{"id":25135,"date":"2021-02-23T09:54:40","date_gmt":"2021-02-23T12:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/?p=25135"},"modified":"2021-02-23T10:11:09","modified_gmt":"2021-02-23T13:11:09","slug":"artigo-educacao-um-tesouro-a-descobrir-por-celso-frauches","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/artigo-educacao-um-tesouro-a-descobrir-por-celso-frauches\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Educa\u00e7\u00e3o: &#8220;um tesouro a descobrir&#8221;, por Celso Frauches"},"content":{"rendered":"<p>Galileu Galilei (1564-1642), no s\u00e9culo 16, j\u00e1 afirmava que \u201cn\u00e3o se pode ensinar nada a um homem; voc\u00ea pode apenas ajud\u00e1-lo a encontrar aquilo que est\u00e1 dentro de si mesmo\u201d. Em pleno s\u00e9culo 21, as escolas e os professores continuam com a ilus\u00e3o de querer \u201censinar\u201d ao educando. De fora para dentro. Ou catequisar, moldar, enquadrar. Tratar uma turma como gado; n\u00e3o se respeita a individualidade, com as \u201craras honrosas exce\u00e7\u00f5es\u201d de sempre.<\/p>\n<p>Jan Amos Komensk\u00fd ou simplesmente Comenius (1592-1670), aconselhava \u201co aprendizado cont\u00ednuo, por toda a vida, e o desenvolvimento do pensamento l\u00f3gico, em vez da simples memoriza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Rousseau (1712-1778), afirmava que \u201cas institui\u00e7\u00f5es educativas corrompem o homem e tiram-lhe a liberdade\u201d e que para \u201ca cria\u00e7\u00e3o de um novo homem e de uma nova sociedade, seria preciso educar a crian\u00e7a de acordo com a Natureza, desenvolvendo progressivamente seus sentidos e a raz\u00e3o com vistas \u00e0 liberdade e \u00e0 capacidade de julgar\u201d. E resumia magistralmente: educa\u00e7\u00e3o centrada no educando.<\/p>\n<figure id=\"attachment_24894\" aria-describedby=\"caption-attachment-24894\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Celso-Frauches.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24894\" src=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Celso-Frauches.jpg\" alt=\"Celso Frauches\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Celso-Frauches.jpg 300w, https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Celso-Frauches-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24894\" class=\"wp-caption-text\">Celso Frauches<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pestalozzi (1746-1827), ignorado na educa\u00e7\u00e3o brasileira, com 42 livros publicados em alem\u00e3o, exemplificava e afirmava, com a autoridade de sua mission\u00e1ria atividade educacional, que \u201cse desejamos ajudar o pobre, o de mais humilde condi\u00e7\u00e3o, isto s\u00f3 se pode conseguir por transformar suas escolas, tornando-as verdadeiros centros de educa\u00e7\u00e3o, nos quais as for\u00e7as morais, intelectuais e f\u00edsicas, que Deus colocou em nossa natureza, possam ser despertadas e desenvolvidas, de sorte que o homem seja capacitado para viver uma vida digna, contente em si mesmo e contente com os outros\u201d.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo 20, em confer\u00eancia realizada em Paris, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) reconheceu que um dos pilares da educa\u00e7\u00e3o para o s\u00e9culo 21 deve ser \u201cAprender a fazer\u201d, para que o educando possa adquirir n\u00e3o somente uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional, mas, de uma maneira mais ampla, compet\u00eancias que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situa\u00e7\u00f5es e a trabalhar em equipe.<\/p>\n<p>Um outro pilar \u2012 Aprender a aprender \u2012, uma educa\u00e7\u00e3o continuada, \u201cpara beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educa\u00e7\u00e3o ao longo de toda a vida\u201d, j\u00e1 era recomendado por Comenius, no s\u00e9culo 16: \u201caprendizado cont\u00ednuo, por toda a vida\u201d.