Audiência Pública cobra ações urgentes para conter o aumento de mortes no trânsito em Nova Friburgo

O Vereador Marcos Marins (PSD) promoveu, na última quarta-feira (8), uma Audiência Pública sobre Educação, Prevenção e Segurança no Trânsito, reunindo autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil na Câmara Municipal de Nova Friburgo. 

O objetivo foi discutir medidas concretas para conter o avanço dos sinistros e das mortes no trânsito, que já atingem números alarmantes em 2025. 

De acordo com dados apresentados pelo vereador, entre janeiro e agosto foram registrados mais de 600 acidentes, número que já supera todo o volume do ano anterior. 

“É um cenário que exige respostas imediatas. Estamos falando de vidas. E quando vidas estão em jogo, o poder público precisa agir com planejamento, transparência e responsabilidade”, afirmou Marins, reforçando sua postura propositiva e independente na fiscalização e na busca de soluções. 

“Fui buscar especialistas para ajudar o município a conter essa sangria no trânsito. É papel do vereador abrir portas, cobrar, propor e construir caminhos. Nosso foco é salvar vidas e transformar Nova Friburgo em uma cidade mais segura para pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas”, completou. 

Dados do Corpo de Bombeiros revelam agravamento da situação 

Durante a audiência, o 1º Tenente Marcel Átila, do 6º Grupamento de Bombeiros Militar, apresentou dados que mostram o agravamento da crise. 

Segundo ele, o número de vítimas atendidas por acidentes de trânsito saltou de 514 em agosto para 609 em outubro. 

Mais grave ainda, o número de óbitos subiu de 10 para 15 em 2025, evidenciando o aumento das ocorrências fatais, principalmente envolvendo motociclistas. 

“Os números são preocupantes e mostram que o trânsito friburguense precisa de ações urgentes. A maioria das ocorrências envolve motos, e a imprudência, aliada à falta de sinalização e infraestrutura adequada, agrava o quadro”, destacou o Tenente Marcel Átila. 

Educação e sensibilização: o alerta de Roberta Torres 

A especialista em educação para o trânsito, Roberta Torres, uma das maiores referências do país na área, destacou a necessidade de sensibilizar gestores e a sociedade sobre a gravidade da situação. 

“A violência no trânsito é uma questão de saúde pública, com custo humano e social altíssimo. Só em 2025, Nova Friburgo já perdeu 15 pessoas vítimas de sinistros. Nossa taxa de mortalidade é de 43,45 por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 16. Precisamos sensibilizar quem toma decisões e agir com base em planejamento e dados técnicos”, afirmou. 

Ela apresentou ainda levantamento do IPEA que estima o custo médio de uma morte no trânsito em R$ 819 mil em rodovias e R$ 344 mil em vias urbanas, considerando desde o atendimento de emergência até os danos à infraestrutura e o impacto emocional nas famílias. 

“Quando falamos em custo, não é só financeiro. É o custo de uma vida perdida, de famílias destruídas e de uma cidade que sofre com as consequências”, completou. 

Tecnologia e informação como ferramentas de transformação 

A advogada Francieli Librelotto, diretora de uma empresa de tecnologia para trânsito e integrante do Instituto Mulheres pelo Trânsito, defendeu o uso da inovação e da informação como instrumentos estratégicos para salvar vidas. 

“A tecnologia é um meio, não um fim. Ela deve ser usada para resolver problemas, não para gerar custos. Monitoramento, fiscalização e análise de dados podem identificar causas e padrões dos acidentes, permitindo ações preventivas eficazes. Mas o que realmente transforma são as pessoas — gestores e cidadãos comprometidos em levantar dados sérios e agir com transparência”, afirmou. 

Francieli também criticou a desvalorização da segurança viária e defendeu decisões públicas baseadas em estratégia, dados e responsabilidade, e não em pressões populares ou interesses políticos. 

Visão sistêmica: o alerta de Celso Mariano 

Participando de forma online, o educador e especialista em trânsito Celso Mariano, ex-diretor Diretor de Educação da SETRAN – Secretaria de Trânsito de Curitiba é referência nacional na área, reforçou a importância de uma visão holística e integrada para enfrentar o problema.  “É fundamental que se enxergue o trânsito como um sistema vivo, que envolve todos os seus usuários — pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas e passageiros. O transporte coletivo precisa ser encarado como parte da solução, e não do problema”, ressaltou. 

Mariano lembrou que a eficiência do trânsito depende do equilíbrio entre três pilares fundamentais: esforço legal, engenharia e educação. 

“No Brasil, há um desequilíbrio histórico na aplicação desses elementos. Precisamos de políticas públicas que tratem o trânsito com seriedade e planejamento, e o Poder Público de Nova Friburgo tem agora a oportunidade de olhar para isso de forma responsável, priorizando a fluidez, a prevenção e a segurança viária”, completou. 

Inclusão e protagonismo feminino no setor de trânsito 

Encerrando a audiência, a presidente do Instituto Mulheres pelo Trânsito, Carolina Marino, falou sobre a representatividade das mulheres e o papel do Instituto na formulação de políticas públicas. 

“Sou de Nova Friburgo, tenho meus negócios aqui e hoje presido o Instituto Nacional Mulheres pelo Trânsito. Representamos mais de 33 mil mulheres que atuam no mercado de trânsito em todo o Brasil. Nosso papel é propor políticas públicas e dar 

voz às mulheres que fazem parte desse setor. Coloco o Instituto à disposição da nossa cidade para contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas e inclusão das mulheres no mercado profissional”, afirmou. 

Um pacto pela vida e pela responsabilidade pública 

O vereador Marcos Marins encerrou a audiência destacando que o encontro é o ponto de partida de uma mobilização coletiva. 

“O trânsito é um problema coletivo e só será resolvido com união. O Legislativo precisa ser a ponte entre a população, os órgãos de controle e o Executivo. A partir dessa audiência, vamos seguir trazendo dados, ouvindo especialistas e cobrando ações urgentes da Prefeitura”, concluiu.

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