O belo jardim de Cantagalo

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Clélio Erthal*

Um dos recantos cantagalenses que os visitantes mais admiraram é a sua praça ajardinada. Sem dúvida, é um belo local de recreio.

Quando da fundação do núcleo, em junho de 1787, uma das preocupações do superintendente Manoel Pinto da Cunha e Souza, seu artífice, foi construir a povoação em torno de um largo que lhe servisse de rossio, tal como as demais povoações da época. Em torno dele é que seria edificada a aldeia projetada, começando pela capela, depois elevada à condição de paróquia em 1806 (Paróquia do Santíssimo Sacramento), seguida da moradia dele e dos demais integrantes da comitiva, além, naturalmente, da projetada Casa do Ouro, metal que se imaginava muito abundante na região.

Esse largo (que de fato foi deixado pelo fundador do povoado e pelos ocupantes posteriores), permaneceu por vários anos abandonado, servindo apenas de pasto aos animais, sem nenhuma obra que lhe desse aparência de praça urbana. Era, como então se dizia, simples largo do rossio, ou terreiro coberto de vegetação natural. Tanto que o viajante George Gardner, quando ali esteve em 1841, disse que Cantagalo consistia, basicamente, de duas ruas “em torno de um largo, dois lados do qual já edificados”. Vale dizer: a vila, a despeito de já sediar um município há mais de 25 anos e encabeçar uma vasta comarca desde 1833, não passava de simples lugarejo em torno de um grande campo inculto.

A urbanização do largo (ou seja, a formação do jardim) data da década de 1870, quando Augusto de Souza Brandão (depois Barão de Cantagalo) assumiu a presidência da Câmara local.

Seguindo o estilo adotado pelo paisagista Auguste Glaziou para algumas praças do Rio de Janeiro (entre elas a atual Praça da República), o futuro barão resolveu  transformar o velho campo em praça ajardinada, com alamedas internas e um denso arvoredo, plantando no meio das árvores elegantes palmeiras imperiais, bem ao estilo dos belos jardins franceses.

Quando D. Pedro II passou pela primeira vez por Cantagalo, em dezembro de 1878, o jardim plantado pelo barão estava em formação, com as árvores ainda pequenas e as mudas de palmeiras, em cujos topos os melros um dia haveriam de se abrigar, nem sequer eram notadas.

Considerando que o local ficava escuro à noite, com o apagamento dos lampiões a querosene, as autoridades, por motivo de segurança e preservação dos bons costumes, resolveram cercar o jardim com um gradil de ferro mais tarde arrancado e levado para Cordeiro, onde, afinal, foi instalado para proteger o adro da sua igreja.

Com o advento da energia elétrica, em 1915, e a construção do artístico coreto pelo prefeito Joaquim Gonçalves em 1925, o jardim tomou novo aspecto, que ainda mais se acentuou com as muretas e os caramanchões que o prefeito Joaquim Carvalho lhe acrescentou em 1946.

*Clélio Erthal é desembargador federal aposentado, pesquisador e autor de vários livros sobre a história regional.



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