O Estado do Rio de Janeiro vive uma situação política incomum. Douglas Ruas (PL), eleito governador nas eleições de 4 de outubro, continua presidindo a Assembleia Legislativa (Alerj), enquanto o comando do Executivo permanece com o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. A situação decorre de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a sucessão estadual.
A vitória de Ruas foi confirmada pela retotalização dos votos realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), no último sábado (10). Após a anulação dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), determinada pela Justiça Eleitoral, Ruas passou a contabilizar 50,88% dos votos válidos, resultado suficiente para vencer no primeiro turno. A proclamação definitiva está prevista para quinta-feira (15).
A situação do governo estadual começou com a renúncia de Cláudio Castro, em março, quando o cargo de vice-governador também estava vago. Diante da crise sucessória, o STF determinou que Ricardo Couto permanecesse interinamente à frente do Executivo. Mesmo depois da eleição de Douglas Ruas para a presidência da Alerj, em abril, o Supremo manteve o desembargador no cargo.
Posse antecipada entra em discussão
Nos bastidores, surgiu a possibilidade de antecipar a transferência do governo para Douglas Ruas, cuja posse regular está prevista para 6 de janeiro de 2027. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (13), integrantes da atual administração estariam buscando uma solução para acelerar a mudança. Entretanto, aliados do governador eleito demonstram resistência, principalmente diante da situação financeira do Estado e das responsabilidades sobre as contas de 2026.
Na terça-feira, 13/10, Ruas e Ricardo Couto se reuniram para tratar da transição. O governador eleito informou que um decreto deverá ser publicado nesta quarta-feira (14), formalizando a equipe responsável pela passagem de governo. A proposta orçamentária de 2027, com déficit previsto de quase R$ 14 bilhões, está entre os principais desafios da futura administração.
A antecipação, porém, não depende apenas de um entendimento político. Em maio, o ministro Luiz Fux rejeitou um pedido para que Ruas assumisse interinamente o governo, ressaltando que a permanência de Ricardo Couto havia sido determinada pelo STF.
Assim, o Rio de Janeiro segue com um governador eleito à frente do Legislativo e um desembargador no exercício do Executivo. A transferência antecipada de poder permanece como possibilidade em discussão, condicionada à solução das questões jurídicas que envolvem a sucessão estadual.