Aves que já serviram como mensageiras e se tornaram símbolos da paz hoje representam um desafio sanitário em municípios como Cordeiro, Cantagalo e Nova Friburgo
Durante milhares de anos, os pombos conviveram com os seres humanos. Foram utilizados para transportar mensagens, inclusive durante guerras, e se tornaram símbolos universais da paz. Atualmente, porém, sua presença em grande quantidade nas cidades também desperta preocupação com a saúde pública.
Em municípios como Cordeiro, Cantagalo e Nova Friburgo, essas aves são facilmente encontradas em praças, telhados e prédios. A disponibilidade de alimentos e abrigos favorece sua reprodução. A espécie mais comum, Columba livia, adaptou-se às construções urbanas, que oferecem condições semelhantes às formações rochosas de seu ambiente original.
DOENÇAS E RISCOS
O principal problema está relacionado ao acúmulo de fezes, que pode favorecer a presença de microrganismos causadores de doenças. Entre elas está a criptococose, infecção provocada por fungos que podem atingir os pulmões e, em casos graves, causar meningite.
Outra doença é a histoplasmose, também causada por fungos presentes em determinados ambientes contaminados por excrementos de aves e morcegos. Já a psitacose é uma infecção bacteriana transmitida pela inalação de partículas provenientes de aves infectadas, podendo provocar pneumonia.
É importante esclarecer que a simples presença de pombos não significa transmissão de doenças. Os riscos estão principalmente associados à inalação de partículas contaminadas, especialmente durante a limpeza inadequada de locais com acúmulo de fezes.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO
Em Nova Friburgo, o vereador Cláudio Damião apresentou, em 2026, um projeto de lei para proibir a alimentação de pombos urbanos. O município também registrou contratações de serviços de manejo dessas aves e limpeza de áreas contaminadas.
O Ministério da Saúde recomenda evitar alimentar pombos, impedir o acúmulo de restos de comida e adotar medidas para dificultar a instalação de ninhos. Também orienta que fezes secas não sejam varridas diretamente, evitando a dispersão de poeira.
O desafio das cidades é controlar a presença dessas aves por métodos adequados, preservando o bem-estar animal e protegendo a saúde da população. Afinal, o antigo símbolo da paz continua fazendo parte da paisagem urbana, mas sua convivência com os moradores exige cuidados.