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A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que, de janeiro de 2015 a dezembro de 2025, 56.838 pessoas foram mortas em território fluminense em decorrência de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de mortes, latrocínios e mortes por intervenções de agentes do Estado. O número supera a população de 56 dos 92 municípios do estado e é como se toda a população de uma cidade do porte de Paraty ou Guapimirim tivesse sido extinta pela violência nesse período. Pelo Centro-Norte Fluminense, houve uma redução de 18% no número de registros se comparado 2025 (42 casos) e 2024 (61 casos).
As informações estão ressaltadas no “Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015 – 2025”, elaborado pela Firjan com o objetivo de entregar análise detalhada e contribuir com a elaboração de políticas públicas. Com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estudo é composto pelos indicadores de estelionato, extorsão, letalidade violenta, roubo e furto de veículos, roubo de carga e roubo de rua, crimes que afetam pessoas e empresas.
“Estamos entregando análise da última década e propondo um olhar específico para o que está acontecendo em cada região. Uma visão apenas dos dados consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança pública não combatam os crimes que, de fato, estão penalizando a população e prejudicando o desenvolvimento de cada localidade”, diz o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Também de acordo com a federação, a insegurança e a ilegalidade geram custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia fluminense.
No que se refere à letalidade violenta, Nova Friburgo, sendo o mais populoso entre os 12 municípios que compõem o território, é consequentemente o que concentra o maior número de casos. A cidade fechou 2025 com uma taxa de 8,36 por 100 mil habitantes (17 casos), índice maior do que o registrado em 2024, de 6,39 (13 casos), representando um crescimento de 31% entre os respectivos anos. No entanto, a cidade segue em queda da taxa, quando analisada a série histórica (2015 – 2025).
Municípios do Centro-Norte apresentaram alta nos casos de estelionato
Entre os crimes analisados, o de estelionato, muito ligado aos meios digitais, teve 146.981 registros no estado do Rio de Janeiro em 2025 – crescimento de 313% em relação a 2015. Esse aumento é espelhado em todos os 12 municípios do Centro-Norte, que registrou 2.888 casos de estelionato e taxa de 697,4 por 100 mil habitantes, uma alta de 569% em relação a 2015, ritmo superior ao do estado, que cresceu 297% no mesmo período. Nova Friburgo, cidade mais populosa da região, concentra 64% dos registros regionais de 2025, com uma taxa de 913,9 por 100 mil habitantes, estando acima da média do estado de 853,4.
O crescimento para esse tipo de ocorrência é generalizado e acompanha a tendência nacional de expansão dos crimes financeiros e digitais. O movimento coincide com a consolidação do Pix e o avanço do comércio eletrônico.
Pelas demais regiões do estado, a Capital, com 73.657 casos, e o Leste Fluminense, com 23.509, foram os locais mais prejudicados em 2025, mas todas as regiões registraram alta no período 2015-2025, com a Centro-Sul (767%), a Centro-Norte (615%) e a região Serrana (497%) com os maiores aumentos.
Com relação à extorsão, o Centro-Norte Fluminense teve 59 casos e taxa de 14,3 por 100 mil habitantes, o maior valor histórico da série e crescimento de 163% em relação a 2015, ritmo superior ao do estado, que cresceu 73% no mesmo período. Nova Friburgo concentra 53% dos registros regionais em 2025, com 31 casos e taxa de 15,2, abaixo da média estadual, mas com alta de 48% em relação a 2024.
Em todo o estado foram 3.646 casos no ano passado, com a capital e o Leste Fluminense com o maior número de registros, 1.799 e 625 ocorrências, respetivamente. O crescimento no número de ocorrências em relação a 2015 foi de 80% e o avanço também foi registrado em todas as regiões fluminenses, sendo a Centro-Sul (450%), a Norte (247%) e a Noroeste (100%) aquelas que apresentaram os maiores aumentos.
Já as ocorrências relacionadas a roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga, no geral, tiveram queda no estado do Rio de Janeiro no período 2015/2025, mas ainda são 102.703 – em média, 281 casos por dia. As cidades do Centro-Norte acompanharam a queda registrada no estado do Rio de Janeiro no período 2015/2025. Com uma taxa de roubo de rua de 3,6 por 100 mil habitantes, a região teve o menor patamar histórico da série e corresponde a apenas 1% da taxa estadual. O pico regional ocorreu em 2018, com 303 casos e taxa de 75,8 por 100 mil habitantes. Nova Friburgo saiu de taxa de 31,9 em 2015 (59 casos), atingiu pico de 75,8 em 2018 (144 casos) e recuou, chegando a 2,5 em 2025 (5 casos). Esse foi o menor valor entre todos os municípios de grande porte analisados no Panorama.
Em roubo e furto de veículo, o cenário se mantém. A região registrou 9 roubos e 112 furtos de veículos, encerrando uma década de queda consistente nas duas modalidades. Nova Friburgo praticamente zerou o roubo de veículos ao longo da década. Em furtos, o Centro-Norte recuou de 226 casos em 2015 para 112 em 2025, redução de 63% na taxa, desempenho muito superior ao estado, onde o tipo de ocorrência permaneceu praticamente estável no período. Nova Friburgo liderou a redução, com queda de 68% na taxa e encerrando em 57 casos em 2025. O registro, apesar de ter sido superior ao de 2024, com 54 casos, não reverte a tendência de queda.
Com base nos indicadores, a Firjan destaca a necessidade de ações de segurança pública regionalizadas. “Uma medida pode ser a criação de um fórum permanente, com a participação do setor produtivo e da sociedade civil. Esse é um caminho para que se possa planejar e monitorar políticas públicas com uma abordagem regional”, diz o gerente geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney.
Ele também enfatiza a importância de modernização da capacidade de investigação para crimes de fraude por meios digitais, de enfrentamento ao crime organizado e a sua economia, além de ampliação da disponibilidade de dados públicos de segurança.