30 ANOS DE UM JORNAL VITORIOSO

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Clélio Erthal*

A poetisa Amélia Thomaz, sem dúvida uma das expoentes da cultura cantagalense, dizia que a cidade serrana sempre teve forte pendor cultural. “Talvez por haver nascido da exploração do ouro – escreveu – talvez porque uma lenda de amor doure com auréola de sonho a sua origem, jamais faltou à terra de Mão de Luva quem se dedique às lides intelectuais, quem dedilhe a lira, quem faça jornal, quem arraste as turbas com o poder do verbo.”

De fato, desde que foi fundada, no final do Brasil-Colônia, Cantagalo nunca negou tal vocação, revelando-se desde cedo como celeiro de grandes políticos, oradores, poetas e intelectuais de escol, assim como de grandes jornais, dos maiores mesmo que o torrão fluminense tem produzido. Aliás, não foi outra a razão pela qual o Dr. Alcides Ventura dizia a seus alunos que Cantagalo é a Atenas fluminense. Realmente, assim como a capital da Grécia antiga, embora geograficamente pequena, produziu grandes cérebros e notáveis obras literárias, Cantagalo também serviu de berço a intelectuais famosos, como Euclides da Cunha e outros do mesmo naipe, de cujos cérebros nasceram grandes obras, como ‘Os Sertões’ e a notável ‘Farmacopéia Brasileira’.

Dos jornais, que sempre foram os melhores agentes informativos e formadores de opiniões, vários deles se destacaram ao longo da história do lugar. Durante a Regência, por exemplo, dois pontificaram: o ‘Aristarco’ e o ‘Tangedor’, que já davam notícias de repercussão nacional, como a coroação de D. Pedro II e a vitória de General Soares Andréa sobre os Farrapos no Rio Grande do Sul. E no Império – principalmente depois da Guerra do Paraguai e da abertura da campanha abolicionista –, outros surgiram. Entre eles ‘O Cantagalense’, de Cristóvão Vieira (1840), ‘O Conservador’, de Joaquim Santana e Francisco Alípio (1865) e ‘O Voto Livre’, de Vieira Barcellos (1882). Este último, aliás, teve vida muito curta, porque foi brutalmente empastelado quando do advento da República em 1889.

Sem dúvida, os dois jornais fundados na “República Velha” (‘Correio de Cantagalo’ e ‘Tribuna de Cantagalo’), como órgãos do PRF e do “niilismo” no município, foram os de longa duração. O primeiro encerrou seus dias em 1930, com a subida de Getúlio Vargas, enquanto o segundo durou até 1935, com a mudança do proprietário (Accácio Dias) para Niterói. Porém, nenhum deles teve a duração e o mérito do JORNAL DA REGIÃO, fundado por Célio Figueiredo e que acaba de comemorar 30 anos de existência. Além de mais longevo, este jornal é bastante moderno e informativo, destacando-se pela forma e independência político-partidária que sempre ostentou, considerando ainda que ele cobre a região e não somente o município onde é editado.


*Clélio Erthal é desembargador aposentado, pesquisador e historiador.



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