{"id":4478,"date":"2014-06-05T18:58:51","date_gmt":"2014-06-05T21:58:51","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2014\/06\/05\/conheci-mao-de-luva\/"},"modified":"2014-06-05T18:58:51","modified_gmt":"2014-06-05T21:58:51","slug":"conheci-mao-de-luva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/conheci-mao-de-luva\/","title":{"rendered":"Conheci M\u00e3o de Luva"},"content":{"rendered":"<p><i><b><u>Carlos \u00c9lio Maciel Teixeira*<\/u><\/b><\/i><\/p>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o do distrito, em 9 de outubro de 1806; da vila em 9 de mar\u00e7o de 1814; eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria de cidade em 2 de outubro de 1857. S\u00e3o datas importantes no calend\u00e1rio civil do munic\u00edpio de Cantagalo. Quando, em 2 de outubro de 1957, comemorou-se 100 anos da cidade, houve uma grande festa com a presen\u00e7a do governador do estado, Dr. Miguel Couto Filho; do senador Vasconcellos Torres e de in\u00fameras outras autoridades. Era prefeito o senhor Henrique Luiz Frauches, que nomeara uma comiss\u00e3o de professores, escritores e personalidades da terra para cuidar do evento.<\/p>\n<p>Nas duas \u00faltimas administra\u00e7\u00f5es e na atual, preferiu-se comemorar o 9 de mar\u00e7o. O 2 de outubro sempre vinha prejudicado, em decorr\u00eancia das elei\u00e7\u00f5es no in\u00edcio do mesmo m\u00eas, de dois em dois anos. A escolha de 9 de mar\u00e7o passa a ser uma op\u00e7\u00e3o. No entanto, 2 de outubro \u00e9 uma data que n\u00e3o pode ser esquecida.<\/p>\n<p>Em 2057, a cidade vai completar 200 anos de sua exist\u00eancia. Nas datas mencionadas, Cantagalo foi refer\u00eancia na col\u00f4nia e sua influ\u00eancia chegava at\u00e9 a Corte. O imperador D. Pedro nos visitou mais de uma vez. Tivemos os nossos bar\u00f5es, de Cantagalo e de Nova Friburgo, que tamb\u00e9m nasceu aqui. A Igreja Matriz, o Palacete do Gavi\u00e3o, o jardim, o pr\u00e9dio do F\u00f3rum, a estrada de ferro e as fazendas de caf\u00e9 s\u00e3o rel\u00edquias que refletem e guardam tra\u00e7os fortes da cultura e do desenvolvimento de um povo.<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o da maioria das cidades se d\u00e1 por acaso. Se podemos retroceder, voltar no tempo, \u00e0s suas origens, nelas encontraremos as figuras dos seus fundadores. \u00c9 o que veremos, mais adiante, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Cantagalo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria fala das Entradas e Bandeiras, expedi\u00e7\u00f5es que visavam conhecer o interior do Brasil, descobrir pedras e metais preciosos. Devemos a elas a amplia\u00e7\u00e3o de nossas fronteiras, al\u00e9m do que estabelecia o Tratado de Tordesilhas. N\u00e3o fogem de nossas mem\u00f3rias de estudantes as figuras lend\u00e1rias de Fern\u00e3o Dias, Paes Leme (O Ca\u00e7ador de Esmeraldas) e Bartolomeu Bueno da Silva (O Anhanguera).<\/p>\n<p>O nosso her\u00f3i, Manoel Henriques, comandava uma expedi\u00e7\u00e3o com o mesmo desejo. No banco da escola, com imagina\u00e7\u00e3o, convidamos a todos para lembrarmos de Manoel Henriques, o M\u00e3o de Luva, fundador da cidade de Cantagalo. Com seu perfil aventureiro, sertanista, desbravados, de bandeirante, chegou, com seus companheiros. O objetivo do garimpar ouro, por aluvi\u00e3o, embrenhando-se neste vast\u00edssimo sert\u00e3o \u00e9 a sua saga. Foi o primeiro e sua presen\u00e7a na hist\u00f3ria \u00e9 verdadeira. Atraiu para c\u00e1 os olhos e a aten\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia. Um explorador obstinado. Sua vida n\u00e3o foi uma vida de transgress\u00e3o. Praticar o garimpo sem passar \u00e0 Coroa a quinta parte exigida seria o seu crime. Que outro achou neste territ\u00f3rio?