{"id":4995,"date":"2014-09-17T21:10:08","date_gmt":"2014-09-18T00:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2014\/09\/17\/a-derrocada-do-barao\/"},"modified":"2014-09-17T21:10:08","modified_gmt":"2014-09-18T00:10:08","slug":"a-derrocada-do-barao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/a-derrocada-do-barao\/","title":{"rendered":"A derrocada do bar\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dentre os integrantes ilustres da sociedade cantagalense no s\u00e9culo XIX, inclu\u00eda-se Augusto de Souza Brand\u00e3o, o Bar\u00e3o de Cantagalo. Al\u00e9m de integrar estirpe nobre (a mesma dos bar\u00f5es de Porto Novo e Aparecida), ele era forte comerciante na pra\u00e7a e atuante pol\u00edtico, tornando-se, inclusive, chefe do Partido Liberal e presidente da C\u00e2mara local mais de uma vez. Nessa \u00faltima posi\u00e7\u00e3o, cuidou, entre outros melhoramentos, de cal\u00e7ar a principal rua da cidade, que ainda guarda seu nome, e de arborizar a bela pra\u00e7a que hoje se chama Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p>Homem progressista e din\u00e2mico, o bar\u00e3o pretendeu transformar sua fazenda Santana (800 alqueires de terras, que davam um total de duas sesmarias) em propriedade modelo, grande centro cafeeiro. Para tanto, contraiu um empr\u00e9stimo de 250 contos de r\u00e9is junto a algumas institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, notadamente Miranda Velloso &amp; Cia. e Paulino Tinoco, que operavam no setor de comissariado do caf\u00e9 no Rio de Janeiro. A t\u00edtulo de garantia, ofereceu a hipoteca da fazenda.<\/p>\n<p>Sobrevindo a extin\u00e7\u00e3o do regime servil em 1888 e a consequente perda dos numerosos escravos que possu\u00eda, ele n\u00e3o teve como colher o caf\u00e9 que plantou e nem pagar a d\u00edvida que contraiu. Em consequ\u00eancia, rompeu com o Imp\u00e9rio, apontando-o como causador do rev\u00e9s que sofreu, e aderiu, com for\u00e7a, \u00e0 campanha republicana, inscrevendo-se, como grande for\u00e7a pol\u00edtica, no clube de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Para\u00edba.&nbsp;<\/p>\n<p>Falecendo pouco depois do evento, deixou para os dois filhos, ent\u00e3o integrantes da firma Augusto Brand\u00e3o Filho &amp; Irm\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o do problema.<\/p>\n<p>Augusto Brand\u00e3o Filho, que era m\u00e9dico conceituado, dirigiu, em nome da firma, uma carta a Jos\u00e9 Heggendorn Monnerat, dono da fazenda S\u00e3o Jo\u00e3o e outras em Duas Barras, em 25 de setembro de 1900, solicitando um empr\u00e9stimo no referido valor para saldar as d\u00edvidas. Como garantia, oferecia a hipoteca da Fazenda Santana, cujos v\u00ednculos anteriores deveriam ser desfeitos com o pagamento dos d\u00e9bitos.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Monnerat, que era empres\u00e1rio astuto, procurou, antes, sondar os riscos do neg\u00f3cio: escreveu aos credores do falecido bar\u00e3o, informando-se das d\u00edvidas, e percorreu a fazenda para verificar a solidez da garantia oferecida. Por fim, verificando que melhor neg\u00f3cio seria deixar que se consumasse a execu\u00e7\u00e3o. Escreveu ao Dr. Augusto Brand\u00e3o, em 29 de setembro seguinte, comunicando-lhe que n\u00e3o poderia aceitar a proposta, e assim foi feito: no dia aprazado, compareceu ao leil\u00e3o e arrematou a Fazenda de Santana por pre\u00e7o muito inferior ao montante que lhe fora solicitado a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo. Tanto que acabou pagando a propriedade com o produto da colheita nela mesmo procedida naquele ano!<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o disso, ao mesmo tempo que a fam\u00edlia do antigo bar\u00e3o emigrava de Cantagalo, levando o menino igualmente chamado Augusto e que, mais tarde, seria uma das gl\u00f3rias (vindo, inclusive, a merecer o t\u00edtulo de \u201cpr\u00edncipe dos cirurgi\u00f5es brasileiros\u201d), a Fazenda Santana passou a ser administrada por Sebasti\u00e3o Monnerat Lutherbach, genro do arrematante, que acabou deixando nome na hist\u00f3ria do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de presidente da C\u00e2mara nos anos de 1920\/1921, Sebasti\u00e3o Lutherbach destacou-se como administrador da fazenda (que enfeitou com novas constru\u00e7\u00f5es, nela introduzindo gado guzer\u00e1 de qualidade) e como inovador agroindustrial, participando, diretamente, da Exposi\u00e7\u00e3o de Cordeiro de 1920 e da cria\u00e7\u00e3o do Partido Rural, de grande aceita\u00e7\u00e3o na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Os filhos Tito, Augusto e Homero, embora apol\u00edticos, ainda deram sequ\u00eancia \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas da fam\u00edlia. Mas Santana, outrora vasta e produtiva fazenda, acabou, com o tempo, retalhada entre os herdeiros e sucessores, n\u00e3o passando, hoje, de mais um centro habitacional do munic\u00edpio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>*Cl\u00e9lio Erthal \u00e9 ex-funcion\u00e1rio da Justi\u00e7a, tendo ocupado cargos de vulto, como desembargador e juiz, al\u00e9m de pesquisador da hist\u00f3ria de Cantagalo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre os integrantes ilustres da sociedade cantagalense no s\u00e9culo XIX, inclu\u00eda-se Augusto de Souza Brand\u00e3o, o Bar\u00e3o de Cantagalo. 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