Artigo

Valorizar os pequenos e médios negócios locais

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*Rafael Abud

Foi aprovado, pela Câmara Federal, um projeto que visa alterar e atualizar a Lei de Licitações e Contratos (Lei 8.666/1993), criado por uma comissão temporária de modernização e apresentado pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). O projeto tem por objetivo aumentar a qualidade dos serviços prestados ao governo em caso de contratação de empresas, dificultar a prática de cartéis entre instituições e ainda favorecer a livre-concorrência.

Com a extinção da carta-convite e da tomada de preços, instrumentos muitas vezes utilizados para burlar as exigências de licitação nas contratações de serviços e para encarecer os custos, uma vez que as empresas podem estabelecer um valor fixo entre si e não oferecer serviços de qualidade ao contratante, a nova legislação deu um passo adiante para o estímulo de uma prática comercial justa. Mais do que isso, responsabiliza as empresas a se dedicarem a outras variáveis que não só o menor preço para a contratação, e sim melhor qualidade.

Outro ponto do projeto que favorece o oferecimento de bens e serviços qualificados é a relevância do fator “ciclo de vida” nos objetos adquiridos pelo governo quando das contratações. A inclusão da durabilidade nos quesitos de aquisição de serviços garante que, nas licitações, as empresas se comprometam a manter o objeto prestado em condições palpáveis de qualidade, assegurando um equilíbrio entre isonomia, economicidade e eficiência.

Essas medidas, somadas ao aumento do piso contratual de R$ 8 mil para R$ 80 mil em casos de contratação sem necessidade de licitação, favorecem e estimulam a prática da contratação de micro e pequenas empresas pelos governos. Se combinado com uma lei estadual que se proponha a estabelecer uma cota obrigatória de fornecimentos de serviços por empresas locais nas compras do governo e nas licitações, esse projeto pode contribuir, em muito, para o fortalecimento dos mercados locais.

Mais do que isso. O estabelecimento de uma porcentagem de contratação de empresas locais, sejam elas pequenas ou não, pode fazer com que o capital gire em torno de cada núcleo regional, gerando empregos, desenvolvendo a economia e sustentando e fomentando o crescimento de cada localidade. Além disso, estimula o investimento empreendedor em serviços de qualidade e impede que micros e pequenas empresas quebrem antes de se estabelecer no mercado, uma vez que encontrarão sustentação em seu próprio nicho comercial local.

Dessa forma, uma das propostas de minha candidatura enquanto deputado estadual, que é justamente um projeto de lei embasado no estabelecimento de cotas obrigatórias para fornecimento de serviços por empresas locais, vem como um complemento firme ao projeto aprovado pela Câmara Federal. É preciso, mais do que promover condições mais vantajosas de contratação ao erário, fomentar a economia e permitir que todos tenham oportunidade de crescer dentro dela, gerando verbas e ampliando o faturamento do próprio patrimônio público.


*Rafael Abud é empresário e consultor de novos negócios e empreendedorismo.

Homenagens aos músicos da Sociedade Musical 15 de Novembro, a banda de música de Cantagalo

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Júlio, muito eficiente,

seu trabalho é exemplar,

guarda a moeda somente

não gosta de trambicar.


Luciano e Sandrinho

fazem o sax vibrar,

Messias não é sozinho,

o trio faz completar


Alexandre e Maribel, 

Ivete, Antônio, João,

levam o som perto do céu,

clarinete ao coração.


Pimenta na bateria,

esquentando a multidão.

Ele é todo alegria,

é dono da agitação.


Gabriel, o caçulinha,

a todos vive a encantar,

estuda linha por linha

e brinca de solfejar.


Rodrigo é, na verdade,

o grande animador.

Ele toca com vontade,

porque toca com amor.



Autoria: 

Dilma Coelho

Obsessões, religiões e jardins

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Devo admitir, publicamente, que sou portador de algumas incuráveis obsessões. Uma delas já atravessa quatro décadas da minha existência, portanto cultivo-a desde que me entendo por gente: os jardins e, em especial, o Jardim de Cantagalo.

