O pão nosso que sobrou de ontem, nos vendei hoje ou amanhã, se for possível

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Eromilto Chermout*

Nos tempos atuais, com tanta preocupação que o homem tem com o futuro, principalmente, não é a toa que, por vezes, ouvimos o bordão “que mundo deixaremos para os nossos filhos?” E é realmente muito preocupante. A humanidade está muito preocupada em desenvolver tecnologias para comunicação, fontes de energias limpas, meios de transporte mais velozes e, ao mesmo tempo, mais seguros e menos poluentes, construção de moradias mais compactas para conseguir acomodar cada vez mais pessoas em um mesmo espaço, e outras preocupações que, sinceramente, considero um tanto descabidas, como, por exemplo, pesquisar a possibilidade de vida em marte, a possibilidade de vida fora do planeta Terra. O fato é que já se fala em fazer uma turnê pelo espaço e, sinceramente, não vejo propósito para tanto. Gastar, esbanjar ou sei lá que nome eu daria para a atividade. Só não me digam que é investimento, pois está completando um ano que foram gastos 2,5 bilhões de dólares, o equivalente a 5,8 bilhões de reais, com esta aventura, e já se projeta uma possível viagem tripulada, não por mim, é claro, ao planeta Marte, que a Nasa estima para o ano de 2030. Com tantas preocupações assim, eu acredito que a humanidade está se esquecendo de que a população está aumentando. Tudo bem que estão aumentando o número de médicos, de engenheiros, de físicos, de químicos, matemáticos, enfim, em todas as carreiras profissionais, mas estão aumentando também o número de pessoas sem ocupação, e, o que é pior, está diminuindo o número de pessoas que produzem alimentos. A população aumenta nos grandes centros e diminui na área rural. Estamos à beira de um colapso no abastecimento das cidades, pois a cada dia que passa é menor a relação entre o número de produtores para o de consumidores, e não se vê uma preocupação aparente, por parte dos governantes, com as pessoas envolvidas com a produção primária. Não sei se este fato se dá apenas aqui, no estado do Rio de Janeiro, pois, afinal de contas, o nosso estado, graças ao petróleo, é um dos mais ricos do país, ou era, antes da crise do petróleo, pois, hoje, é um dos mais quebrados do país. Continuamos a ser o segundo maior centro consumidor de alimentos do país, mas, como só fomos incentivados a produzir petróleo, na hora de produzir alimentos os produtores rurais, heróis solitários e desassistidos, não conseguem acompanhar a demanda. Temos uma produção por vezes medíocre diante do nosso potencial. A nossa produção, com isso, se torna cara e o preço de venda, que é definido pelo mercado, com a forte pressão de quem produz em maior quantidade, deixa sem fôlego aqueles que ainda tentam resistir. Diante dessa difícil equação, o que será que estaremos comendo daqui a 30 anos? Ou será que tentarão produzir alimentos em Marte para comercializar aqui? É bem sabido que, até lá, a população já terá aumentado bastante e que o número de produtores de alimentos, se nada for feito por eles, terá diminuído consideravelmente.

*Eromilto Chermout, técnico em laticínios e agricultor



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