Proprietário enumera série de medidas nesses mais de 20 anos desde o fechamento e anuncia planos de resgate e restauro do PH
“Com vigilância dentro do imóvel dia e noite, um administrador, alarme automático para tentativa de invasão e extintores de incêndio sempre carregados, o Park Hotel não está abandonado”. – garante o engenheiro Luiz Guinle, um dos proprietários do imóvel, projetado na década de 1940 pelo arquiteto Lúcio Costa, sob encomenda do também engenheiro César Guinle (1911-1989) para ser um hotel de trânsito para eventuais compradores do loteamento Cidade Jardim Parque São Clemente, em Nova Friburgo (RJ). Construído para ser temporário, o hotel se tornou um ícone da arquitetura moderna brasileira e já ultrapassa oito décadas de existência, embora a partir do início deste século venha enfrentando problemas de manutenção.
Segundo Guinle, desde que encerrou suas atividades, em 2004, o hotel passou por várias reformas, desde instalação de quadro elétrico, substituição de base de coluna, recuperação total do telhado, neste caso em 2016 e 2023, além de sustentação da estrutura em dois locais onde as respectivas vigas haviam cedido, explica ao comentar recente manifestação do Ministério Público Federal (MPF) sobre apuração de risco daquele patrimônio histórico friburguense. Para ele, “é preciso entender que, num imóvel tombado, não há como fazer intervenções parciais, mas sim abrangentes, inseridas em projeto submetido à análises e devidas aprovações pelo IPHAN”.
“Inclusive são obras muito mais caras do que simples reformas, exigindo equipes de operários e arquitetos especializados”. O que tem sido feito nesses últimos anos são intervenções pontuais e emergências para que o imóvel continue de pé. Inclusive Luiz Guinle argumenta que, se não tivessem sido adotados tais cuidados, o hotel não teria resistido, exatamente por tratar-se de um prédio com mais de 80 anos e com particularidades, como todo o madeiramento de seu telhado e em partes de sua estrutura.
Guinle ainda complementa, inclusive, que todas as intervenções realizadas no PH foram comunicadas e vistoriadas presencialmente por técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através do escritório do órgão, em Petrópolis. Ele também informou que, neste ano, “obtivemos aprovação inicial do Iphan e PRONAC, o Programa Nacional de Apoio à Cultura (principal mecanismo de incentivo fiscal e fomento à preservação do patrimônio), visando captar recursos para um novo projeto, em duas fases”. Na primeira das quais, agora, o objetivo são obras emergenciais e custeio de projetos das novas instalações; a segunda, todas as obras necessárias para colocar o imóvel em condições de acolher um destino nobre e em sintonia com os tempos atuais.
Guinle inclusive defende sua transformação num centro que reuniria todos os atrativos de Nova Friburgo, como uma espécie de central de oportunidades ligadas às potencialidades da região e com a participação de todo o trade, embora ainda vislumbre diversas outras possibilidades de seu aproveitamento em benefício da retomada turística do Município.
Para executar o projeto, ele conta com a parceria do Instituto Traço, especializado em restauro de bens patrimoniais históricos, responsável por gerir a captação de recursos, atualmente na fase de admissibilidade, com um ano de prazo para conseguir o montante de 20% dos recursos necessários para execução do plano integral. Inicialmente são necessários R$1,6 milhões para começar a primeira fase.
“Nova Friburgo precisa abraçar o Park Hotel”
Rememorando sua infância, Guinle lembra quando vinha com o pai e o próprio Lúcio Costa, quando tinha por volta de seis anos de idade, para ver as obras de fundação da construção e diz que a família chegou a morar um período no próprio hotel. Defendendo que a solução definitiva é um plano completo de restauro e de reativação do Park Hotel, “sendo que nos últimos 20 anos apresentamos três projetos, todos aprovados pelo Iphan e Ministério da Cultura, mas em nenhum dos quais conseguimos captar recursos da Lei Rouanet”, Luiz Guinle sustenta que só vê uma solução para a situação: “Só teremos sucesso com a participação da sociedade friburguense. Ele não pertence mais somente à família, mas a toda Nova Friburgo, que precisa abraçar o Park Hotel. Desde o tombamento do imóvel, ele é um patrimônio da Cidade, em primeiro lugar, porque é ela que, principalmente, continuará usufruindo de forma permanente daquele patrimônio, exatamente como o fez durante décadas, inclusive utilizando o hotel como ponto de encontro de famílias, empresários e políticos.
Sobre avaliação do MPF ao projeto da área IV
Quanto à área IV, onde há um projeto de loteamento na propriedade logo abaixo do hotel, Luiz Guinle diz que o assunto vem sendo avaliado pelo MPF, em razão de objeção da Fundação Dom João VI. “Somos os primeiros a querer preservar aquela área, principalmente em memória de César Guinle, que planejou desde o início, e desenvolveu a partir de 1958 e durante décadas um belo jardim. O desenho do loteamento preserva a sua integridade, assim como as disposições previstas para as escrituras dos lotes vendidos e para a convenção de condomínio“. – acentuou.
Segundo ainda Guinle, inclusive Presidentes do Country Clube manifestaram, reiteradamente, interesse em eventual empreendimento no local, considerando os futuros condôminos como frequentadores e fator de valorização do Clube.






