Secret não possa mais ser usado por aqui.

A internet é livre, mas não pode esconder ações erradas pelo anonimato. Não é tão fácil encontrar o autor de uma ofensa virtual, mas também não é impossível. De acordo com especialistas em crimes cibernéticos, tudo o que é feito na internet deixa rastros. Quer postar um segredo seu ou contar algo sobre outra pessoa nas redes? Então se prepare para correr o risco de ter que assumir as consequências e, eventualmente, enfrentar, até mesmo, um processo por ter ofendido alguém.

As redes sociais trazem enormes benefícios, especialmente quando estreitam os laços entre famílias, amigos e escola. Mas a migração dos contatos reais para o espaço virtual também carrega consigo os vários conflitos da sociedade. E a violência utilizada no mundo virtual apenas reflete aspectos das práticas desse fenômeno no mundo real: sofrimento e humilhação da vítima e incapacidade de se defender das agressões. O combate a esses acontecimentos será tão mais exitoso quanto maior for a interferência dos variados protagonistas do espaço social: família, professores, amigos e comunidade em geral.

É preciso estar atento ao que se expõe e compartilha online, porque cada informação divulgada pode ser interpretada de inúmeras maneiras e trazer problemas. E, nos casos dos menores de idade que estão na rede, é preciso atenção redobrada dos pais e da escola para ajudá-los na tarefa de identificar os limites entre o que precisa permanecer privado e o que pode tornar-se público. Mesmo que o autor não se identifique, as postagens no mundo virtual podem trazer implicações morais, éticas e legais. Na internet, assim como na vida, quanto mais conscientes, autocríticos e racionais com as nossas atitudes nós formos, melhor será nossa convivência com o próximo.

Quando o ataque acontece no mundo real, como na escola, por exemplo, e é denunciado, os agressores são identificados e confrontados pela autoridade escolar. Já nos casos de “perturbação online”, isso é mais difícil de ser combatido, especialmente quando o autor cria um perfil falso ou uma página anônima. Apesar disso, as vítimas não devem se calar por vergonha ou medo de represália e, sim, denunciar o que encontrarem de errado e até mesmo exigir que as medidas legais cabíveis sejam tomadas. Utilizando a velha máxima do “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”, podemos estimular o convívio com o diferente, sabendo olhar para o outro com respeito.


*Francisca Paris é pedagoga, mestre em educação e diretora de Serviços Educacionais da Editora Saraiva.

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