Nova direção assume Hospital de Cantagalo com déficit milionário

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“Pegamos o hospital em crise (...)”, alerta Alan Barros, administrador da unidade


A saúde é um dos setores mais devastados no Brasil. Hospitais precários, falta de atendimento e de serviços. Tudo isso incomoda a população. Em Cantagalo, a situação não é tão alarmante, embora nada confortável. O município, por exemplo, ficou com nota pouco maior que cinco em avaliação do SUS, dentro da média do País, e em 28º em ranking no estado do Rio de Janeiro. E um dos símbolos do setor na cidade é o Hospital de Cantagalo, antiga Casa de Caridade.

Há pouco mais de três meses, uma nova diretoria assumiu o hospital e encontrou uma situação delicada: um déficit milionário (boa parte de dívidas trabalhistas) e uma organização precária dos recursos. “Pegamos o Hospital de Cantagalo em completa crise. Por quê isso? Porque o hospital é completamente dependente da Prefeitura”, explica Alan Rodrigues de Barros, novo administrador. Ao seu lado, na sala da administração, o provedor do hospital (por ser uma instituição filantrópica tem um Conselho Fiscal e um provedor, que toma e analisa as decisões da diretoria administrativa e dá a última palavra no hospital), Carlos Teixeira Camacho, o Dinda, falou sobre os problemas atuais. Além deles, a nova diretoria conta com o advogado Tayrone Spíndola e o responsável pelo faturamento, Rodrigo Nassar.

Por conta dos problemas, a nova diretoria realizou uma auditoria em conjunto com a Prefeitura no início da gestão, apenas para levantar a situação da unidade. Com isso “(...) se levantou um déficit de quase R$ 1 milhão, sendo R$ 600 mil de encargos trabalhistas”, explicou o administrador do hospital.

Graças a essa auditoria o hospital conseguiu argumentar com a Prefeitura e elevar o repasse de R$ 115 mil para R$ 145 mil mensais. Além da negociação da subvenção, a diretoria tem firmado parcerias com empresas da região para pequenas trabalhos dentro da unidade e também buscado novas receitas. Recentemente, a agência do Banco do Brasil na cidade doou alguns computadores e, junto a outras receitas, viabiliza a informatização de todo o hospital.

Alan Barros, que é fisioterapeuta especializado em gestão hospitalar, explica que a atual diretoria busca uma gestão mais profissional e técnica, que já conta com uma maternidade de referência e uma hotelaria de qualidade, buscando novos recursos. “Vamos pleitear um acordo com a Unimed. Eu vejo que, a partir do momento que o plano de saúde verticalizou suas ações em Nova Friburgo, ele reduziu, em muito, o faturamento dos demais hospitais do interior. Então, penso que a Unimed tem uma dívida conosco e vamos cobrar isso mais para a frente”, garante o gestor.

– Um grande problema hoje, no município de Cantagalo, é o repasse federal. Em Bom Jardim e Cordeiro, por exemplo, já existe o que se chama de gestão plena. O dinheiro vem para um Fundo Municipal de Saúde. Em Cantagalo, ainda há a gestão básica, parcial, no qual o dinheiro vem de Brasília para o Estado, que, depois, repassa para o município. Tudo é pactado com o Estado, enquanto que nesses outros municípios é com a Prefeitura – explica Alan Barros, enumerando que o Hospital de Cantagalo tem mais de 20 planos de saúde, conta com 72 leitos no total e atende, em média, 60 pacientes por dia.




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