Monsenhor Stael de Souza: "Desde muito criança, eu já afirmava que queria ser padre"

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Uma entrevista exclusiva para o Jornal da Região, com o monsenhor Antônio Stael de Souza, pároco da Paróquia São Jose de Leonissa, Itaocara. Stael que já atuou em várias paróquias da região, é natural do distrito de Itaocara e formado em ciências contábeis.


Jornal da Região (JR) - Faça um pequeno perfil: naturalidade, idade, onde e quando nasceu, formação e experiência profissional.
Monsenhor Stael de Souza (MSS) - Nascido no dia 3 de julho de 1946, em uma comunidade da zona rural de Laranjais, segundo Distrito de Itaocara. Sou natural, portanto, do Estado do Rio de Janeiro. Venho do seio de uma família muito religiosa e bem simples, da qual recebi uma educação rígida, baseada nos princípios morais e cristãos, e que sempre me apoiou na decisão de me tornar Padre. Sou formado em Contabilidade - Ciências Contábeis, tendo trabalhado em algumas firmas do Rio de Janeiro, cidade onde residi por um bom tempo até ingressar, ao 25 anos de idade, no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino, em Petrópolis.


JR - Por que e quando decidiu ser Padre?
MSS - Desde muito criança, eu já afirmava que queria ser padre. Um dia, chamei meus pais e lhes disse que meu desejo se tornava cada vez mais forte e que gostaria de vir para a cidade de Itaocara a fim de estudar e alcançar meu objetivo maior, que era servir a Deus como sacerdote. Aqui fui acolhido por monsenhor Saraiva, Pároco à época, em sua própria casa. Durante meses, foi ele meu confessor e orientador espiritual. Tempos depois, decidi me mudar para o Rio de Janeiro, a fim de seguir aquela que julgava ser minha vocação. Lá participava da Congregação Mariana e era adorador noturno do Santíssimo Sacramento na Igreja de Sant’Ana. Foi nessa época que tive realmente a convicção de que o Senhor me chamava à vocação sacerdotal.


JR - Quais as Paróquias nas quais já atuou?
MSS - Estive, primeiramente, à frente de cinco Paróquias na Diocese de Petrópolis (sempre com duas ao mesmo tempo). A saber: Catedral  São Pedro de Alcântara (cidade de Petrópolis); Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Bemposta); Paróquia Nossa Senhora das Dores (Areal); Paróquia San’Ana (Inconfidência) e Paróquia São José do Itamarati (cidade de Petrópolis).

Na Diocese de Nova Friburgo, atuei na Paróquia São João Batista (Laranjais); Paróquia Santa Ria do Rio Negro (Euclidelândia); Paróquia São Sebastião (São Sebastião do Alto); Paróquia Nossa Senhora da Piedade (Cordeiro); Catedral de São João Batista (Nova Friburgo). Agora me encontro à frente da Paróquia São José de Leonissa, na cidade de Itaocara, desde 26 de março de 2011 (sete anos e meio)


JR - Qual a diferença entre Padre e Monsenhor?
MSS - A diferença está apenas na titulação, pois o Sacramento recebido por um e por outro é o mesmo: Ordem. O título de “Monsenhor” é honorário e não indica posse de nenhum cargo ou posição na Igreja. Trata-se apenas de um título de homenagem e reconhecimento pelos serviços prestados à Igreja.


JR - A Igreja Católica está sendo questionada e criticada em várias partes do mundo por alguns escândalos e crises. Como o Senhor analisa essas situações, com tanto tempo atuando na Igreja?
MSS - Não apenas a Igreja passa por escândalos e crises. As Instituições em geral vêm, desde sempre, sendo atingidas por atos que as desvirtual, porque são formadas por seres humanos, imperfeitos em sua natureza, sujeitos a toda sorte de intempéries. A Igreja é santa, ensina o que é certo e divino, à luz do Evangelho, porém nem todos os homens seguem seus preceitos. No mundo de hoje, há que se ressaltar as providências que vêm sendo tomadas pelo Santo Padre, o Papa Francisco, para que comportamentos desrespeitosos da lei de Deus sejam abolidos em todo o mundo. Os ensinamentos da Igreja Católica passam longe de aprovar atos dessa natureza.


JR - Qual a sua avaliação da juventude no atual momento brasileiro? O que é preciso fazer pelos jovens?
MSS - A Igreja ensina o que é certo dentro da doutrina de Cristo, mas tudo depende da formação que eles recebem da própria família, espelho de seu comportamento na sociedade. Infelizmente, há hoje muitos lares onde a educação passa ao largo, sem contar as crianças que, principalmente nas grandes cidades, vivem abandonadas, sem ter um lar ou uma família que possam educá-las na lei de Deus. Na nossa sociedade, a Igreja, como um todo, tem feito o possível: catequese, encontro de jovens, movimentos diversos. Mas os pais precisam atuar juntamente com ela para que as crianças e os jovens não se desvirtuem seguindo caminhos anticristãos. É preciso seguir os mandamentos que Cristo nos deixou.


JR - Na região, ultimamente várias pessoas estão estudando para serem Padres. Fale sobre isso.
MSS - Crio ser algo positivo e louvável. A vocação sacerdotal é um dom divino. O chamado à vocação pode ocar qualquer pessoa, a qualquer tempo. Mas nem todos permanecem firmes na decisão por motivos diversos. O tempo passado no Seminário (8 anos) dirá a cada um se o Sacerdócio é realmente o caminho que se quer seguir.


JR - O Senhor é tido como um Padre muito administrador. Em todas as Paróquias que atuou, sempre as administrou muito bem. É sua formação profissional que ajuda nesta atividade?
MSS - Não só a profissional, mas também a familiar. Aprendi com meus pais a administrar e gerir bem o que temos: “Se você tem 60, gaste no máximo 40”, diziam eles. Imprevistos podem acontecer, então é necessário que se tenha uma “reserva” para as eventualidades.


JR - É verdade que seu nome chegou a ser cogitado para Bispo?
MSS - Sim. Isso se deu quando eu era Administrador Diocesano em Nova Friburgo (2004)?


JR - Qual mensagem que deixaria para a população, principalmente a de Itaocara, onde atua?
MSS - Seguir fielmente a doutrina de Cristo para vences os obstáculos da vida, fortalecer a sua fé e estar preparado para o encontro com o Senhor, a exemplo de São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará…” (2Tm 4, 6).






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