{"id":1311,"date":"2012-03-01T13:35:23","date_gmt":"2012-03-01T16:35:23","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2012\/03\/01\/o-momento-de-reconstruir\/"},"modified":"2012-03-01T13:35:23","modified_gmt":"2012-03-01T16:35:23","slug":"o-momento-de-reconstruir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/o-momento-de-reconstruir\/","title":{"rendered":"O momento de reconstruir"},"content":{"rendered":"<p><p>N\u00e3o s\u00e3o raros os momentos que passamos por tanta dor que nosso peito parece que vai explodir. N\u00e3o s\u00e3o raras as vezes que parece que estamos caindo num po\u00e7o sem fundo ou caminhado numa imensa escurid\u00e3o que cega nossos olhos. N\u00e3o \u00e9 raro vermos pessoas angustiadas, sem saberem o que fazer com todo o sentimento que lhes restou. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil vencermos os nossos medos e os incalcul\u00e1veis temores que nos sobrev\u00eam quando algu\u00e9m nos deixa s\u00f3, mesmo que seja involuntariamente.<\/p>\n<p>Quem se disp\u00f4s a amar, sabe que esses momentos podem acontecer. Quem deseja dispor espa\u00e7o em seu peito para o amor tem que saber que nem tudo s\u00e3o flores num mundo cor-de-rosa. Na vida de todos que amam, h\u00e1 sim momentos de dor t\u00e3o grande que somente as l\u00e1grimas s\u00e3o capazes de traduzir.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, para se protegerem da sensa\u00e7\u00e3o de hostilidade do mundo que as cerca, as pessoas buscam no isolamento a chave para abrir portas que mostram novos horizontes. Contudo, essa nem sempre \u00e9 a melhor alternativa. Parece contradit\u00f3rio, mas a solid\u00e3o sempre vem acompanhada de infort\u00fanios, queixas e pesares \u2013 com os quais, \u00e9 claro, n\u00e3o desejamos conviver.<\/p>\n<p>Mas o que fazer com todo aquele sentimento que restou de experi\u00eancias vividas em companhias que foram t\u00e3o boas para n\u00f3s? Como desatar o n\u00f3 de uma situa\u00e7\u00e3o que parece se embara\u00e7ar ainda mais a cada tentativa de resolu\u00e7\u00e3o? Como vencer as barreiras que uma circunst\u00e2ncia construiu entre dois cora\u00e7\u00f5es que durante algum tempo se entenderam t\u00e3o bem?<\/p>\n<p>Talvez um dos caminhos seja o de desconstruir, ou seja, desmontar ou desmanchar os entraves que atrapalham nossos passos em dire\u00e7\u00e3o a dias melhores. Isso pode ser compreendido facilmente, pois n\u00e3o d\u00e1 para reconstruir uma casa sobre entulhos que fazem refer\u00eancia a momentos que precisam ser superados. Exemplos de situa\u00e7\u00f5es assim s\u00e3o o que acontece entre pais e filhos, professores e alunos, marido e mulher, enfim, entre pessoas que querem promover a paz na escola, na sociedade e na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No processo de constru\u00e7\u00e3o de um relacionamento, estamos \u201cpisando em ovos\u201d, pois tudo o que sabemos sobre o outro \u00e9 ainda muito vago. Isso faz nossa \u201cmat\u00e9ria-prima\u201d imprecisa, pois n\u00e3o sabemos, por exemplo, qual sentimento dispor ou quanto vamos nos permitir envolver.<\/p>\n<p>Reconstruir, por sua vez, exige, ao mesmo tempo, delicadeza e for\u00e7a, ou seja, n\u00e3o uma delicadeza que foge e se esconde, mas uma delicadeza que n\u00e3o fere, n\u00e3o machuca e n\u00e3o causa ainda mais m\u00e1culas a um relacionamento j\u00e1 ferido. Reconstruir exige mais detalhe, mais calma, mais persist\u00eancia, pois, nesse processo, j\u00e1 conhecemos o outro, j\u00e1 sabemos que ele \u00e9 falho, que pode se enganar, que pode errar mais uma vez. Entretanto, quem ama de verdade consegue vencer as barreiras de possibilidades pessimistas e d\u00e1 mais uma chance para tornar a edificar um relacionamento que, agora, conta com bases mais s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>Durante a inf\u00e2ncia de nossos filhos, por exemplo, vamos construindo nossa \u201ccasa\u201d, imaginando-a linda, bela, sem defeitos e falhas. Com o passar do tempo, talvez comecemos a identificar rachaduras que podem compromet\u00ea-la por completo. E se esse relacionamento chega a um n\u00edvel em que a conviv\u00eancia fica amea\u00e7ada, \u00e9 hora, ent\u00e3o, de limpar o terreno dos entulhos e recome\u00e7ar a partir de uma base constru\u00edda no conhecimento dos limites e potenciais de ambos. A mesma situa\u00e7\u00e3o pode ser entendida nos relacionamentos de professores e alunos, ou seja, \u00e9 hora de \u201csacudir a poeira\u201d, levantar o rosto e permitir-se, mais uma vez, ser oper\u00e1rio nessa grande constru\u00e7\u00e3o, que se d\u00e1 na conviv\u00eancia do dia a dia.<\/p>\n<p>O rompimento de um relacionamento pode ser perfeitamente revers\u00edvel. Contudo, quando o fim \u00e9 inevit\u00e1vel, ficamos sem saber o que fazer com todo o sentimento que restou e que pulsa junto a cada batida de nossos cora\u00e7\u00f5es. A pessoa pode at\u00e9 ir embora, mas deixa em n\u00f3s impress\u00f5es que precisam ser tratadas.<\/p>\n<p>A volta de um filho, o desejo de um aluno tentar se recuperar mais uma vez, a pessoa amada que quer mais uma chance, n\u00e3o importa muito o contexto. Agora pode ser o momento de reconstruir.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>*Erika de Souza Bueno \u00e9 coordenadora-pedag\u00f3gica do Planeta Educa\u00e7\u00e3o e Editora do Portal Planeta Educa\u00e7\u00e3o, professora e consultora de l\u00edngua portuguesa e espanhol pela Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. Articulista sobre assuntos de l\u00edngua portuguesa, educa\u00e7\u00e3o e fam\u00edlia.<\/em><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o raros os momentos que passamos por tanta dor que nosso peito parece que vai explodir. N\u00e3o s\u00e3o raras as vezes que parece que estamos caindo num po\u00e7o sem fundo ou caminhado numa imensa escurid\u00e3o que cega nossos olhos. 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