Os portadores de obsessões são sempre compelidos a alegarem algo que justifique tais estados psicológicos. Aqui não vai ser diferente. Em minha defesa, posso arguir o fato inquestionável dos jardins serem entidades míticas primordiais, arquétipos onipresentes no caminhar da humanidade pelo tempo. Algumas das maiores religiões monoteístas, como o Judaísmo e o Catolicismo, os traduzem como a visão do Paraíso, ou a paisagem primeira que foi presenteada por Deus ao ser humano para que este a cuidasse e a cultivasse. Vem daí uma ideia que acalento no fundo da minha alma, também obsessivamente: o mundo deve ser “jardinizado” e todos os jardins rigorosamente preservados, para o deleite das gerações presentes e futuras.

Esses bucólicos espaços de convivência sempre chamam os homens e mulheres de boa vontade, que se dispõem a aquietar-se em suas sombras, à contemplação e, por que não dizer, à meditação. Uma importante tradição religiosa oriental nos conta que Sidharta Gautama, o Buda, atingiu a iluminação meditando sob uma árvore sagrada. Já a filosofia religiosa Zen assinala que, ao encontrarmos a beleza no mundo natural, a encontraremos também em nós mesmos. Portanto, os jardins são, ou deveriam ser, ambientes nos quais a natureza reorganizada pelas mãos humanas serve à fruição serena, contemplativa e meditativa do belo, para que, a partir dessa experiência estética, possamos aquietar a alma e até mesmo, por que não dizer, alçar patamares mais elevados da existência.

Os jardins são altamente terapêuticos. Neles, o bater do coração segue a suave cadência do rodopio das folhas, ao bailarem no ar, ao sabor da brisa. A convivência se acalma e se entrega àquilo que, na pressa do dia a dia, não habita nossas retinas, nem detém nossa atenção: o operoso trabalho das formigas, o delicado deslizar de peixinhos no espelho d’água, o majestoso voo dos sabiás, o sopro do vento embalando a folhagem...

Locais libertos da insistente presença dessas clausuras ambulantes de metal e vidro – os automóveis; os trajetos dos jardins são projetados não para o trânsito desenfreado e cada vez mais intenso e caótico desses objetos luzidios emissores de gás carbônico, mas para o andar a pé e o calmo vislumbre de árvores, lagos e pássaros. Locais onde as faixas de pedestres, que mantém frequente presença no passeio público, mostram-se completamente dispensáveis, já que suas alamedas são de domínio exclusivo dos caminhantes.

No mundo atual em que a satisfação é sempre atrelada ao consumo, em que a ordem é trabalhar mais, para amealhar mais e consumir ainda mais, os jardins são revolucionários, pois proclamam o nada fazer, o lazer e proveito gratuitos; conclamando a todos, proletários e patrões, à comunhão em torno de uma proposta libertária de convivência harmoniosa e descompromissada, na qual tempo não é dinheiro e sim algo que se deixa escorrer pelas mãos, preguiçosamente e sem culpa.

Um jardim é, sobretudo, o reino das crianças. Local onde os pequenos conquistam finalmente a liberdade do correr sem rumo, do brindar com terra, do sujar a roupa de lama, sem o olhar quase sempre desabonador das zelosas autoridades materna e paterna. 

Por fim, no meu caso particular, um jardim é um convite a voltar a ser criança, pois todos os signos da infância há muito vivida, mas nunca esquecida, estão lá: as árvores e os frutos, os insetos e os pássaros, os brinquedos, as brincadeiras, a ingênua alegria transbordante... Sentado no banco ao lado do coreto, embalado pelo contínuo gotejar da água que escorre languidamente do “toco”, no momento em que uma réstia de sol ofusca a visão, num lampejo, às vezes “vejo” uma charretinha puxada a bode cruzando as alamedas do Jardim de Cantagalo. Dentro dela há um menino de quatro anos, pleno de satisfação, sob o olhar cuidadoso do seu avô Antônio. Às vezes.


*João Bôsco de Paula Bon Cardoso é professor de sociologia e geografia, coordenador de Patrimônio Cultural do Projeto Fazenda São Clemente e um dos coordenadores do Centro de Memória, Pesquisa e Documentação de Cantagalo.

