“04 de agosto – Data importante”, por Julio Carvalho

Existem dias do calendário que se tornam datas importantes da história, da sociedade ou das famílias; 04 de agosto é um desses dias, embora passe despercebido para muitas pessoas.

No dia 04 de agosto de 1789, em Paris, ocorreu um dos acontecimentos mais importantes da humanidade; a Assembleia Nacional Constituinte, fruto da Revolução Francesa, determinou o fim do feudalismo, sistema que permitia a exploração dos camponeses pelos donos das terras, principalmente pelos nobres.

Os três pilares da Revolução Francesa eram: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, embora 237 anos depois, estes princípios estejam apenas no papel na maior parte do mundo.

Fala-se muito em liberdade, todavia as leis coercitivas apareçam por toda parte. Anuncia-se igualdade, enquanto as desigualdades sociais e raciais se espalham por todo canto do planeta Terra. Fraternidade, linda palavra, que se origina de frate, irmão, e a cada dia a mídia noticia países ricos e mais poderosos invadindo e bombardeando nações mais fracas, assassinando inocentes, por motivos injustos, em geral levados por interesses financeiros. Infelizmente, é o que se observa no terceiro milênio.

Para amenizar, a data de 04 de agosto nos lembra um acontecimento repleto de humanismo: a vida e obra de João Maria Vianney. Cidadão conhecido por poucos e desconhecido pela maioria.

João Maria Vianney nasceu na França, no ano de 1786, em um pequeno povoado denominado Dardilly, filho de camponeses pobres que viviam no tempo do feudalismo. Em virtude das dificuldades da época, João Maria permaneceu analfabeto até a idade de 17 anos; dizem que também era pouco inteligente, desertou do exército de Napoleão porque não conseguia acertar o passo durante os exercícios de marcha.

Religioso e muito piedoso, contrariando a vontade do pai, resolveu ingressar no seminário, onde tinha muita dificuldade com o estudo da filosofia e da teologia, bem como com o latim, matérias fundamentais na formação de um padre católico.

Apesar de todas essas dificuldades, foi ordenado sacerdote católico, exercendo o ministério sacerdotal, inicialmente, junto ao Padre Balley, que foi seu grande amigo e orientador.

Posteriormente, foi designado vigário de uma insignificante paróquia, que contava apenas com 230 pessoas, denominada Ars. Dizem que, ao ser nomeado, o bispo lhe disse: “Não há muito amor a Deus naquela paróquia.” Foi o que o Padre João Maria Vianney conseguiu levar para aquela localidade, irmanando-se aos pobres, visitando os casebres, assistindo aos enfermos, distribuindo os sacramentos do catolicismo e realizando suas pregações religiosas.

Permanecia no confessionário cerca de 17 horas sem se alimentar, ouvindo pacientemente os fiéis, procurando orientá-los nos ensinamentos de Cristo. Sua fama como confessor se tornou tão grande na França que católicos de outras localidades se deslocavam até Ars para se confessarem e receberem a absolvição de seus pecados. Desse modo, a paróquia de 230 fiéis tornou-se um centro de peregrinação católica, mundialmente conhecido.

João Maria Vianney, durante toda sua vida, demonstrou grande amor por Maria Santíssima, mãe de Jesus e dos sacerdotes; aos quatro anos de idade, recebeu de sua mãe uma pequena imagem de madeira de Nossa Senhora, que guardou para sempre e levava junto ao seu corpo.

João Maria Vianney faleceu aos 73 anos, no dia 04 de agosto de 1859. 45 anos depois, em 1904, ao ser exumado, seu corpo estava incorrupto, ressecado e escurecido, sem sofrer putrefação, sendo mantido, até hoje, numa urna de vidro na capela de Châsse.

Seu coração, que se encontrava em perfeito estado de conservação, foi retirado do corpo e colocado em um relicário, em uma capela separada.

Em 1925, o Papa Pio XI canonizou João Maria Vianney e, em 1929, o considerou padroeiro dos sacerdotes do mundo inteiro.

Roguemos a Deus para que os exemplos de caridade, piedade, ensinamento, dedicação ao confessionário, castidade e amor aos necessitados estejam presentes em cada sacerdote no dia 04 de agosto e por toda a existência.

A vida de São João Maria Vianney jamais foi surpresa para mim, uma vez que tudo já estava previsto no Evangelho de Lucas, quando Cristo disse: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.” (Lc 10.21).

São João Maria Vianney foi um pequenino que se agigantou na fé!

Júlio Carvalho.

Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo e atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo
Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo. Atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo e vice-prefeito de Cantagalo

Ver anterior

“O que você está adiando enquanto espera o momento certo?”, por Jalme Pereira

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Populares

error: Conteúdo protegido !!