{"id":4503,"date":"2014-06-13T17:33:52","date_gmt":"2014-06-13T20:33:52","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2014\/06\/13\/os-grandes-cafezais-de-outrora\/"},"modified":"2014-06-13T17:33:52","modified_gmt":"2014-06-13T20:33:52","slug":"os-grandes-cafezais-de-outrora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/os-grandes-cafezais-de-outrora\/","title":{"rendered":"Os grandes cafezais de outrora"},"content":{"rendered":"<p>Quem se dedica ao estudo da hist\u00f3ria cantagalense, logo verifica que a evolu\u00e7\u00e3o do lugar foi marcada por quatro ciclos econ\u00f4micos perfeitamente definidos: o do ouro, o do caf\u00e9, o da pecu\u00e1ria e o do cimento. O primeiro, embora importante, porque motivou a ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, foi fugaz e enganador, ensejando o desencanto de muitos povoadores iniciais. O terceiro e o quarto foram not\u00e1veis e at\u00e9 decisivos para o progresso do lugar, mas deixam de ser aqui considerados, porque n\u00e3o foram espec\u00edficos da \u00e1rea ou se manifestaram em \u00e9pocas mais recentes.<\/p>\n<p>Neste espa\u00e7o, vamos ventilar apenas o ciclo do caf\u00e9, que foi o mais importante de todos e o que mais proje\u00e7\u00e3o deu \u00e0 cidade de Cantagalo.<\/p>\n<p>Depois de haverem inundado os morros do Rio de Janeiro (enfeitando, inclusive, o bras\u00e3o de armas do Imp\u00e9rio), os cafeeiros subiram a serra de Friburgo e invadiram os antigos sert\u00f5es do Macacu com uma f\u00faria inaudita. Os primeiros exemplares entraram na regi\u00e3o em princ\u00edpios do s\u00e9culo XIX, certamente como esp\u00e9cimes ex\u00f3ticas de viveiros preparat\u00f3rios de futuras lavouras, espalhando-se rapidamente nos anos subsequentes. Quando John Mawe visitou a \u00e1rea, em 1809, j\u00e1 encontrou muitas planta\u00e7\u00f5es de vulto, como a do tenente Joaquim Jos\u00e9 Soares, nas \u201cLavrinhas, e a do a\u00e7oriano Manoel Jos\u00e9 Pereira, na fazenda \u201cRancharia\u201d (hoje Monnerat), onde havia \u201ccinco mil p\u00e9s de caf\u00e9 em pleno crescimento\u201d.<\/p>\n<p>Mas a grande expans\u00e3o do caf\u00e9 ocorreu mesmo a partir de 1820, com a chegada do portugu\u00eas Ant\u00f4nio Clemente Pinto (futuro bar\u00e3o de Nova Friburgo) como simples sesmeiro. Segundo consta, ele come\u00e7ou a epopeia na fazenda de \u201cAreias\u201d, em Boa Sorte, plantando, ali, as primeiras lavouras, que acabaram se estendendo \u00e0s demais propriedades que foi adquirindo nos anos seguintes, como \u201cS\u00e3o Clemente\u201d, \u201cBoa Sorte\u201d, \u201cLaranjeiras\u201d e outras desse porte (h\u00e1 quem diga, certamente com algum exagero, que chegou a possuir, na regi\u00e3o, 21 fazendas), acabando por construir numa delas (\u201cGavi\u00e3o\u201d) a mais suntuosa sede rural do Brasil-Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Seguindo os passos do not\u00e1vel empres\u00e1rio luso, muitos outros fazendeiros tamb\u00e9m plantaram imensos cafezais, derrubando matas e lan\u00e7ando bases de grandes fazendas, que acabaram bordando toda a regi\u00e3o. E, assim, o grande munic\u00edpio de Cantagalo, que cerca de um s\u00e9culo antes era mero sert\u00e3o inculto, habitado s\u00f3 por \u201c\u00edndios brabos\u201d, transformou-se na meca do caf\u00e9 e terra de opulentos bar\u00f5es, haja vista que a regi\u00e3o chegou a possuir cerca de 20 titulares do Imp\u00e9rio!<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, em meados do s\u00e9culo XIX, o munic\u00edpio desbancou Vassouras, antes \u201crainha do caf\u00e9\u201d, e a ent\u00e3o Prov\u00edncia do Rio de Janeiro, gra\u00e7as \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de Cantagalo, suplantou a de S\u00e3o Paulo e a de Minas, assumindo a lideran\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em todo o territ\u00f3rio nacional. Segundo Roberto Simonsen, a Prov\u00edncia Fluminense, ent\u00e3o batida por elas, disparou na frente, com 77,12% da produ\u00e7\u00e3o brasileira, contra 13,82% de S\u00e3o Paulo e 7,63% de Minas Gerais. Em 1860, essa porcentagem subiu para 81,57%, num total de 8.746.361 arrobas.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o desse avan\u00e7o, a sociedade cresceu (a despeito do regime escravocrata, que tamb\u00e9m aumentou), com a eleva\u00e7\u00e3o da vila \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cidade, em 1857; introdu\u00e7\u00e3o da ferrovia, em 1876; novos jornais, teatro (1878); um grandioso templo cat\u00f3lico (1876); v\u00e1rios col\u00e9gios e empresas de express\u00e3o. Em suma: o lugar acabou alcan\u00e7ando grande proje\u00e7\u00e3o, sobretudo na Europa, de onde vieram pr\u00edncipes, cientistas e viajantes s\u00f3 para conhec\u00ea-lo. Alguns dos seus habitantes chegaram a angariar fama at\u00e9 no exterior, como o conde de S\u00e3o Clemente, que recebeu comendas de v\u00e1rios pa\u00edses, tal a import\u00e2ncia do ciclo do caf\u00e9 na hist\u00f3ria cantagalense.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><b><i>*Cl\u00e9lio Erthal \u00e9 desembargador federal aposentado, pesquisador, escritor e autor de v\u00e1rios livros sobre a hist\u00f3ria dos munic\u00edpios da regi\u00e3o.<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem se dedica ao estudo da hist\u00f3ria cantagalense, logo verifica que a evolu\u00e7\u00e3o do lugar foi marcada por quatro ciclos econ\u00f4micos perfeitamente definidos: o do ouro, o do caf\u00e9, o da pecu\u00e1ria e o do cimento. 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