Copa e eleições: um desgaste emocional

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Fernando Rizzolo*

Quando, ano passado, milhares de pessoas saíram às ruas em São Paulo para protestar contra os gastos públicos, os esbanjamentos na construção dos estádios – que o governo insiste em chamar de “arenas” – e gritar contra a corrupção, tudo isso foi cansativo, não só para quem participou, mas, também, para quem assistiu aos protestos pela imprensa. Já neste ano, a expectativa desta que foi chamada de “Copa das Copas” também trouxe uma enorme carga emocional desgastante em virtude, é claro, da derrota da nossa Seleção Brasileira.

Por mais que se critique o evento esportivo no Brasil, como eu e muitos outros fizemos, as pessoas acabam torcendo. Comigo não poderia ser diferente, mas confesso que senti até um alívio quando perdemos. Aos poucos, percebi que aquilo estava me fazendo mal. Entre uma pipoca e outra, ficar ali e olhar aquela truculência, aquele circo anestesiante, me fez, ao fim do jogo, sentir que minha energia era absorvida, ganhando ou perdendo. Procurei entender o porquê, para não me julgar “um chato de galochas”, daqueles que não participam e não extravasam o patriotismo nem em Copa do Mundo, mas tentando fazer uma reflexão sobre como viver num país pobre, com tantos problemas, de modo que até o circo acaba cansando.

Muitas vezes pensei em qual seria o tema do meu próximo artigo, mas não vinha nada à mente; apenas os estádios caros, minha imagem anestesiada pelo jogo torcendo, mesmo sabendo que chega a ser revoltante ver aquelas “arenas” que não servirão para mais nada daqui pra frente. Senti um verdadeiro apagão inspirador no país onde houve, segundo o técnico Felipe Scolari, uma “pane” nos jogadores. E, assim, percebi que, por alguns instantes, do ponto de vista literário, também havia sofrido esta pane.

Agora, virão as eleições, começará tudo de novo, o horário eleitoral, as promessas vazias, as velhas figuras políticas explorando a miséria e trazendo um discurso mais esportivo, motivado pela Copa. É provável que muitos desses figurões critiquem os jogadores, para não trazer à baila a discussão sobre, é claro, o custo das “arenas”. E então, já sei, voltará o cansaço, a mesmice, e tenho certeza de que terei de descansar. Desta vez, não vou viajar para longe, ir ao exterior. Agora, pretendo ficar por aqui, quero ir para Minas Gerais. A propósito, descobri o porquê disso: toda vez que escrevo, tomo muito café, aquele café mineiro com cheiro de bule, e aí eu sonho com interior, fogão a lenha, cidadezinha de Minas... Como nunca fui ao interior de Minas, esse acaba sendo meu refúgio emocional... O lugar calmo, sem passeatas, sem “arenas”, só fogão a lenha e cafezinhos... Será que existe mesmo essa cidade? Esse “trem bom”????? Ou já estou na fase do Lexotan para me aliviar desse Brasil cansativo... de Copa e eleições...?


*Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em direitos fundamentais, ex-articulista colaborador da Agência Estado – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , www.blogdorizzolo.com.br.

Nos tempos da ferrovia

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Quem nasceu a partir do governo João Goulart, não conheceu a ferrovia em Cantagalo e nem faz ideia da sua importância na história do lugar.

Até meados do século XIX, quando foi lançada a inovação, os cantagalenses só podiam viajar até Niterói, então capital da Província, em lombo de burros e enfrentando, durante dias seguidos, a inclemência do tempo.

Coube a Antônio Clemente Pinto, já Barão de Nova Friburgo e grande produtor de café na região, a iniciativa da mudança. Com base na Lei 641/1852, ele e demais investidores de menor gabarito fundaram a empresa S/A Estrada de Ferro Cantagalo e iniciaram a obra de implantação. O projeto inicial era construir de Porto das Caixas, escoadouro do café, até Santa Maria Madalena – cuja importância começava a despontar – a ferrovia que marcaria grande passo na evolução fluminense.

