{"id":1295,"date":"2012-02-15T13:18:15","date_gmt":"2012-02-15T15:18:15","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2012\/02\/15\/como-folhas-secas-levadas-pelo-vento\/"},"modified":"2012-02-15T13:18:15","modified_gmt":"2012-02-15T15:18:15","slug":"como-folhas-secas-levadas-pelo-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/como-folhas-secas-levadas-pelo-vento\/","title":{"rendered":"Como folhas secas levadas pelo Vento"},"content":{"rendered":"<p><p>H\u00e1 dias que nos damos conta de que estamos como folhas secas soltas em meio a um impetuoso vendaval. Parece que nada do que falamos ou fazemos \u00e9 levado a s\u00e9rio, pois ningu\u00e9m se interessa se estamos bem ou n\u00e3o. Normalmente, as pessoas tendem a mostrar indiferen\u00e7a quando o assunto n\u00e3o \u00e9 com elas, passam por n\u00f3s e, quando muito, reparam nos nossos olhos vermelhos pela noite em claro.<\/p>\n<p>Precisamos compartilhar o que sentimos, o que queremos, mas sem perder de vista o que desejamos para um futuro pr\u00f3ximo, o que queremos, de fato, viver daqui para frente. \u00c0s vezes, o sentimento de solid\u00e3o e abandono \u00e9 t\u00e3o grande que queremos que as pessoas se importem, pelo menos um pouquinho, com aquele mal-estar passageiro que sentimos dias antes, mas elas, infelizmente, dificilmente v\u00e3o se importar.<\/p>\n<p>Agimos, muitas vezes, como uma crian\u00e7a que nos mostra um machucadinho bem pequeno para ganhar nosso cuidado e nosso afeto, mas, diferente de uma crian\u00e7a, o que estamos apresentando aos outros s\u00e3o mostras de um isolamento que \u00e9, por consequ\u00eancia, agravado pelas feridas causadas nos momentos de dor que tivemos de viver. Embora todo esse quadro ser percept\u00edvel a olho nu, as pessoas, geralmente, pouco se importam se estamos ou n\u00e3o em desvantagem ou, simplesmente, sensibilizados por algo que acaba de nos acontecer.<\/p>\n<p>Como folhas secas jogadas ao ar numa tarde de ver\u00e3o, carregadas para lugares incertos e desconhecidos por n\u00f3s, assim nos sentimos ao ver o pouco caso que nossas dores causam em pessoas com quem temos contato diariamente. Muitas vezes, queremos apenas que elas deem um olhar de compaix\u00e3o, falem algo como \u201cse cuide, viu?\u201d, mas in\u00fameras vezes somos surpreendidos pela apatia e pelo desd\u00e9m que tomam conta de toda uma vida.<\/p>\n<p>Como resposta a tudo isso, aprendemos muito rapidamente com essas pessoas e passamos a agir como elas, perpetuando um c\u00edrculo de grosserias, indelicadezas e insensibilidades. Agindo assim, estamos, novamente, nos deixando levar a lugares que nem sempre queremos ir. Deixamos que os est\u00edmulos externos governem sobre n\u00f3s e, em vez de assumirmos o controle real de nossas vidas, simplesmente vamos deixando os anos se passar, levando com eles todo o nosso vigor e disposi\u00e7\u00e3o de, pelo menos, tentar alterar o curso dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ora, n\u00e3o somos folhas secas e, como seres capazes de reassumir a autoria de nossa hist\u00f3ria que \u00e9 escrita dia a dia, temos de reagir, nem que para isso tenhamos que enfrentar assuntos um pouco desconfort\u00e1veis para n\u00f3s. Reassumir a autoria envolve muito mais do que possamos perceber num primeiro toque, num primeiro momento. Envolve repensar os momentos que agimos por impulso, os momentos que perdemos a educa\u00e7\u00e3o diante de algum fato, os momentos que, sim, est\u00e1vamos errados na mensagem que acabou sendo entendida incorretamente por algu\u00e9m, sobre a qual n\u00e3o esbo\u00e7amos nenhuma atitude.<\/p>\n<p>Envolve tamb\u00e9m, por consequ\u00eancia, entendermos que, de um modo ou de outro, tamb\u00e9m falhamos a respeito de algo ou algu\u00e9m, e em vez de nos entendermos como v\u00edtimas, termos consci\u00eancia de que tamb\u00e9m \u00e9 nosso papel irmos em busca do que queremos conquistar.<\/p>\n<p>Essa conquista, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel no come\u00e7o, mas, \u00e0 medida que o tempo vai passando, ela ser\u00e1 evidenciada nos pequenos gestos de outras pessoas, estas que s\u00e3o pr\u00eamios incalcul\u00e1veis da nossa vit\u00f3ria sobre a indiferen\u00e7a e o pouco caso.<\/p>\n<p>Conquistar pessoas \u00e9 maior, mais nobre e mais feliz do que se pode, com palavras, mensurar. Por isso, vale a pena tentar mais uma vez.<\/p>\n<p>Mesmo em meio aos mais fortes e impetuosos ventos, \u00e9 imprescind\u00edvel que estejamos conscientes de que nossa jornada \u00e9 composta por momentos que parecem fugir ao nosso controle, mas n\u00e3o se esque\u00e7a que \u00e9 voc\u00ea que deve estar sempre na dire\u00e7\u00e3o, escolhendo o percurso que deseja seguir e, muito mais do que isso, escolhendo se quer ou n\u00e3o ter a companhia das pessoas, as quais podem ser conquistadas, dia a dia, por voc\u00ea.<\/p>\n<p>Reflita, decida-se, recupere o tempo perdido sob o comando de ventanias que levaram voc\u00ea a lugares, hoje, incompreendidos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>*Erika de Souza Bueno \u00e9 coordenadora pedag\u00f3gica do Planeta Educa\u00e7\u00e3o e Editora do Portal Planeta Educa\u00e7\u00e3o. Professora e consultora de L\u00edngua Portuguesa e Espanhol pela\u00a0Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias que nos damos conta de que estamos como folhas secas soltas em meio a um impetuoso vendaval. Parece que nada do que falamos ou fazemos \u00e9 levado a s\u00e9rio, pois ningu\u00e9m se interessa se estamos bem ou n\u00e3o. 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