Produtores do Rio receberão mais de R$1 milhão por serviços ambientais

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Preservar compensa: para contemplar as iniciativas de conservação e restauração aliadas a práticas produtivas sustentáveis, o Projeto Conexão Mata Atlântica promoveu evento de celebração do pagamento de mais de R$ 1 milhão para 164 produtores rurais do estado do Rio de Janeiro que alinham produção com preservação do Meio Ambiente. Os produtores contemplados são dos municípios de Italva, Cambuci, Varre-Sai, Porciúncula, Valença e Barra do Piraí.

O projeto utiliza o mecanismo de Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), um aporte financeiro que visa reconhecer e incentivar os produtores que adotam ações de conservação e restauração de floresta nativa e que implementam práticas agrícolas sustentáveis, como os sistemas silvipastoril e agroflorestal.

Atuando no Rio de Janeiro, o projeto Conexão Mata Atlântica abrange seis microbacias localizadas em áreas estratégicas para a manutenção dos fragmentos florestais da Mata Atlântica e preservação dos recursos hídricos que compõem as regiões hidrográficas do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana e Médio Paraíba do Sul.

Um exemplo da união entre ações produtivas e ambientais é o Sítio Xodó, localizado no município de Varre-Sai. O produtor rural José de Almeida, de 76 anos, foi recompensado pelo Conexão Mata Atlântica por conservar mais de 10 hectares de Mata Atlântica por meio de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), além de restaurar uma área de cerca de um hectare e implementar práticas de conversão produtiva.

José de Almeida e a família começaram a investir em produtos artesanais preparados com matéria prima do próprio sítio, como compotas, pães e bolos. Os recursos do PSA financiarão a construção da nova estrutura produtiva, que abrigará a sala de fermentação e alambique para a ampliação da produção de vinho e cachaça artesanais.

“Quando pensei em preservar, não pensei em mim. Pensei em todos e que um dia poderia faltar. É da floresta que vem a água que bebemos e o ar que respiramos”, diz o produtor que na área total da propriedade possui oito nascentes, sendo três delas protegidas.

Outro beneficiado que começou a aplicar os recursos do PSA é o produtor rural Carlos Martins Rosa, da Unidade Produtiva Fortaleza, localizada no Assentamento PA Vida Nova, no distrito de Ipiabas, no município de Barra do Piraí. Carlos foi recompensado pela conservação de 28 hectares de floresta nativa e está investindo na ampliação de sua capacidade de produção com a compra de insumos para adubação e equipamentos agrícolas - motocultivador com implementos e carretinha para transporte de insumos e produção, roçadeira e motosserra, além de materiais para construção de um rancho para guardar os equipamentos.

Carlos entende que a preservação é necessária para garantir a produtividade da terra. Com os incentivos do projeto, o produtor rural vai poder melhorar a qualidade de vida da família, que tira o sustento da agricultura.

“É muito importante a gente preservar a mata e as nascentes porque elas garantem a nossa água, a vida. Os equipamentos foram uma grande conquista para a nossa família e vai dar melhores condições para que meus filhos possam trabalhar e viver da propriedade”, comemora o agricultor, que cultiva hortaliças e leguminosas agroecológicas, que substitui o uso de agrotóxicos pelo adubo orgânico.

No estado do Rio de Janeiro, o PSA  é regulamentado pelo Decreto Estadual nº 42.029/11, que cria o Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PRO-PSA), sob coordenação do Inea (Instituto Estadual do Ambiente).

Os produtores beneficiados este ano foram selecionados no primeiro edital de seleção pública realizado em 2018. O próximo edital está previsto para ser publicado no segundo semestre de 2019.





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