<\/p>\n<p>Garimpar exige conhecimento, equipamentos, intui\u00e7\u00e3o, perseveran\u00e7a, contato com a natureza e muito trabalho. A febre do outro, em todo mundo, tornava regi\u00f5es antes pacatas em verdadeiras \u00e1reas de turbul\u00eancia, dando origem \u00e0 sua coloniza\u00e7\u00e3o. A not\u00edcia do precioso metal atrai. A \u00e1rea ficou infestada de garimpeiros. Perante as autoridades, todos que permaneciam eram chamados facinorosos. At\u00e9 jesu\u00edtas haviam explorado a terra sem a devida permiss\u00e3o. Certamente que cumpriam seu papel de catequizar e fundar cidades.<\/p>\n<p>Conta-se que M\u00e3o de Luva, em todos os seus contatos com as pessoas e seus seguidores, ensinava alguma coisa aprendida com os pr\u00f3prios jesu\u00edtas. Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, participou, em 1784, de uma expedi\u00e7\u00e3o como encarregado de mapear o territ\u00f3rio, que j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito tempo. \u00c9 poss\u00edvel que Tiradentes tenha observado o sentimento desbravador do famoso garimpeiro. Tiradentes, mais tarde, foi morto e esquartejado, no Rio de Janeiro, por querer a independ\u00eancia do Brasil, em 1792. Vejam!<\/p>\n<p>Os fatos, as evid\u00eancias, apontam para M\u00e3o de Luva. Ele n\u00e3o sabia o que estava fazendo, mas sabemos o que ele fez! No seu sonho de garimpo, deu origem a uma cidade chamada Cantagalo. Na madrugada fria da floresta, em canto prolongado, ecoando por todo o sert\u00e3o, anuncia que, na casa do galo tem gente, \u00e0s quatro horas da manh\u00e3. Nasce um novo dia, uma nova era. M\u00e3o de Luva \u00e9 preso, levado e seu acampamento, um pequeno n\u00facleo, pilhado. O \u201cassentamento\u201d de M\u00e3o de Luva ficava pr\u00f3ximo \u00e0 conflu\u00eancia de dois c\u00f3rregos, hoje, o S\u00e3o Pedro e o Lavrinhas, mais precisamente onde se situa a Pra\u00e7a Zilda Estorani Guzzo. O passo seguinte da col\u00f4nia foi mandar construir a Casa do Ouro, no mesmo local, com a finalidade de recolher a cota da Coroa. N\u00e3o logrou sucesso.<\/p>\n<p>O canto do galo ficou, dando origem ao nome Cantagalo. E o galo, s\u00edmbolo da terra, continua cantando forte, esculpido pelo ilustre e saudoso cantagalense Hon\u00f3rio Pe\u00e7anha, erguido na Pra\u00e7a Miguel de Carvalho, ao lado do pr\u00e9dio da Prefeitura Municipal. Escondido, poderia ser transferido para a Pra\u00e7a Zilda Estorani Guzzo, no in\u00edcio da cidade, como um gesto de boas-vindas. A referida pra\u00e7a est\u00e1 sofrendo reformas de embelezamento pela municipalidade e, receber um marco alusivo a Manoel Henriques, o M\u00e3o de Luva, seria louv\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 chegado o momento de reconhecermos Manoel Henriques, o M\u00e3o de Luva, como o leg\u00edtimo fundador da cidade de Cantagalo, em 1780!<\/p>\n<p>Uma consulta aos historiadores e a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto de lei municipal estabeleceria o bom senso a respeito.<\/p>\n<p>Opine e divulgue sem modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><b><i>*Carlos \u00c9lio Maciel Teixeira \u00e9 servidor p\u00fablico municipal aposentado. J\u00e1 foi chefe de Gabinete da Prefeitura de Cantagalo e presidente do Instituto de Pens\u00e3o e Aposentadoria Municipal de Cantagalo (Ipam).<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos \u00c9lio Maciel Teixeira* Cria\u00e7\u00e3o do distrito, em 9 de outubro de 1806; da vila em 9 de mar\u00e7o de 1814; eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria de cidade em 2 de outubro de 1857. S\u00e3o datas importantes no calend\u00e1rio civil do munic\u00edpio de Cantagalo. 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