Mercado de flores e plantas ornamentais deve movimentar R$ 500 milhões no Estado do Rio

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Setor de flores e plantas ornamentais já é responsável por cerca de 17 mil empregos diretos e indiretos


Nem tudo são flores na economia fluminense. A exceção são as rosas, crisântemos, lírios, helicônias, alpínias e bastões do imperador que, apesar do mau tempo nas finanças estaduais, estão fazendo crescer o delicado mercado floricultor no Estado do Rio, que já é responsável por 17 mil empregos diretos e indiretos.

Pelos cálculos da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa), a floricultura deve movimentar cerca de R$ 500 milhões, em toda a cadeia, incluindo produção e comércio, em 2018. Um aumento de 8% em relação ao ano passado, na estimativa da gerente setorial do Programa Florescer da Seappa, Nazaré Dias.

O crescimento acompanha a média nacional, que deve crescer entre 7% e 8%. Com isso, as vendas ao consumidor final podem chegar a cerca de R$ 8 bilhões no Brasil, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). O Estado do Rio, que há 20 anos era o quarto posicionado no ranking dos produtores, hoje ocupa a segunda colocação. Fica atrás de São Paulo, onde apenas a cidade de Holambra, no interior paulista, responde por 45% do mercado de flores nacional.

No Estado do Rio, 88% dos produtores de flores e plantas ornamentais estão nas regiões Serrana e Metropolitana. Nova Friburgo responde por quase 60% da produção de flores de corte de clima temperado, de acordo com a Ibraflor. A cidade vizinha, Bom Jardim, é a capital fluminense das rosas, com produção de cerca de três milhões de maços, no ano passado.

Já quando o assunto é flor de corte de clima tropical, o município do Rio lidera a produção. Porém, as regiões Serrana e Metropolitana também produzem plantas para jardinagem e paisagismo. "A maioria dos nossos produtores da Serra são familiares. Os pais na produção, os filhos no mercado", conta Nazaré, garantindo que a atividade já está consolidada no estado. "Não tende a sumir, como algumas atividades. Porque tem setores na agricultura, como hortigranjeiros, que os filhos não querem prosseguir. Na flor, não", garante a gerente do Programa Florescer.

Segundo ela, as flores de clima temperado, como rosas, gérberas, astromélias e lírios exigem do produtor um pouco mais de tecnificação. "Existem culturas, como crisântemos, que precisam de estufa, controle de luminosidade, pois crescem muito e não dão flor", explica Nazaré, contando que muitas vezes os produtores precisam até de luz artificial. "É comum na Região Serrana. Chega à noite na área de produção e as estufas estão todas iluminadas", diz.


Flores tropicais enfeitam a Zona Oeste

Os maiores produtores de flores de corte de clima tropical do Brasil estão localizados na Zona Oeste do Rio. Antúrios, helicônias, alpínias e bastões do imperador florescem em abundância na região escolhida pelos produtores justamente por causa do clima.

Cezar Vital, 43 anos, faz parte da terceira geração à frente da Guandu Tropical Flores, que produz, em média, 800 dúzias de antúrios todos os meses. "Quem começou foi meu avô, Luiz Jesus de Vital Abreu, que iniciou com plantação de legumes, depois passou para rosa e, já na década de 1970, para flor de corte tropical e folhagem, onde estamos até hoje", conta ele, que toca o negócio com o pai, os tios e os primos, além de três empregados.

Vital revela que ninguém da família fez faculdade ou buscou uma especialização. Eles aprenderam plantando. "Planta aqui, deu errado, muda o jeito de plantar. A gente vai aprendendo no dia a dia", destaca. Eles são donos de uma propriedade de 150 hectares, mas cultivam em apenas 30 hectares. "Os outros 120 a gente preserva. É só mato", explica Vital, que outro dia vendeu 4,8 mil maços de helicônia para a Hípica de Campinas, em São Paulo.





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