{"id":5144,"date":"2014-10-23T19:58:18","date_gmt":"2014-10-23T21:58:18","guid":{"rendered":"http:\/\/playartedesign.com\/jornaldaregiao\/2014\/10\/23\/nao-ha-inocente-oito-milhoes-ja-pagaram-propinas\/"},"modified":"2014-10-23T19:58:18","modified_gmt":"2014-10-23T21:58:18","slug":"nao-ha-inocente-oito-milhoes-ja-pagaram-propinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaregiao.com\/ajustes\/nao-ha-inocente-oito-milhoes-ja-pagaram-propinas\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 inocente. Oito milh\u00f5es j\u00e1 pagaram propinas"},"content":{"rendered":"<p>01 \u2013 Diz o nosso correspondente que o \u201csabe de nada, inocente\u201d, no Brazilquist\u00e3o, s\u00f3 tem sentido quando se quer debochar de algu\u00e9m. O povo majoritariamente sabe muito bem o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado, ou seja, tem no\u00e7\u00e3o muito boa sobre o que \u00e9 \u00e9tico e moralmente adequado, embora viva mergulhado na corrup\u00e7\u00e3o e na malandragem. Pesquisa do Datafolha de 2009 revelou que 94% acham errado oferecer propina e vender o voto. Na teoria, dizem os nativos, somos muito parecidos com a Escandin\u00e1via (chamamos isso aqui na nossa Ilha de Brazildin\u00e1via). Na pr\u00e1tica, somos outro tipo de gente: somos mesmo do Brazilquist\u00e3o. A pesquisa mostrou que 13% dos ouvidos (maiores de 16 anos) j\u00e1 trocaram voto por emprego, por dinheiro ou por presente (dentadura, saco de cimento, uma licita\u00e7\u00e3o, fornecimento de materiais a uma grande empresa, etc.). Num universo de 150 milh\u00f5es de pessoas (maiores de 16 anos), 13% significam quase 20 milh\u00f5es! Outros 12% afirmaram estarem sempre dispostos a aceitar dinheiro para mudar o voto; 79% acreditam que os eleitores vendem seus votos; 33% dos entrevistados concordam que n\u00e3o se faz pol\u00edtica sem um pouco de corrup\u00e7\u00e3o; 92% acreditam que h\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o no Congresso e nos partidos pol\u00edticos; para 88%, na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e nos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>02 \u2013 Dos entrevistados, 13% j\u00e1 ouviram pedido de propina (isso significa quase 20 milh\u00f5es de pessoas) e 36% destes (quase oito milh\u00f5es de pessoas) j\u00e1 pagaram; 5% (7,5 milh\u00f5es de pessoas) j\u00e1 ofereceram propina a funcion\u00e1rio p\u00fablico; 4% (seis milh\u00f5es) pagaram para serem atendidos antes em servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade; 2% (tr\u00eas milh\u00f5es) compraram carteira de motorista; 1% (1,5 milh\u00e3o de pessoas) compraram diploma falso. Mais: 83% (125 milh\u00f5es de pessoas) admitiram ao menos uma pr\u00e1tica ileg\u00edtima ao responder a pesquisa (7% reconheceram a pr\u00e1tica de 11 ou mais a\u00e7\u00f5es ileg\u00edtimas, admiss\u00e3o considerada \u201cpesada\u201d; 28% dizem ter praticado de cinco a dez a\u00e7\u00f5es; 49% tiveram uma conduta \u201cleve\u201d, com at\u00e9 quatro irregularidades). A pesquisa ainda mostra que 31% dos entrevistados (quase 50 milh\u00f5es de pessoas) colaram em provas ou concursos (49% entre os jovens); 27% receberam troco a mais e n\u00e3o devolveram; 26% admitiram passar o sinal vermelho; 14% assumiram parar carro em fila dupla. Dos entrevistados, 68% compraram produtos piratas (mais de 105 milh\u00f5es de pessoas); 30% compraram contrabando; 27% baixaram m\u00fasica da internet sem pagar; 18% compraram de cambistas; 15% baixaram filme da internet sem pagar.<\/p>\n<p>S\u00e3o os mais ricos e mais estudados os que t\u00eam as maiores taxas de infra\u00e7\u00f5es (97% dos que ganham mais de dez m\u00ednimos assumem ter cometido infra\u00e7\u00f5es e 93% daqueles que t\u00eam ensino superior tamb\u00e9m), sendo que 17% dos mais ricos assumem frequ\u00eancia pesada de irregularidades (11 ou mais atos). Entre os mais pobres, 76% assumem infra\u00e7\u00f5es; dos que t\u00eam s\u00f3 o ensino fundamental, 74% afirmam o mesmo. Apesar disso, 74% dizem que sempre respeitam as leis, mesmo se perderem oportunidades. E 56% afirmam que a maioria tentaria tirar proveito de si, caso tivesse chance.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>*Luiz Fl\u00e1vio Gomes \u00e9 jurista e professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01 \u2013 Diz o nosso correspondente que o \u201csabe de nada, inocente\u201d, no Brazilquist\u00e3o, s\u00f3 tem sentido quando se quer debochar de algu\u00e9m. 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