Douglas Ruas realiza encontro em Bom Jardim com prefeitos da região
Nova Friburgo surge no cenário da antiga Província do Rio de Janeiro mediante decreto de D. João VI, ao criar a Colônia Nova Friburgo, na Fazenda do Morro Queimado, em território de Cantagalo, em 1818. A Colônia fora criada para receber duzentas famílias do Cantão de Fribourg, Suíça.

Segundo Martin Nicoulin, em A gênese de Nova Friburgo – Emigração e Colonização Suíça no Brasil (Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1995, p. 34/35), “penúria e fome grassaram na Suíça entre 1816/1817, especialmente, no Cantão de Fribourg, onde o aumento do custo de vida provocou a fome. A consequência dessa situação desastrosa não se fez esperar. Milhares de suíços desertaram a pátria que não conseguia lhes oferecer, apesar do esforço, o pão de cada dia”.
Sébastien-Nicolas Gachet, como emissário do governo de Fribourg, veio ao Brasil com a missão de propor a D. João VI a vinda de uma leva de emigrantes suíços para o Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro em outubro de 1817.
O Tratado da Colonização foi firmado por D. João VI e o representante de Fribourg. Esse documento diplomático prevê a condições para o nascimento de uma cidade, no distrito de Cantagalo, na Província do Rio de Janeiro que “Sua Majestade, por um efeito de sua bondade, dá-lhe o nome de Nova Friburgo”.

Nicoulin registra em seu livro que Nova Friburgo não foi fundada “por suíços livres, mas ao contrário, por aqueles que a sociedade helvética não queria assimilar. Não é à liberdade, mas a uma operação policial que Nova Friburgo deve sua existência” (p. 59). Alguns protestantes são admitidos para a nova colônia, contrariando o tratado que somente previa “católicos apostólicos romanos” (p. 93).
Assim nasceu Nova Friburgo, a metrópole da nossa região, dos moradores em Cantagalo, Macuco, Cordeiro, Duas Barras, Bom Jardim.
O patriarca de minha família – Jean Abram Frauche, registrado como João Abrom Frauche – era um dos imigrantes suíços, com dezessete anos de idade e sem profissão. Um daqueles que “a sociedade helvética não queria assimilar”. Migrou para Cantagalo, em 1821, onde se casou com a também imigrante, Anne Marie Lugon-Moulin, conforme relata Henrique Bon, médico, pesquisador e escritor cantagalense, no seu enciclopédico livro “Imigrantes – A saga de primeiro movimento migratório organizado rumo ao Brasil às portas da independência” (Nova Friburgo, RJ: Imagem Virtual, 2004, p. 449).
Nas décadas de 40 e 50, Nova Friburgo exercia enorme fascínio para os habitantes de Bom Jardim, Cantagalo, Duas Barras e Cordeiro, entre outros municípios da região. Nasci em Cantagalo, no longínquo ano de 1936, e, como todo jovem, tinha Friburgo, como nós chamávamos Nova Friburgo, como a nossa metrópole, onde podíamos assistir a um bom filme, a peças de teatro e boas partidas de futebol pelo campeonato regional, com o Friburgo, o Esperança e o Serrano, os principais. Cantagalo participava, com o Cantagalo EC e o Flamenguinho FC, este o meu time, embora fosse torcedor do Fluminense. Isso nos tempos do futebol amador. Após a profissionalização, o encanto acabou.

Em 1946, minha mãe, Telva, teve que fazer uma cirurgia da vesícula, em Nova Friburgo, penso que com o médico Mário Sertã ou outro profissional por ele indicado. Nessa época, morávamos no distrito de São Sebastião do Paraíba, em Cantagalo. Quando meu pai, Henrique, foi buscá-la eu o acompanhei, então com dez anos. Antes de retornarmos, fomos assistir a uma apresentação do cantor Vicente Celestino, à época, fazendo sucesso com Mia Gioconda, por causa dos temas gerados pela 2ª guerra mundial, O Ébrio, O Luar do Sertão e outras canções.
Em 1954, a seleção brasileira de futebol fez alguns treinos em Nova Friburgo, no aniversário da cidade, com a seleção de Nova Friburgo. Eu fiquei esses dias em nossa “metrópole”. Penso que foram três partidas e a seleção friburguense chegou a vencer uma delas.
Nova Friburgo, de uma simples colônia, transformou-se em nossa metrópole. Um extraordinário centro turístico, comercial, industrial e de serviços, com instituições de ensino superior (IES), movimentos culturais e sociais de relevo em nossa região. A “capital” do Centro-Norte Fluminense. E Cantagalo? Ah, isso é assunto para outro artigo.
Celso da Costa Frauches é professor, escritor, ex-secretário Municipal de Cantagalo e consultor especialista em legislação