{"id":20020,"date":"2020-10-20T08:24:09","date_gmt":"2020-10-20T11:24:09","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/?p=20020"},"modified":"2020-10-20T08:24:10","modified_gmt":"2020-10-20T11:24:10","slug":"redistribuicao-dos-royalties-de-petroleo-entre-estados-e-municipios-pode-prejudicar-o-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/redistribuicao-dos-royalties-de-petroleo-entre-estados-e-municipios-pode-prejudicar-o-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Redistribui\u00e7\u00e3o dos royalties de petr\u00f3leo entre estados e munic\u00edpios pode prejudicar o Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mobilizou governo, deputados estaduais e federais, prefeitos e a sociedade civil organizada para ir a Bras\u00edlia na pr\u00f3xima semana pedir a retirada da pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4917) do Estado do Rio que questiona as novas regras para a redistribui\u00e7\u00e3o dos royalties de petr\u00f3leo entre estados e munic\u00edpios &#8211; o julgamento da a\u00e7\u00e3o est\u00e1 marcado para o dia 03 de dezembro. Na reuni\u00e3o virtual do F\u00f3rum Rio de Desenvolvimento, realizada na segunda-feira (19\/10), o presidente da Alerj, deputado Andr\u00e9 Ceciliano (PT), destacou a import\u00e2ncia dessa uni\u00e3o de for\u00e7as para resolver o problema.<\/p>\n<p>\u201c<em>Sabemos dos grav\u00edssimos impactos dessa situa\u00e7\u00e3o para o estado. E t\u00e3o importante quanto os impactos, \u00e9 a nossa atua\u00e7\u00e3o conjunta. Precisamos nos unir, primeiro pela retirada da a\u00e7\u00e3o da pauta do STF, e depois para fazemos um entendimento com o Congresso e com o Governo Federal para reverter os preju\u00edzos do Rio. A sa\u00edda \u00e9 modificar a lei que retirou os royalties do estado, onde s\u00e3o prospectados 80% da produ\u00e7\u00e3o do Petr\u00f3leo . O Rio n\u00e3o pode abrir m\u00e3o dessa receita<\/em>\u201d, comentou Ceciliano.<\/p>\n<p>O governador em exerc\u00edcio, Cl\u00e1udio Castro, disse que em 2017, o Rio repassou R$ 170 bilh\u00f5es em impostos arrecadados para a Uni\u00e3o repartir com os outros estados e s\u00f3 recebeu de volta R$ 20 bilh\u00f5es: &#8220;<em>O estado manda de lucro l\u00edquido para a Uni\u00e3o cerca de R$ 150 bilh\u00f5es por ano. Durante o Regime de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal, o Rio enviou R$ 450 bilh\u00f5es, o que pagaria toda nossa d\u00edvida por tr\u00eas vezes. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o fiscal do Rio \u00e9 delicada tamb\u00e9m porque manda muita riqueza para a Uni\u00e3o dividir para o pa\u00eds inteiro<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Castro lembrou, ainda, que apesar de o Rio de Janeiro produzir cerca de 80% do petr\u00f3leo e 65% do g\u00e1s natural, s\u00f3 20% da cadeia do setor est\u00e1 no estado. \u201c<em>Portanto, o petr\u00f3leo j\u00e1 \u00e9 globalizado e gera riqueza para os estados n\u00e3o produtores. Essa quest\u00e3o est\u00e1 na ordem do dia do governo e acredito que vamos ter \u00eaxito na retirada da pauta do STF<\/em>\u201d, destacou o governador.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Estado de Fazenda, Guilherme Merc\u00eas, apresentou os cen\u00e1rios poss\u00edveis para a renegocia\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o dos royalties e participa\u00e7\u00f5es especiais. O primeiro cen\u00e1rio seria a aplica\u00e7\u00e3o integral da lei, com pagamento retroativo de 2013 a 2019 a todos os contratos. A perda para o estado entre 2020 e 2025 seria de R$ 57 bilh\u00f5es. O que seria, de acordo com o secret\u00e1rio, praticamente toda a arrecada\u00e7\u00e3o prevista em um ano. O segundo cen\u00e1rio refere-se \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da lei, sem pagamento retroativo, para todos os contratos a partir de 2020. A perda do Rio somaria R$ 34 bilh\u00f5es. Uma terceira op\u00e7\u00e3o seria a aplica\u00e7\u00e3o da lei apenas para aqueles campos com contratos assinados a partir da edi\u00e7\u00e3o da lei, sem o pagamento retroativo. Nesse caso, o Rio teria uma perda menor, em torno de R$ 3 bilh\u00f5es, no per\u00edodo entre 2020 e 2025. E o \u00faltimo cen\u00e1rio trata da aplica\u00e7\u00e3o da lei apenas para campos com contratos assinados a partir de 2020, ou seja, ap\u00f3s a decis\u00e3o do STF. A perda do Rio seria de meio bilh\u00e3o de reais.<\/p>\n<p>&#8220;<em>\u00c9 preciso ter uma vis\u00e3o mais ampla. A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre distribui\u00e7\u00e3o dos royalties, mas a respeito do pacto federativo, da distribui\u00e7\u00e3o de recursos aos estados e munic\u00edpios. A perda com a redistribui\u00e7\u00e3o dos royalties representa colapso financeiro e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os do estado<\/em>&#8220;, destacou Guilherme Merc\u00eas.