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Jornal da Região

Alunos de Arquitetura da Estácio desenvolvem propostas para reduzir riscos de desastres em Nova Friburgo

Em parceria com a Prefeitura, estudantes participam de projeto-piloto nacional e elaboram soluções urbanas a partir das demandas de moradores de áreas vulneráveis

Transformar problemas reais da cidade em objeto de estudo e, ao mesmo tempo, desenvolver propostas que possam contribuir para a qualidade de vida da população. Essa é a proposta de uma parceria entre a Estácio Nova Friburgo e a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável (SMADUS), que integra estudantes de Arquitetura e Urbanismo ao Projeto DUI-RRD Cidades — Desenvolvimento Urbano Integrado com foco na Redução de Riscos de Desastres.

A iniciativa faz parte de um projeto nacional desenvolvido pelo Ministério das Cidades e pela Fiocruz, dentro do programa Cidades Verdes Resilientes, e tem Nova Friburgo entre os seis municípios piloto selecionados no país. Na universidade, os alunos trabalham com dados e situações concretas do território, especialmente em áreas vulneráveis, aproximando a formação acadêmica das necessidades da população.

“O papel da universidade não é apenas formar profissionais para o mercado, mas também formar cidadãos capazes de compreender o território onde vivem e atuar sobre problemas que afetam a coletividade. Quando o aluno trabalha com uma situação real, conversa com moradores, analisa dados e precisa pensar em soluções possíveis para aquele lugar, o aprendizado ganha uma dimensão completamente diferente”, explica o arquiteto Marcelo Monteiro, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio em Nova Friburgo.

O trabalho tem como foco-piloto o bairro Duas Pedras, com conexões com a região da Chácara do Paraíso. Antes de elaborar as propostas, os estudantes participaram de processos de escuta com moradores, buscando compreender as dificuldades enfrentadas no cotidiano e incorporar as demandas da comunidade ao diagnóstico e ao desenvolvimento dos projetos.

Entre as propostas estudadas está a implantação de uma passarela para pedestres sobre o Rio Bengalas, com o objetivo de criar uma alternativa mais segura para o deslocamento de estudantes entre as escolas e o ponto de ônibus, evitando trechos de circulação próximos a vias de tráfego intenso.

“Uma das questões mais importantes desse tipo de trabalho é entender que o projeto urbano não começa no desenho. Ele começa na escuta. O morador conhece o território de uma maneira que nenhum mapa consegue reproduzir sozinho. A partir dessa combinação entre conhecimento técnico e conhecimento local, conseguimos pensar em intervenções mais adequadas à realidade daquele lugar”, destaca Monteiro.

Da sala de aula para o território

Além da passarela, os estudantes desenvolveram propostas para a requalificação da Praça da Rodoviária Norte, com a previsão de espaços voltados à convivência e ao lazer, incluindo áreas destinadas a crianças e idosos. O diagnóstico considera também as características demográficas da região, com atenção à presença significativa da população idosa apontada pelo Censo 2022.

Outra frente de estudo envolve o Córrego do Mosquito, onde são avaliadas estratégias de recuperação ambiental, como desassoreamento e implantação de parque inundável, além de soluções de bioengenharia para contribuir com a estabilização de encostas.

As propostas estão relacionadas ao conceito de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), que busca utilizar ou recuperar processos naturais para enfrentar desafios urbanos, como drenagem, alagamentos, erosão e instabilidade do solo.

Para Marcelo, a experiência também amplia a compreensão dos futuros arquitetos sobre a responsabilidade envolvida no planejamento das cidades.

“Quando falamos de áreas de risco, não estamos falando apenas de infraestrutura. Estamos falando de pessoas, de trajetos cotidianos, de crianças indo para a escola, de famílias que vivem em determinados territórios e precisam estar protegidas. O arquiteto e urbanista precisa compreender essa dimensão social do seu trabalho”, afirma.

O projeto também proporciona aos estudantes contato com ferramentas e métodos utilizados no planejamento urbano, incluindo análise cartográfica, sistemas de informação geográfica e elaboração de diagnósticos e propostas de intervenção. O material produzido no ateliê acadêmico parte das informações levantadas no território e das discussões realizadas com a comunidade.

“É uma oportunidade para o estudante perceber que aquilo que ele aprende na sala de aula tem consequência direta no espaço onde as pessoas vivem. Ele passa a entender o projeto não como um exercício isolado, mas como uma ferramenta de transformação urbana”, acrescenta o coordenador.

A parceria entre universidade e poder público aproxima, assim, formação acadêmica, conhecimento técnico e demandas locais em um município que carrega uma trajetória marcada por eventos climáticos extremos. Para a Estácio, a participação no projeto reforça o papel da extensão universitária como instrumento de aproximação entre a instituição e a comunidade.

“Mais do que desenvolver propostas para um exercício acadêmico, os estudantes são convidados a olhar para Nova Friburgo a partir de seus desafios concretos e pensar em alternativas que conciliem segurança, preservação ambiental, mobilidade e qualidade dos espaços públicos”, conclui Marcelo.

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