Alan Barros é gestor nos Hospitais de Cantagalo, Bom Jardim e no Pronto Socorro em Cordeiro

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Ele é gestor nos Hospitais de Cantagalo e de Bom Jardim. Com a crise financeira em que se encontra o Hospital de Cordeiro, o de Cantagalo assumiu o Pronto Socorro Municipal, onde Alan  também é responsável pela gestão desta unidade.

Jornal da Região (JR) - Qual sua formação profissional?

Alan Barros (AB) - Sou formado em Fisioterapia, pós Graduado em Terapia Intensiva e até por influência do histórico de atuação na área médica da minha família (além do meu pai, Jorge Barros, falecido em 2008, possuo cinco tios que são médicos). Me especializei através de um MBA da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em Gestão Executiva em Saúde. Na verdade essa minha formação veio muito de uma inquietação onde eu já desde muito cedo acompanhando meu pai, percebia o estado de precariedade financeira dos hospitais da nossa região. 

JR - Como é a situação financeiras dos hospitais?

AB - Claro que a situação financeira é o maior problema das Santas Casas no país inteiro, porque o valor pago pelo SUS é muito aquém do que os profissionais cobram e praticam no mercado. Mas percebi também um problema de gestão, porque você não tem como administrar e gerenciar um Hospital sem ter conhecimento e boa noção da área médica. Fui secretário de Saúde do Município de  Cantagalo, no período de janeiro de 2013 à junho de 2014, o que me agregou também bastante experiência, pois pude vivenciar a dificuldade da gestão pública.

JR - Explique melhor este pagamento do SUS com os hospitais em todo país?

AB - O problema crônico das entidades filantrópicas que atuam na área de saúde e me refiro aqui a todas elas, é a disparidade do que se recebe pelos serviços prestados e o custo destes serviços, é uma equação perversa. Pra se ter uma ideia e ficar apenas em dois exemplos, uma consulta médica é remunerada pelo SUS ao preço de R$ 11,30, enquanto uma cirurgia cesariana é paga a unidade Hospitalar o valor de R$ 545,73 , onde englobamos nesta cirurgia os valores de diárias médicas, energia, serviço de lavanderia, alimentação, medicação, matérias correlatos, assistência de enfermagem, serviços gerais, etc...

JR - Qual é o papel das Prefeituras com os hospitais?

AB - As Prefeituras tem um importante papel na manutenção destes Hospitais, mas sozinhas, sem apoio do Estado e da União, ficam sobrecarregadas e não conseguem bancar toda fatura. 

Desde 2015 o Estado do Rio de Janeiro suspendeu abruptamente o Programa de Assistência aos Hospitais do Interior – PAHI. Esses recursos complementares que eram essenciais pra ajudar a bancar nossas estruturas, tanto em Bom Jardim, como em Cantagalo foram retirados sem qualquer aviso prévio e nossa estrutura e gastos de lá pra cá só fez aumentar. Tudo é reajustado anualmente. O custo da mão-de-obra, os salários, os insumos, os medicamentos, os alimentos, enfim, enquanto isso nós continuamos a ter que gerenciar e administrar os mesmos recursos. É uma conta que não fecha e obriga o gestor (a), muitas vezes, ter que fazer àquilo que eu chamo de “escolhas trágicas”. A saúde é sem sombra de dúvidas a demanda mais importante e mais cara da sociedade, mas infelizmente não recebe os investimentos necessários de quem está no topo da pirâmide, que sãos os verdadeiros responsáveis pela elaboração da política de saúde.

JR - Qual sua avaliação sobre a real situação do Hospital Antônio Castro? Com sua experiência na atividade, tem solução?  

AB - Sobre a viabilidade do Hospital Antônio Castro eu não detenho conhecimento de causa prá embasar uma opinião, pois não assumimos a gestão do Hospital. Mais as informações superficiais que detemos sobre o HAC demonstram aquele mesmo cenário, que comentei no início, onde dívidas se acumularam ao longo dos anos até se chegar numa situação insustentável do ponto de vista operacional. Não que esse quadro seja irreversível, mas isso passa necessariamente por um trabalho de reestruturação e um estudo de viabilidade, variantes que eu não tenho condições aqui de adentrar no mérito.

JR - Recentemente assumiu a direção do Pronto Socorro Municipal de Cordeiro. Como é este trabalho? 

AB - Depois de vencer uma disputa com outros interessados o Hospital de Cantagalo foi contratado pela Prefeitura de Cordeiro prá gerir e administrar o Pronto-Socorro, que abarca os atendimentos de urgência e emergência à população, serviço que vem sendo prestado no prédio onde funcionava a antiga Delegacia de Cordeiro. 

JR - Como está a situação financeira dos hospitais de Bom Jardim e de Cantagalo?  

De todos os Hospitais Filantrópicos da região, Cantagalo é o único que atualmente dispõe das Certidões Negativas de Regularidade Fiscal. Em Bom Jardim, depois que assumimos amargamos um doloroso processo de reestruturação e hoje também já caminhamos para uma inédita regularidade fiscal.




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