<\/p>\n<p>O procurador geral do estado, Bruno Teixeira Dubeux, afirmou que o processo em tramita\u00e7\u00e3o no STF &#8211; questionando a validade da lei 12.734\/2012 que redistribui os royalties e participa\u00e7\u00f5es especiais &#8211; \u00e9 o mais importante acompanhado pela procuradoria. \u201c<em>Esse processo j\u00e1 entrou na pauta do STF algumas vezes e saiu. Na \u00faltima vez, foi criado um grupo de trabalho com representantes de estados produtores e n\u00e3o produtores para se chegar a um consenso. Em meados de abril, o Espirito Santo apresentou uma proposta de acordo aso STF, e essa proposta apresentava basicamente um marco temporal para que as novas regras pudessem passar a valer. A PGE do Rio se manifestou em ju\u00edzo no sentido de que a proposta do estado seria a data em que o STF homologasse o acordo entre os estados, preservando todos os contratos em vigor<\/em>\u201d, contextualizou Dubeux.<\/p>\n<p>Os presidentes da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecom\u00e9rcio), Eduardo Eug\u00eanio e Ant\u00f4nio Flor\u00eancio de Queiroz, respectivamente, lembraram que os royalties foram criados como forma de compensa\u00e7\u00e3o aos poss\u00edveis danos ambientais decorrentes da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. &#8220;<em>O Rio n\u00e3o \u00e9 benefici\u00e1rio de nada; apenas \u00e9 compensado pelos danos que lhe s\u00e3o causados. \u00c9 preciso ficar claro que a parte \u201cruim\u201d \u00e9 enfrentada exclusivamente pelo Rio de Janeiro<\/em>&#8220;, esclareceu Flor\u00eancio.<\/p>\n<p><strong>Busca por uma solu\u00e7\u00e3o definitiva<\/strong><\/p>\n<p>A bancada de deputados federais do Rio argumentou que esse \u00e9 um momento prop\u00edcio para uma uni\u00e3o de esfor\u00e7os pol\u00edticos na busca de uma solu\u00e7\u00e3o definitiva para a quest\u00e3o. \u201c<em>O presidente da Rep\u00fablica \u00e9 do Rio de Janeiro, o presidente da C\u00e2mara dos deputados \u00e9 do Rio, e o presidente do STF tamb\u00e9m \u00e9 do Rio de Janeiro. Precisamos unir todas essas for\u00e7as para espantar de vez esse fantasma que ronda nossos aposentados e pensionistas, nossas cidades produtoras e todo o estado\u201d, defendeu o deputado federal, Doutor Luizinho (PP). A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) ressaltou que solu\u00e7\u00e3o alguma pode aplicar o princ\u00edpio da retroatividade. \u201cNenhuma decis\u00e3o pode ser aplicada antes da decis\u00e3o do STF. N\u00e3o podemos aceitar nenhuma retroatividade. O Rio de Janeiro ter\u00e1 um impacto brutal. Isso seria absurdo e inaceit\u00e1vel<\/em>\u201d, defendeu a parlamentar.<\/p>\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Munic\u00edpios e prefeito de Pira\u00ed, Luiz Ant\u00f4nio Neves, a fal\u00eancia do Estado do Rio \u00e9 ruim para todo o pa\u00eds. \u201c<em>Precisamos sensibilizar os estados. \u00c9 importante que o Rio tenha uma condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica adequada. N\u00e3o \u00e9 benesse, \u00e9 compensa\u00e7\u00e3o. Se o Rio quebrar, quem vai ter que bancar essa hist\u00f3ria ser\u00e1 a Uni\u00e3o. E hoje o Rio \u00e9 respons\u00e1vel por grande parte da arrecada\u00e7\u00e3o do governo federal<\/em>\u201d, pontuou o prefeito.<\/p>\n<p>O reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Rafael Almada, falou sobre o impacto da queda de receitas do estado na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o. <em>&#8220;Esse impacto da retirada dos royalties ataca diretamente a estabilidade profissional do Rio. Falar de n\u00fameros \u00e9 falar tamb\u00e9m sobre investimento na educa\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;. O deputado estadual Waldeck Carneiro (PT) corroborou com o reitor, lembrando das outras retiradas de receitas do estado. &#8220;<em>N\u00e3o se trata s\u00f3 de entender os royalties como compensa\u00e7\u00e3o. O Rio j\u00e1 sofre perdas de ICMS, da Lei Kandir, com o Fundeb. A Uni\u00e3o s\u00f3 devolve um ter\u00e7o de tudo que arrecada no Rio. A quest\u00e3o vai al\u00e9m das perdas ambientais. Est\u00e1 clara nossa perda social com tudo isso<\/em>&#8220;, afirmou Waldeck.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram da reuni\u00e3o virtual o prefeito de Maric\u00e1, Fabiano Horta; os deputados estaduais Luiz Paulo (sem partido), Marcus Vin\u00edcius (PTB), Carlos Macedo (Republicanos), Alexandre Freitas (Novo), Danniel Librelon (Republicanos), Fl\u00e1vio Serafini (PSOL) e Zeidan (PT); deputados federais Paulo Ramos (PDT\/RJ), Pedro Paulo (DEM\/RJ), Wladimir Garotinho (PSD\/RJ), Christino \u00c1ureo (PP\/RJ), Otoni de Paula (PSC\/RJ), Paulo Ganime (Novo\/RJ); al\u00e9m de reitores de importantes universidades como Denise Pires de Carvalho (UFRJ) e Ricardo Lodi (Uerj), e do vice-presidente jur\u00eddico da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, Daniel Homem de Carvalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mobilizou governo, deputados estaduais e federais, prefeitos e a sociedade civil organizada para ir a Bras\u00edlia na pr\u00f3xima semana pedir a retirada da pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4917) do Estado do Rio que questiona as novas regras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":20021,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7211,27,3],"tags":[],"class_list":["post-20020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-covid-19","category-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20020"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20020\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20022,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20020\/revisions\/20022"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}