{"id":3524,"date":"2013-10-16T17:21:09","date_gmt":"2013-10-16T20:21:09","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2013\/10\/16\/o-verdadeiro-fundador-da-cidade-de-cantagalo\/"},"modified":"2013-10-16T17:21:09","modified_gmt":"2013-10-16T20:21:09","slug":"o-verdadeiro-fundador-da-cidade-de-cantagalo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/o-verdadeiro-fundador-da-cidade-de-cantagalo\/","title":{"rendered":"O verdadeiro fundador da cidade de Cantagalo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><b><u>Cl\u00e9lio&nbsp;Erthal<\/u>*<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Depois de termos analisado a mudan\u00e7a de status vivida pela comunidade cantagalense, quando ela deixou de ser simples vila, e j\u00e1 visando o bicenten\u00e1rio da sua emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, assalta-nos, como sempre, o problema da funda\u00e7\u00e3o da vila.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Afinal, quem fundou a cidade de Cantagalo?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Muita gente ainda acredita que foi M\u00e3o de Luva. Mas M\u00e3o de Luva, na verdade, era um simples bandoleiro que, acompanhado de tr\u00eas irm\u00e3os e v\u00e1rios comparsas, vivia garimpando clandestinamente na regi\u00e3o do Pomba (Zona da Mata, MG), onde morava, sem nenhum prop\u00f3sito de fundar centros urbanos de cunho permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como a regi\u00e3o onde vivia sempre foi pobre de min\u00e9rio, ele e os companheiros resolveram atravessar o Para\u00edba (Rio Para\u00ed\u00adba do Sul) e explorar ouro ilegalmente na Capitania do Rio de Janeiro (talvez por volta de 1780), especialmente nas bacias dos rios Paquequer, Quilombo e Negro, que n\u00e3o eram muito fartas, \u00e9 verdade, mas tinham seus modestos dep\u00f3sitos aluviais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando foram descobertos pelas autoridades (isto \u00e9, pelos militares que, na ocasi\u00e3o, abriam uma picada na margem esquerda do Rio Para\u00edba do Sul), em abril de 1784, os bandoleiros j\u00e1 operavam nos regatos Lavrinhas e S\u00e3o Pedro (por eles mesmos denominado \u2018C\u00f3rrego do Canta Gallo\u2019), onde montaram um garimpo ilegal; na verdade, um amontoado de toscos barracos, como todo garimpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A rigor, n\u00e3o era prop\u00f3sito do grupo criar, no local (mais tarde denominado \u2018Tri\u00e2ngulo\u2019), um n\u00facleo urbano bem estruturado, e sim explorar a riqueza mineral ali existente e, em seguida, abandon\u00e1-lo, em busca de outro lugar mais promissor. Sobretudo em se tratando de ocupa\u00e7\u00e3o ilegal, como era, sem nenhuma garantia de perman\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Evacuado o terreno em maio de 1786, presos os contrabandistas e destru\u00eddos os barracos, o vice-rei D. Luiz de Vasconcellos, imaginando que o lugar fosse muito rico em ouro, deliberou fundar, ali, uma cidade, que seria (na sua concep\u00e7\u00e3o) uma esp\u00e9cie de Vila Rica nas montanhas fluminenses. Nomeou, ent\u00e3o, uma comiss\u00e3o para realizar o projeto, composta por um superintendente, um guarda-mor, um examinador das lavras (t\u00e9cnico em minera\u00e7\u00e3o), um escriv\u00e3o, um tesoureiro e v\u00e1rios soldados, carpinteiros e pedreiros, al\u00e9m de um sacerdote para o divino culto e do dinheiro para cobrir as despesas com o empreendimento. Mas isso, \u00e9 bom deixar bem claro, ocorreu cerca de um ano ap\u00f3s a pris\u00e3o do bando invasor e destrui\u00e7\u00e3o dos barracos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para chefiar a comitiva e comandar a funda\u00e7\u00e3o do n\u00facleo projetado, o vice-rei escolheu o desembargador Manoel Pinto da Cunha e Souza, que, na \u00e9poca, ocupava o cargo de Intendente do Ouro na Capitania e considerado pessoa competente e operosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Chegando ao local, em 2 de junho de 1787 (j\u00e1 ent\u00e3o um carrascal abandonado, s\u00f3 habitado pelo capit\u00e3o Duarte Malha e alguns soldados da guarni\u00e7\u00e3o), o superintendente achou acanhado o lugar para sediar uma cidade destinada a encabe\u00e7ar t\u00e3o grande projeto. Pelo que, at\u00e9 pensou em construir o n\u00facleo na margem do Rio Negro, conforme comunicou ao vice-rei em carta de 12 de julho:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201c&#8230;parece-me muito necess\u00e1rio fazer-se, ali (na margem do rio Negro), o estabelecimento, &#8230;porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil achar entre estas montanhas uma situa\u00e7\u00e3o mais agrad\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o obstante, acabou optando mesmo pelo local antes ocupado pelos bandoleiros, construindo, um pouco mais acima, as obras necess\u00e1rias. Edificou a Casa do Registro do Ouro, o quartel, as resid\u00eancias e uma modesta capela, que acabou sediando a Par\u00f3quia do Sant\u00edssimo Sacramento, em breve criada. Vale dizer: o representante da Coroa, depois de certa hesita\u00e7\u00e3o, deliberou fundar, no pr\u00f3prio s\u00edtio antes ocupado pelos asseclas de M\u00e3o de Luva, a raiz da urbe que, 27 anos depois, seria elevada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de vila (sede do munic\u00edpio) e centro pol\u00edtico de todo o antigo Sert\u00e3o de Macacu.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Sem d\u00favida, futuramente (depois de vencida a tirania da lenda, \u00e9 claro), a popula\u00e7\u00e3o cantagalense cultuar\u00e1 a mem\u00f3ria do superintendente Manoel da Cunha e Souza como o verdadeiro fundador da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">*Cl\u00e9lio Erthal \u00e9 desembargador federal aposentado, pesquisador e escritor de livros sobre a hist\u00f3ria da regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e9lio&nbsp;Erthal* Depois de termos analisado a mudan\u00e7a de status vivida pela comunidade cantagalense, quando ela deixou de ser simples vila, e j\u00e1 visando o bicenten\u00e1rio da sua emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, assalta-nos, como sempre, o problema da funda\u00e7\u00e3o da vila. Afinal, quem fundou a cidade de Cantagalo? Muita gente ainda acredita que foi M\u00e3o de Luva. Mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-3524","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3524\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}