A saga de um jornal vitorioso

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Cantagalo sempre foi sede de bons jornais, desde o tempo da regência (4ª década do século XIX). Durante o Império, quando o Município tornou-se grande produtor de café e abrigou várias pessoas que até figuravam no topo da sociedade nacional, surgiram alguns periódicos que deixaram marca na história da imprensa do País. Mas não eram propriamente órgãos de informação e sim de combate, visando reforçar as teses defendidas por seus redatores.

As campanhas abolicionista e republicana, por exemplo, tiveram grandes defensores.

Dos antigos, os jornais que mais profundas marcas deixaram, foram: “O Correio de Cantagalo”, da facção conservadora, chefiada por Thomaz da Porciúncula e seguida na cidade serrana pela facção dos “Jagunços” – conduzida por Miguel de Carvalho, Alberto Bezamath e Júlio Santos – e a “Tribuna de Cantagalo”, da facção liberal, liderada por Nilo Peçanha e que tinha no Município o apoio da facção “Caburé”, conduzida por Honório Pacheco, César Freijanes e Acácio Dias – que foi o derradeiro presidente do semanário.

Mas esses últimos jornais, além das respectivas colorações políticas, tiveram vida relativamente curta. O conservador “Correio de Cantagalo” circulou até 1930, quando a revolução getulista assumiu o Poder. E o liberal “Tribuna de Cantagalo” até 1935, quando seu proprietário (Acácio Dias) deixou de ser prefeito e partiu para Niterói.

Há 31 anos, surgiu O JORNAL DA REGIÃO, ocupando com vantagem o espaço deixado pelos referidos hebdomanários. Sem dúvida, ele suplantou todos os jornais que o precederam; notadamente quanto ao aspecto formal, à área coberta e à densidade informativa. De fato, em vez de mero tablete, ele tem a forma e tamanho de jornal; é bastante informativo, não se preocupando em captar simpatizantes partidários, sendo – nesse particular – totalmente independente e, por fim, faz jus ao nome que ostenta, pois cobre toda a região do antigo “Sertão do Macacu” e não simplesmente o Município de Cantagalo, como as anteriores folhas.

Célio Figueiredo, seu fundador, já tem o nome inscrito na história como um dos grandes jornalistas da terra de Euclides da Cunha. Quando o JORNAL DA REGIÃO deixar de circular (porque, afinal, nenhum jornal é eterno), o povo cantagalense há de se orgulhar por ter sua cidade, um dia, editado um jornal tão importante.

Parabéns toda equipe, formulando votos de que o JORNAL DA REGIÃO continue circulando por muitos anos, com o mesmo sucesso de sempre.

*Clélio Erthal é desembargador federal aposentado, historiador e autor de livros sobre a história regional



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