Como se tratava de plano muito arrojado, o projeto inicial foi dividido em três seções, cada qual objeto de contrato autônomo. A primeira etapa compreendia o trecho entre Porto das Caixas e Cachoeiras de Macacu, então simples lugarejo pertencente ao município de Santana de Japuíba. A segunda, de Cachoeiras a Nova Friburgo. E a terceira, de Nova Friburgo em diante.

A primeira seção foi a mais barata e de fácil execução, devido à adequação da topografia pouco acidentada. Tanto que o próprio barão a inaugurou, em 26 de abril de 1860, ao custo de 76:000$000. A segunda, que compreendia o trecho da serra, foi a mais trabalhosa. Contratou-a Bernardo Clemente Pinto (filho do concessionário inicial, falecido em 1869) com o governo da Província, por 2.800:000$000. E a terceira, apesar de mais extensa e cara (custou à empresa 3.426:000$000) foi de execução relativamente fácil, exceto nos trechos Conselheiro Paulino-Riograndina e Cachoeira dos Paulinos (atual Val de Palmas), em Macuco (onde afinal terminou o projeto, em vez de Santa Maria Madalena, conforme o plano inicial).

A segunda seção foi a mais trabalhosa, porque correspondia à serra de Nova Friburgo, numa extensão de apenas 35 quilômetros, mas vencendo rampas de até 9º em aclive e curvas de 34 metros de raio. Era, talvez, a ferrovia mais íngreme do mundo. Iniciados os trabalhos em 25 de março de 1870, somente três anos depois estavam concluídos – o que foi comemorado com um lauto banquete oferecido por Bernardo Clemente Pinto (que, na oportunidade, foi agraciado com o título de 2º Barão de Nova Friburgo) ao Imperador D. Pedro II.

Para subir a acidentada serra, Bernardo (servindo-se do eficiente auxílio do engenheiro Júlio Von Borell) tentou o sistema Fell, com um trilho intermediário servindo de cremalheira, cujos orifícios eram penetrados pelos dentes de uma engrenagem horizontal, debaixo da locomotiva, visando aumentar a impulsão na subida e servir de freio na descida. Para tanto, adquiriu sete locomotivas dotadas desse equipamento, da Estrada de Ferro Mont Cenis, que operava nos Alpes. Mas sem êxito, devido ao grande desgaste de material e ao elevado custo de manutenção. Pelo que acabou adquirindo locomotivas inglesas mais pesadas e que garantiam aderência sem necessidade de garras, conservando o trilho central apenas como instrumento de frenagem, mediante pastilhas.

O fato é que, em 1876, o trem chegou a Cordeiro, de onde foi puxado um ramal para Cantagalo e, em seguida, até o vale do Paraíba. A partir de então, embora ainda não estivesse pronto o edifício da estação, a maior parte da produção cafeeira e, depois, a do leite, além da totalidade do transporte coletivo da região, passaram a ser feitas pela ferrovia.

Isso, até o advento do transporte rodoviário, implantado cerca de meio século após e que, salvo durante a 2ª Guerra Mundial, fez à ferrovia enorme concorrência.

Vendidos mais tarde os três ramais em que se dividia o trajeto a empresas brasileiras e, depois, à britânica Leopoldina Railway, os serviços ferroviários na região funcionaram regularmente até 1950, quando se deu sua desapropriação em favor da Estrada de Ferro Leopoldina, afinal sucedida pela Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e a consequente desativação em 1963.

A partir de então, o transporte de cargas e passageiros ficou a cargo, apenas, de empresas rodoviárias.


*Clélio Erthal é desembargador federal aposentado, pesquisador, escritor e autor de vários livros sobre a história dos municípios da região.

O poder ineficaz da indústria brasileira

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Airton Cicchetto*

Com uma contribuição de cerca de 25%, a indústria brasileira é geradora de um PIB aproximado de 550 bilhões de dólares. Para entender a magnitude desta cifra, pode-se dizer que a indústria nacional representa, por si só, o 25º PIB do mundo, estando à frente de mais de 200 países, entre eles, importantes economias como as da Bélgica, Suécia, Suíça, Chile, entre muitas outras. O PIB da indústria nacional é maior do que o conjunto das economias somadas de mais de 100 países mundo afora. O complexo industrial brasileiro é bastante diversificado, congrega centenas de milhares de empresas e milhões de empregados.

