{"id":26070,"date":"2021-03-15T10:19:32","date_gmt":"2021-03-15T13:19:32","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/?p=26070"},"modified":"2021-03-15T10:19:32","modified_gmt":"2021-03-15T13:19:32","slug":"artigo-libaneses-por-dr-julio-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/artigo-libaneses-por-dr-julio-carvalho\/","title":{"rendered":"Artigo \u2013 Libaneses por Dr J\u00falio Carvalho"},"content":{"rendered":"<p>Na minha inf\u00e2ncia, os libaneses dominavam o com\u00e9rcio em nossa cidade, cerca de 64% das casas comerciais estavam em suas m\u00e3os. Alguns eram propriet\u00e1rios de lojas com pequeno movimento, todavia a maioria apresentava grande movimento comercial, com prateleiras e vitrines bem sortidas com o que de melhor havia na \u00e9poca. Al\u00e9m disso, os descendentes dos fen\u00edcios sabiam conquistar os fregueses com uma boa conversa, o que \u00e9 important\u00edssimo no ramo.<\/p>\n<p>Na esquina das ruas Rodolfo Albino com Euclides da Cunha, situava-se a loja do Senhor Jacob Nacif, que apresentava caracter\u00edsticas interessantes, vendia g\u00eaneros aliment\u00edcios, produtos de limpeza, material el\u00e9trico e material de constru\u00e7\u00e3o (cimento, ferro, etc.). Sua resid\u00eancia ficava atr\u00e1s da loja, mas a entrada principal era na rua Rodolfo Albino. Depois da resid\u00eancia, havia uma varanda ampla, com port\u00e3o para a Euclides da Cunha, onde era guardado o material de constru\u00e7\u00e3o. Era o \u201cBazar Jacob\u201d mas que todos chamavam de venda do seu Jacob.<\/p>\n<figure id=\"attachment_26072\" aria-describedby=\"caption-attachment-26072\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020-08-07T005807Z_1882595666_RC2O8I942CPH_RTRMADP_3_LEBANON-SECURITY-BLAST-BRAZIL.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26072\" src=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020-08-07T005807Z_1882595666_RC2O8I942CPH_RTRMADP_3_LEBANON-SECURITY-BLAST-BRAZIL.jpg\" alt=\"Homenagem aos imigrantes libaneses no Brasil\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020-08-07T005807Z_1882595666_RC2O8I942CPH_RTRMADP_3_LEBANON-SECURITY-BLAST-BRAZIL.jpg 450w, https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2020-08-07T005807Z_1882595666_RC2O8I942CPH_RTRMADP_3_LEBANON-SECURITY-BLAST-BRAZIL-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26072\" class=\"wp-caption-text\">Homenagem aos imigrantes libaneses no Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na rua Bar\u00e3o de Cantagalo, defronte \u00e0 Ma\u00e7onaria, era situada a Casa da Sorte, da vi\u00fava Sra. Sada Iunes. Dizem que o nome existente na cal\u00e7ada vinha da \u00e9poca do seu marido, que ali vendia bilhetes lot\u00e9ricos. D. Sada, sempre de roupa escura e longa, gostava de ficar sentada depois do balc\u00e3o, conversando com os fregueses que chegavam, enquanto sua filha Da. Raquel e seu genro Sr. Bicharrinha atendiam as pessoas. Era um casal educad\u00edssimo e muito simp\u00e1tico que, depois de muitos anos de casados, foi contemplado com o nascimento da In\u00eas. O pr\u00e9dio de sobrado existe at\u00e9 hoje, ornamentado com figuras de le\u00f5es.<\/p>\n<p>Um pouco mais abaixo, na mesma cal\u00e7ada, A Fluminense, do Sr. Salvador Paulo Richa (Abdo Bulos Richa) e sua esposa Sra. Nazareth Wuardiny Richa, tamb\u00e9m em pr\u00e9dio de sobrado, em poder da fam\u00edlia at\u00e9 hoje. O casal morreu idoso. Com muito trabalho e boa freguesia, criou seis filhos. No per\u00edodo pr\u00e9-natalino, a primeira porta do pr\u00e9dio recebia uma tela, sendo colocado no ch\u00e3o uma infinidade de brinquedos, que fazia a crian\u00e7ada sonhar com Papai Noel. Quem quiser conhecer o estilo de uma casa comercial criada h\u00e1 96 anos basta visitar a loja, que at\u00e9 hoje \u00e9 dirigida pelo filho Sr. Jorge W. Richa, mantendo o mesmo balc\u00e3o e arm\u00e1rios envidra\u00e7ados.<\/p>\n<p>Em local privilegiado, no centro da cidade, defronte \u00e0 Pra\u00e7a dos Melros (hoje Pra\u00e7a Joao XIII) ficava a loja do Sr. Mansur, que durante muitos anos foi membro da Loja Ma\u00e7\u00f4nica Confraternidade Beneficente de Cantagalo. Vendia tecidos, material para aviamentos, etc. Tinha dois tipos de com\u00e9rcio in\u00e9ditos na cidade: vendia os livros did\u00e1ticos adotados pelos professores do extinto Col\u00e9gio Euclides da Cunha e vendia \u00f3culos de grau. Na loja havia um pequeno arm\u00e1rio de vidro, fixado em uma parede, com \u00f3culos de diferentes graus. Quando o cidad\u00e3o sentia alguma defici\u00eancia visual, ia \u00e0 venda do seu Mansur. Era sentado em uma cadeira, recebia um jornal e o seu Mansur ia lhe experimentando os \u00f3culos, mandando que ele procurasse ler o jornal. Quando o cidad\u00e3o lesse, esse era o \u00f3culos ideal. Costumo dizer que ele foi o primeiro oculista da regi\u00e3o. O fregu\u00eas comprava o \u00f3culos e saia feliz! Ap\u00f3s a morte do seu Mansur, o antigo pr\u00e9dio foi demolido e no local foi erguido o edif\u00edcio Mansur. Justa homenagem ao imigrante liban\u00eas, que fez do Brasil sua p\u00e1tria!