A Eucaristia é o ponto central do catolicismo, o mais importante sacramento representando o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, por esta razão, ao pintar todos as telas da Igreja de Cantagalo, Antônio Maria Nardi, italiano de formação católica, colocou como tema central a Eucaristia, patrono do Santuário Eucarístico de Cantagalo.
Na Igreja Católica, através do tempo, estão registrados vários Milagres Eucarísticos: Sokolka (Polônia), Turim, Stich (Suíça), Tumaco (Colômbia), Buenos Aires, Milagre das 16 hóstias (Espanha), Siena, Santarém (Portugal), Ferrara e lanciano (Itália). Este é o mais conhecido e divulgado, que tive a felicidade de conhecer no dia 22 de abril de 2014, quando completava 79 anos de vida.
Quando penetramos na centenária igreja de Cantagalo, a poucos metros da porta principal, na parede à direita, quase em tamanho natural, visualizamos o milagre atribuído a Santo Antônio.
É narrado que Santo Antônio, na cidade de Rimini, Itália, ao fazer suas pregações católicas dizia; “Do mesmo modo que Jesus, no monte Tabor, se transfigurou, no altar esta transfiguração se repete, quando ocorre a transubstanciação do pão e do vinho no corpo e sangue de Jesus. Por este sacramento, a luz de Deus chega às almas dos fiéis”.
Naquela cidade italiana havia um herege da ceita dos cátaros, de nome Bonillo, rico e poderoso, que não acreditava na Eucaristia; certa vez, quando Santo Antônio pregava em público, gritou, lançando um desafio ao frade franciscano: “Padre! Eu lhe digo diante de todos, acreditarei na Eucaristia se minha mula, que farei jejuar durante três dias, ajoelhar diante da Hóstia que lhe será mostrada e não comer o feno que lhe darei”.
Acrescentou, ainda: “Ó frade espertalhão, chega de dizer tolices, de inventar mentiras, de enganar o povo. Eu nunca acreditarei que DEUS possa estar dentro de um pedaço de pão. Só acreditarei na Eucaristia se receber uma prova”. Lançando o desafio a Santo Antônio.
Nos três dias que antecederam o desafio, enquanto a mula era mantida sem alimento e sem água, Santo Antônio permaneceu concentrado em profundas orações, rogando a Deus que tudo corresse bem no desafio na praça principal da cidade, perante seus habitantes.
No dia marcado Santo Antônio compareceu ao local conduzindo respeitosamente, em silêncio, a Hóstia em um ostensório, acompanhado dos católicos em concentradas orações. Chegando à praça, o grupo se colocou de um lado.
Do outro lado do local público, Bonilla permanecia com um sorriso desafiador, ao lado de feixes de feno e um recipiente com água para atrair o animal faminto e sedento.
Solta a mula, Santo Antônio com voz forte e cheio de fé proclama: “Em virtude e em nome do seu Criador que, por mais indigno que eu seja, mantenho em minhas mãos, lhe ordeno – Avance rapidamente, com o devido respeito, e rende homenagem ao Senhor Deus, para que os malvados e herpes compreendam que todas as criaturas devem humilhar-se diante do Criador que está nas mãos dos sacerdotes sobre o altar.
Após estas palavras, a mula caminha para o lado da praça em que estava Santo Antônio com a Eucaristia e o grupo católico em oração. Dobra os membros anteriores e se ajoelha diante do Santíssimo Sacramento.
Derrotado, Bonilla se converte ao catolicismo. Na praça em que ocorreu o milagre em 1227, foi construída uma igreja em honra à Santíssima Eucaristia.
Na parede oposta, do lado esquerdo de quem penetra no santuário, Nardi pintou outra tela, quase de tamanho natural, relembrando o Milagre Eucarístico ocorrido com Santa Clara.
Esta santa pertencia a uma família rica da cidade de Assis, os Offreducci; ainda bem jovem abraçou a vida religiosa formando a Ordem das Clarissas Pobres. Permaneceu por quarenta anos no convento de São Damião, em Assis, onde terminou como superiora.
Quando os mulçumanos invadiram a Europa em cada localidade que chegavam procuravam destruir todas as tradições locais, começando pela religião católica, destruíam os conventos e violentavam as freiras.
No livro Os Templários, do autor Piers Paul Read, na página 65, edição de 2001, podemos ler: “no cerco de Salermo, um chefe mulçumano estendeu seu divã junto à Mesa da Comunhão e, no altar, sacrificava cada noite a virgindade de uma freira”. Havia, portanto um clima de pânico e de terror em cada convento.
Certo dia, em 1240, o convento de São Damião, na cidade de Assis foi cercado pelos sarracenos e tudo parecia perdido. Santa Clara, a superiora, encontrava-se acamada em virtude de doença e as freiras totalmente apavoradas; a superiora abandonou o leito, reuniu toda irmandade determinando que elas permanecessem em oração pedindo a proteção de Deus. Foi ao Sacrário e de posse do ostensório com a hóstia consagrada caminhou para parte frontal do prédio, abriu a porta e elevou o Santíssimo Sacramento; os mulçumanos que estavam mais próximos caíram fulminados, enquanto os demais debandaram amedrontados.
O relato desses dois milagres mostra o poder de Deus, podendo ser apreciados nas paredes do Santuário Eucarístico de Cantagalo, graças ao poder mágico dos pincéis de A.M. Nardi.
Júlio Carvalho.