A união faz a força e esta força é feita pela associação de quase 700 mil indústrias e 1.250 sindicatos patronais, conforme dados da sua entidade máxima, a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Como se pode ver, os números demonstram uma força muito expressiva, porém, força não ganha jogo. O jogo dos negócios se ganha com competitividade, atributo que nossa gigantesca indústria vem perdendo continuamente.

Hoje, o Brasil situa-se na 54ª posição no ranking de competitividade dos países, elaborado pela escola suíça de negócios IMD e a Fundação Dom Cabral. Há quatro anos, o Brasil ocupava a 38ª posição neste mesmo ranking, o que significa dizer que, em quatro anos, 16 países ultrapassaram os níveis de competitividade do Brasil. Internamente, no país, a indústria também perde posição, pois há menos de uma década, representava mais de 30% do PIB nacional. Nos últimos trimestres, a produção tem encolhido ainda mais, acarretando, inclusive, severa redução do nível de emprego no segmento industrial.

Claramente, há problemas e, mais do que ninguém, os senhores da indústria sabem que o roteiro para solução de problemas passa pela identificação de suas causas e implementação de planos concretos de solução. Pois bem, as causas de nossa baixa competitividade estão diagnosticadas, são experimentadas diariamente pela imensa maioria dos milhões de gestores de negócios e empresários do Brasil, e também vem sendo insistentemente veiculadas na mídia, escrita e falada, nos artigos, sínteses e comentários de analistas econômicos locais e do exterior.

Para relembrar são estas as causas principais: pesada carga tributária, encargos trabalhistas mais altos do mundo, má qualidade da infraestrutura física (rodovias e portos deficientes), taxa de câmbio manipulada e posicionada em níveis nocivos aos interesses da indústria local, alta burocracia e corrupção no serviço público, ambiente generalizado de desconfiança, nível de investimentos insuficiente para alavancar maior crescimento da economia, entre tantas outras mazelas.

Pois bem, os problemas estão identificados há muito tempo e suas soluções já deveriam estar em andamento. A indústria, a maior prejudicada, deveria por meio de sua entidade máxima, a CNI, estar usando seu mencionado poder, movendo sua enorme força no sentido de pressionar o governo a fazer o que deve ser feito, fazer a coisa certa. Atitude, aliás, alinhada com a sua missão, que prega: “defender e representar a indústria na promoção de um ambiente favorável aos negócios, à competitividade e ao desenvolvimento sustentável do Brasil”.

Este não parece ser o caso, pois os representantes da indústria vêm dialogando com o governo há muito tempo, como fizeram 34 empresários na última semana e, aparentemente, tem se satisfeito com medidas paliativas de ajuda a um ou outro setor que, sabidamente, não corrigem as causas básicas e não focam o resultado desejado que é o aumento real da competitividade das empresas e do país.


*Airton Cicchetto é consultor, palestrante empresarial, engenheiro e mestre em administração.

Trovas em homenagens aos músicos da Banda 15 de Novembro, em Cantagalo

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Homenagem aos músicos da Sociedade Musical 15 de Novembro, fundada em 15 de novembro de 1914, e tendo como padrinhos Manoel Corbal e Elvira Castro Corbal. Este casal doou o terreno e a sede onde funciona a banda, na Rua Dr. Júlio Santos, 35, no Centro de Cantagalo.

Para os componentes e músicos, estamos enviando, através deste jornal, estas belas trovas feitas pela poetisa Dilma Paula, a pedido da amiga da banda Eny Chevrand Baptista.

Eis alguns das quarenta e cinco trovas ofertadas em 15 de novembro de 1992:



“É feliz ao afirmar,

que música não é segredo, 

Celso Alves, ao sonhar, 

faz das notas seu brinquedo.”

“O prato do presidente

tem eco de mocidade, 

Nacib vive contente

pois arte não tem idade.”


“Cláudio Mello, orador,

bem escolhido, missão,

sendo uma fonte de amor,

tem voz o seu coração.”


“Lecyr, a dedicação,

sua grande qualidade, 

pois brotam em seu coração, 

as “notas” da lealdade.”


