Douglas Ruas realiza encontro em Bom Jardim com prefeitos da região
Mais uma Copa do Mundo terminou, dessa vez, a 23ª competição mundial de futebol com características inéditas, realizada nos três países da América do Norte, o que obrigou algumas seleções a viajarem pelas três nações, como aconteceu com a representação colombiana.
Ao mesmo tempo, foi a competição com o maior número de participantes, com quarenta e oito países representados, se bem que alguns sem a menor oportunidade de classificação às oitavas. Foram mais por turismo!
A Copa do Mundo, criada pelo francês Jules Rimet, tinha o objetivo de aproximar os países. Dessa vez, infelizmente, vimos coisas diferentes, o presidente megalomaníaco dos Estados Unidos não permitiu que a representação iraniana permanecesse em solo norte-americano, foram obrigados a se hospedar no México, entrando no solo norte-americano apenas algumas horas antes dos jogos.
Antes do início da Copa Mundial, ocorreram fatos jamais vistos. O juiz da Somália, Omar Abdulkadir Artan, foi vetado, não podendo penetrar em território norte-americano. A delegação do Uzbequistão, antes de um jogo amistoso com a Holanda, foi submetida a uma rigorosa inspeção. O número de ingressos para os jogos dos iranianos foi reduzido para a torcida do país. O presidente da federação palestina teve o visto negado, não podendo assistir à copa; o mesmo ocorrendo com torcedores de outros países, portanto foi enorme a interferência política na competição mundial, cujo objetivo principal é aproximar os povos.
Outro aspecto que despertou a atenção foi a preocupação de esposas de alguns atletas em procurar exibir beleza, roupas e joias caras. É importante lembrar que, enquanto o império romano foi modesto, com um exército formado por lavradores e homens do trabalho, Roma cresceu, progrediu e conquistou grande parte da Europa, o norte da África e o Oriente Médio; ficando rico, dominado pelo luxo e pela vaidade, o Império Romano foi invadido e destruído pelos germanos e outros povos, denominados pelos romanos como “povos bárbaros”. Cuidado para que não aconteça o mesmo com a Copa do Mundo!
A influência política não se limitou aos acontecimentos acima narrados. Pela primeira vez, um atleta expulso em uma partida pode atuar no jogo seguinte; foi o que aconteceu com o jogador Balogun, expulso no jogo contra a seleção da Bósnia e Herzegovina, pode jogar contra a Bélgica, segundo a imprensa, por pressão de Trump sobre Infantino, presidente da Fifa. Os belgas, revoltados e cheios de brio, golearam os norte-americanos por 4 a 1, acabando com as pressões políticas do presidente norte-americano. Depois de mais de 30 dias, a 23ª competição chegou à partida final, entre Argentina e Espanha, pela primeira vez dois países do mesmo idioma disputariam a competição máxima do futebol.
O caminho da Argentina foi mais suave, embora com resultados apertados, sempre liderada por excelentes atuações de Messi, contando com o empenho dos seus companheiros e o entusiasmo contagiante da sua torcida.
A Espanha teve que vencer adversários mais difíceis, como Uruguai, Portugal, Bélgica e França, todavia mostrou em todas as partidas um conjunto coeso e preparado há quatro anos, foi o que declarou o técnico Luís de la Fuente, portanto foi um trabalho sério e sem improvisos.
Na partida final ocorreu um domínio total dos espanhóis, botando os argentinos na roda, a correr pelo gramado sem rumo. Durante a partida, os espanhóis deram 20 chutes em direção ao gol, acertando 12, obrigando o bom goleiro argentino a realizar algumas defesas extraordinárias. Nos primeiros noventa minutos, a seleção portenha não conseguiu dar um chute ao gol espanhol, o que só ocorreu no final da prorrogação; já na base do desespero, tentando o empate, o que levaria a disputa para os pênaltis.
Se a Espanha perdesse o jogo, seria uma injustiça, pois foi a seleção que mostrou melhor futebol coletivo e uma defesa que sofreu apenas um gol em seis partidas, a metade contra fortes seleções. Ainda deu oportunidade a atletas jovens, ao contrário do Brasil, com média de idade de 30 anos.
Decidida a Copa do Mundo, o presidente da FIFA entrou no gramado ao lado do presidente Trump, quebrando o protocolo a fim de entregar as medalhas, sendo recebido pelo público com retumbante vai. Nessa ocasião, o presidente norte-americano deu mais uma demonstração de prepotência e arrogância, entregou as medalhas esquecendo-se de que estavam no estádio o Rei da Espanha, a Presidente do México e o Primeiro Ministro do Canadá (os dois últimos países, também, sediaram a 23ª Copa do Mundo). Nem todo chefe de estado é educado!
Aos 91 anos de vida, sinto saudade da época em que as Copas do Mundo não sofriam influência política, aproximavam as nações e exibiam um belíssimo futebol, que levou o Brasil ao pentacampeonato. Quanta saudade dessa época!
Júlio Carvalho.
