Uma cidade com menos de 5 mil habitantes, localizada no interior de São Paulo, conquistou o primeiro lugar do Brasil em qualidade de vida. Trata-se de Gavião Peixoto, município da região de Araraquara, que lidera pelo terceiro ano consecutivo o Índice de Progresso Social (IPS), levantamento que avalia as condições de vida nos 5.570 municípios brasileiros.
Com aproximadamente 4,8 mil moradores, Gavião Peixoto alcançou 73,10 pontos, numa escala de zero a 100, na edição de 2026. O resultado colocou a pequena cidade à frente de grandes centros urbanos, como Curitiba, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte.
O dado chama a atenção especialmente para os municípios do Centro-Norte Fluminense e da Região Serrana, onde predominam cidades de pequeno porte, embora muitas tenham populações superiores à de Gavião Peixoto. A experiência paulista mostra que o tamanho da população não impede um município de alcançar destaque nacional em indicadores sociais.
O levantamento considera 57 indicadores distribuídos por áreas como saúde, educação, saneamento, segurança, moradia, acesso à informação e oportunidades. Diferentemente dos rankings baseados apenas na riqueza econômica, o IPS procura medir as condições oferecidas à população para viver com qualidade.
Da agricultura à indústria aeronáutica
A história de Gavião Peixoto também ajuda a compreender sua transformação. O município, que conquistou autonomia administrativa em 1997, possui raízes agrícolas e passou por períodos de dificuldades econômicas antes de receber investimentos industriais de grande porte.
Um dos acontecimentos mais importantes foi a instalação de uma unidade da Embraer, fabricante brasileira de aeronaves. A presença da empresa contribuiu para transformar o perfil econômico da cidade, movimentando a arrecadação municipal e criando novas oportunidades de trabalho.
Entretanto, a liderança no ranking não pode ser atribuída exclusivamente à indústria aeronáutica. O resultado considera diferentes aspectos do cotidiano dos moradores, especialmente o atendimento às necessidades básicas e o acesso a serviços essenciais.
Na educação, por exemplo, os dados financeiros de 2025 apontam investimentos municipais de aproximadamente R$ 25,7 mil por aluno, valor superior à mediana dos municípios brasileiros com até 5 mil habitantes.
Uma referência para as pequenas cidades
A experiência de Gavião Peixoto desperta uma reflexão importante para nossa região. Municípios como Macuco, São Sebastião do Alto, Duas Barras e Trajano de Moraes também enfrentam o desafio de oferecer serviços públicos de qualidade com estruturas administrativas e populações relativamente pequenas.
Embora suas realidades econômicas sejam diferentes, o exemplo paulista demonstra a importância de observar não apenas quanto uma cidade arrecada, mas como seus recursos e políticas públicas se relacionam com as condições de vida dos moradores.
Mais do que ocupar a primeira posição de um ranking, Gavião Peixoto mostra que uma cidade pequena pode alcançar projeção nacional por seus indicadores sociais. Uma experiência que merece ser conhecida e debatida também pelos municípios do interior fluminense.