A VERGONHA NACIONAL DOS POLÍTICOS GOSPEL

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Eduardo Baldaci*

Com propriedade, eu só posso falar de dois estados do Brasil: Rio de Janeiro e Mato Grosso, lugares onde morei e onde fui pastor. Consequentemente, conheço os políticos destes dois estados e suas relações com os evangélicos. No Rio, Anthony Garotinho, político há muito tempo envolvido com diversos escândalos e é apoiado por muitos pastores, inclusive por pastores com interesses eleitorais. Shows gospel aqui e acolá e uma igreja apática e comprometida que vê essas programações como “bênçãos”.

No Mato Grosso, Silval Barbosa, aquele mesmo que só aceitava promover cultos em seu gabinete com pastores de “grandes igrejas” (leia-se Grande Templo e Comec) e dizia não estar quando o pastor não liderava um “grande número de ovelhas”. Certa vez, pedi a um desembargador e a um deputado estadual para avisar Silval que tal descriminação não era boa aos olhos do Senhor.

Mas de quem será a culpa quando vemos políticos evangélicos atrás das grades? Quem tem a responsabilidade de discipular esses homens? A quem são dirigidas essas palavras bíblicas: “Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte” (Ezequiel 3:17)????

Ter um governador como amigo, como membro de minha igreja, pode parecer algo muito interessante desde o ponto de vista do status social. Porém, é espiritualmente perigoso!

Eu convivi com muitos poderosos “gospel”. Suas festas não tinham nada de diferente de uma festa mundana. A mesma cerveja, a mesma caipirinha, o mesmo whisky... E a igreja e o pastor? Vamos disciplina-los? Não, afinal quem, em sã consciência, iria se arriscar a perder uma personalidade destas como membro de sua igreja?

Conclusão: aqui estão dois personagens “convencidos” do mundo gospel que estão ajudando a promover o maior escândalo de todos os tempos no Brasil. Unam-se a estes outros nomes, como Eduardo Cunha, Francisco Silva... Ufa, a lista é enorme!

Entre os dois, além de usarem o nome cristão de forma indevida, está a mesma característica: ambos acabaram com a ouvidoria em seus estados. No Rio, Garotinho extinguiu de vez. Em Mato Grosso, Silval a colocou dentro da Corregedoria Geral, a qual é ligada ao governador e “abafa” aquilo que não é de seu interesse.

Enfim, se o Brasil vai mudar, isso vai passar também pelos nossos púlpitos e sermões, com escala em nossa antiga eclesiologia, que promovia o desligamento de membros que apenas iam a um boteco comprar um guaraná engarrafado em um vidro similar ao de uma cerveja.


*Eduardo Baldaci é pastor e já comandou a Igreja Batista de Cantagalo. Foi articulista do JORNAL DA REGIÃO e, atualmente, mora nos Estados Unidos.



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