<\/p>\n<p>Pouco depois da pra\u00e7a da cidade, ficava A Garotinha, de Adib Richa e irm\u00e3os. Sua loja vendia de tudo, de tecidos a m\u00f3veis. Adib veio para o Brasil ainda muito jovem, era um bom poeta, deixando-nos um livro de poesias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25364\" aria-describedby=\"caption-attachment-25364\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Pagina-4-Julio-Carvalho-II-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25364\" src=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Pagina-4-Julio-Carvalho-II-1.jpg\" alt=\"J\u00falio Carvalho \u00e9 m\u00e9dico e ex-vereador em Cantagalo.\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Pagina-4-Julio-Carvalho-II-1.jpg 450w, https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Pagina-4-Julio-Carvalho-II-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25364\" class=\"wp-caption-text\">J\u00falio Carvalho \u00e9 m\u00e9dico e ex-vereador em Cantagalo.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quase defronte a esta\u00e7\u00e3o da E. F. Leopoldina, era a grande loja do Sr. Felipe Jo\u00e3o. Era o grande emp\u00f3rio da cidade, tinha quase 50 metros de loja e de m\u00e1quinas para beneficiar milho e arroz. Do outro lado da rua, onde hoje \u00e9 a pra\u00e7a Zilda Estorani Guzzo, que na \u00e9poca era repleta de f\u00edcus de grande porte, as pessoas que vinham da zona rural amarravam seus animais, estacionavam os carros de bois que vinham repletos de cereais negociados com seu Felipe Jo\u00e3o, o mesmo acontecendo com as tropas de mulas, que descansavam \u00e0 sombra das \u00e1rvores. A fam\u00edlia residia no sobrado, com escada lateral, que existe at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Do outro lado da rua, seu Felipe Jo\u00e3o mantinha uma bomba de gasolina para abastecer os poucos ve\u00edculos da cidade. Mais tarde, seu filho Jamil Japor instalou no local um posto de gasolina da Petrobr\u00e1s, que hoje \u00e9 administrado por alguns dos seus herdeiros.<\/p>\n<p>No morro, atr\u00e1s do seu grande pr\u00e9dio, seu Felipe Jo\u00e3o construiu v\u00e1rias casas populares, que alugava para pessoas de baixos sal\u00e1rios. Hoje \u00e9 o bairro do Felipe Jo\u00e3o, urbanizado pela Prefeitura Municipal de Cantagalo.<\/p>\n<p>Logo depois, era a casa comercial do seu Jos\u00e9 Miguel, homem de boa cultura e muito educado, que falava franc\u00eas, l\u00edngua em que era impresso seu livro de missas. Tinha um bom movimento comercial, sendo auxiliado por seu cunhado Manoel Jorge Farah, tendo a maioria dos ferrovi\u00e1rios como seus fregueses. Tudo era anotado nos cadernos de compras e pago depois que os ferrovi\u00e1rios recebiam seus sal\u00e1rios. Jos\u00e9 Miguel era um verdadeiro diplomata. Lembro-me que, quando garoto, no in\u00edcio do m\u00eas, levava a conta dos servi\u00e7os m\u00e9dicos realizados por meu pai. Ele, imediatamente, pagava e me dizia: \u201c<em>Menino, n\u00e3o v\u00e1 embora. Voc\u00ea deve estar cansado, est\u00e1 muito quente!\u201d<\/em>. Mandava que eu entrasse na sua resid\u00eancia, ao lado da loja, e dizia para sua esposa: <em>\u201cAna colha um figo para esse menino e lhe d\u00ea um copo d\u2019agua da nascente<\/em>\u201d. Gentilmente, Da. Ana me entregava um belo figo, sobre um prato muito branco, colhido na hora e um copo d\u2019agua, quase gelada, apanhada da nascente que brotava da rocha atr\u00e1s da casa.<\/p>\n<p>Felipe Jo\u00e3o e Jos\u00e9 Miguel tinham vis\u00e3o financeira e estavam entre os fundadores e diretores da Caixa Rural de Cantagalo, embri\u00e3o do Banco Agr\u00edcola de Cantagalo.<\/p>\n<p>Muito mais teria para escrever sobre esses extraordin\u00e1rios imigrantes \u00e1rabes crist\u00e3os, que deixaram o L\u00edbano em busca do Brasil, todavia o espa\u00e7o de um artigo \u00e9 limitado, por isso citei apenas algumas fam\u00edlias e fatos que conheci.<\/p>\n<p>Todos eles j\u00e1 est\u00e3o na vida eterna, mas deixaram seus descendentes que continuam inseridos em nossa comunidade, trabalhando para o crescimento e o progresso de Cantagalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>J\u00falio Marcos Carvalho \u00e9 m\u00e9dico e j\u00e1 foi vereador do munic\u00edpio de Cantagalo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na minha inf\u00e2ncia, os libaneses dominavam o com\u00e9rcio em nossa cidade, cerca de 64% das casas comerciais estavam em suas m\u00e3os. 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