“ Júlio, Dedei e Serginho

vão tocando bombardino,

crianças chegam pertinho, 

os velhos sõ ficam ouvindo.”


“Nosso amigo Eduardo

merece os parabéns,

por ser tão organizado

sem esquecer de ninguém.”

Não marque gol contra: torça pelo Brasil, mas sem deixar os estudos de lado

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*Francisca Paris

O futebol sempre fez parte do dia a dia dos brasileiros, de uns mais, outros menos. Porém, em época de Copa do Mundo, até quem não liga muito para os jogos de quarta e domingo acaba se rendendo às quatro linhas e torcendo pelo Brasil, mesmo sem entender bem as regras. Em um país que tem o futebol e o carnaval como parte da cultura popular, não é possível renegá-los. É uma questão de identidade.

Se a Copa já movimenta o Brasil quando acontece em outro país, imagina tendo os jogos no nosso quintal? Mesmo quem não gosta e optar por não assistir ao campeonato acabará afetado pelos jogos, já que tudo girará em torno deste calendário, especialmente entre junho e julho. Trânsito, horários, expediente bancário, feriados...

Em relação às escolas, é natural que haja uma mudança de calendário, mas sem prejudicar os estudos, claro. Será um evento tão grande que crianças e jovens estarão inertes no tema. Já que não dá para ser radical e tentar proibir que se fale sobre isso no colégio, nada melhor do que aproveitar assuntos relacionados para trabalhar em sala de aula.

O mesmo vale para o álbum da Copa, que é febre até mesmo entre os adultos. Melhor que ignorar o fato, que tal organizar uma mesa de trocas das figurinhas repetidas na hora do intervalo? Essa simples solução integra os alunos de diferentes séries e evita tanto que a brincadeira atrapalhe as aulas quanto que haja um consumismo excessivo.

No ensino fundamental, pode ser feito, por exemplo, um projeto interdisciplinar que reúna os alunos em grupos para fazer um levantamento completo sobre as características locais de cada uma das 12 cidades-sede no país, seu clima, região geográfica e hábitos. Depois, o trabalho pode ser apresentado em seminários e ter seu resultado exposto nos corredores na escola para todos conhecerem um pouco mais sobre as localidades. Além de divertido, será muito útil.

Entre os jovens do ensino médio, os professores podem aproveitar alguns jogos já definidos para debater importantes temas. Uma disputa entre os times da Inglaterra e da Argentina, por exemplo, pode suscitar um debate sobre a Guerra das Malvinas, o conflito entre Reino Unido e Argentina pelo domínio das ilhas, que começou em abril de 1982, quando o ditador argentino aproveitou uma briga histórica entre os dois países pelo território ocupado pelos ingleses desde 1883 e invadiu a região.

O importante é que se cumpram os 200 dias letivos exigidos na lei. O ideal é que as escolas antecipassem as férias para o mês de junho a fim de evitar o cancelamento das aulas em virtude dos jogos. Porém, se alguns colégios não conseguirem, há opções para repor as aulas perdidas, já que não faz sentido manter os meninos na escola durante os jogos do Brasil. O melhor é dispensá-los.

As escolas têm autonomia para reorganizar seu ano letivo, basta enviar a proposta do novo calendário para a aprovação do Conselho Municipal de Educação. A reposição dos dias perdidos pode ser feita aos sábados, antes das férias do meio do ano, ou no final de 2014, estendendo o segundo semestre em alguns dias quando normalmente já começaria o recesso. Lembrando que deve-se repor exatamente as disciplinas perdidas, então não vale cancelar um dia que teria português e matemática e marcar aulas de artes e educação física no lugar. É também bacana propor trabalhos para serem feitos em casa para complementar as atividades presenciais.

Com a orientação da escola e da família, até mesmo quem está se preparando para prestar vestibular não será prejudicado. Basta se programar para parar os estudos apenas na hora do jogo, mantendo a dedicação nos momentos restantes. Como tudo na vida, o importante é saber dosar e equilibrar os momentos de obrigação e de lazer.


*Francisca Paris é pedagoga, mestra em educação e diretora de serviços educacionais da Saraiva.


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