<\/p>\n<p>Ao lado desses dois pilares, outros dois foram recomendados pela Unesco, em 1998, para a educa\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo 21: \u201cAprender a viver juntos\u201d, a fim de desenvolver a compreens\u00e3o do outro e a percep\u00e7\u00e3o das interdepend\u00eancias, para que o educando esteja apto a realizar projetos comuns, trabalhar em equipe e preparar-se para gerir conflitos, \u201cno respeito pelos valores do pluralismo, da compreens\u00e3o m\u00fatua e da paz\u201d. \u201cAprender a ser\u201d \u2012 o quarto pilar \u2012 para melhor desenvolver a personalidade do educando, para habilitar-se em maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal.<\/p>\n<p>Para o \u00eaxito desses pilares, o educador n\u00e3o pode negligenciar nenhuma das potencialidades do educando. H\u00e1 que ser um despertador, estimulador de talentos inatos. Saber ouvir, dialogar, propor e incentivar a reflex\u00e3o sobre os problemas do dia a dia, das realidades diversas de seus disc\u00edpulos. Sem milit\u00e2ncia religiosa, pol\u00edtica, ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o a educa\u00e7\u00e3o nos outros pa\u00edses, exceto por leituras e participa\u00e7\u00e3o em eventos, ao longo desses \u00faltimos quarenta anos. Nunca fui um educador. Fui um \u201cprofessor emergencial\u201d, por um curto per\u00edodo, nos anos 60, em Cantagalo (RJ), no Col\u00e9gio Cenecista, sob a lideran\u00e7a do saudoso amigo Evandro do Valle Moreira, de uma disciplina \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Social e Pol\u00edtica \u2013 h\u00e1 muito eliminada do curr\u00edculo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Mas conhe\u00e7o, razoavelmente, a educa\u00e7\u00e3o brasileira, do jardim de inf\u00e2ncia \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Passados s\u00e9culos de teorias e experi\u00eancias exitosas, como as identificadas, ligeiramente, ao longo deste texto, a educa\u00e7\u00e3o brasileira pode ser identificada como uma das mais atrasadas de nosso planeta, na grande maioria de nossas escolas, p\u00fablicas ou da livre iniciativa. E todos os governos, agora sem exce\u00e7\u00e3o, criam escolas e universidades, fazem reformas do ensino e propagam pela m\u00eddia essas \u201cextraordin\u00e1rias realiza\u00e7\u00f5es\u201d. Mas a educa\u00e7\u00e3o, que deve ser exercida no lar e na escola, apesar da afirmativa em contr\u00e1rio dos ide\u00f3logos, te\u00f3ricos e \u201cprofissionais da educa\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 ignorada, em seus princ\u00edpios mais elementares, \u201cformar cidad\u00e3os e profissionais\u201d que, para se tornarem, realmente, cidad\u00e3os e profissionais t\u00eam que fazer despertar, praticamente, sozinhos, as suas potencialidades latentes, inatas, ao longo da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se nesses 4 pilares se resume a Educa\u00e7\u00e3o, mas certamente s\u00e3o 4 pontos cardeais que nos indicam caminhos para melhorar a Educa\u00e7\u00e3o no Brasil. Mas \u00e9 preciso come\u00e7ar&#8230; J\u00e1!<\/p>\n<p><em>Celso da Costa Frauches \u00e9 professor, escritor, ex-secret\u00e1rio Municipal de Cantagalo e consultor especialista em legisla\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Galileu Galilei (1564-1642), no s\u00e9culo 16, j\u00e1 afirmava que \u201cn\u00e3o se pode ensinar nada a um homem; voc\u00ea pode apenas ajud\u00e1-lo a encontrar aquilo que est\u00e1 dentro de si mesmo\u201d. Em pleno s\u00e9culo 21, as escolas e os professores continuam com a ilus\u00e3o de querer \u201censinar\u201d ao educando. De fora para dentro. 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