Qual o papel do cipeiro e da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio)? Como fortalecer essa instância no ambiente de trabalho para uma atuação efetiva em prol da saúde e segurança dos trabalhadores e das trabalhadoras? Essas questões permearam os debates e palestras técnicas durante o Encontro Nacional de Cipeiros e Cipeiras para o Trabalho Seguro e Saudável, realizado no final de julho na Fundacentro em São Paulo/SP.
Além de contar com participação de representantes das Centrais Sindicais, o evento reuniu os cipeiros em grupos para discutir os temas assédio moral; capacitação; eleição e dimensionamento. Para fomentar o debate, ele foi antecedido por palestras técnicas. No final, foram apresentadas propostas em cada temática.
O grupo sobre assédio defendeu a criação de comissão para apuração da denúncia, com participação do sindicato. A ideia é que o agressor fique afastado do cargo de gestor enquanto ocorre a investigação. Também se colocou a necessidade de estabilidade do assediado durante esse processo. Outras questões foram o assédio que os cipeiros sofrem e a falta de informações sobre ocorrências de acidentes.
Em relação à eleição e ao dimensionamento, o grupo de debate defendeu que todos os cipeiros devem ser eleitos. Também se colocou a participação do sindicato em
O principal ponto defendido pelo
As propostas discutidas no evento serão transformadas em um documento assinado pelas Centrais Sindicais participantes. É possível assistir à apresentação das propostas no canal da Fundacentro no Youtube.
Violências no trabalho
A tecnologista da Fundacentro, Daniela Tavares, falou sobre assédios
Não basta olhar para o assédio moral e para as violências no trabalho sem considerar esse contexto, punindo somente o assediador. “Claro que a responsabilidade deve ser apurada e os responsáveis punidos, mas fazendo somente isso, não se faz prevenção”, alerta a pesquisadora.
Daniela recomenda a análise do contexto do trabalho para identificar o que precisa ser modificado com participação dos trabalhadores. Em sua avaliação, a Convenção 190 – Violência e Assédio, da Organização Internacional do Trabalhoho (OIT), valoriza pensamento mais amplo, ao falar de práticas e políticas, não só focando na questão de comportamento.
É necessário debater quais são as estratégias de enfrentamento ao assédio moral e outras formas de violência, junto com outros atores sociais além dos muros das fábricas. Também é importante cipeiros atuantes.
Dimensionamento da Cipa
Constituição, eleição e dimensionamento da Cipa foram pauta da palestra de Domingos Lino, mestre em Administração de Riscos Laborais – Universidade de Alcalá de Henares e bolsista da Fundacentro. Em sua apresentação, ele explicou que o dimensionamento da Cipa é decidido pelo grau de risco da NR4 (Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho).
A Resolução nº 12, de 12 de junho de 2024, instituiu o GTT (Grupo de Trabalho Tripartite) de revisão da NR 4 e seus anexos. O objetivo é estabelecer metodologia de apuração do grau de risco correspondente a cada subclasse da Cnae (Classificação Nacional de Atividades Econômicas).
Para tanto, basearam-se em três premissas: apuração do grau de risco com base no estabelecimento de indicadores de acidentalidade; grau de risco por subclasse do Cnae; e utilização de dados dos percentis de frequência e gravidade da Previdência Social e do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT).
Os dados utilizados são da série histórica de 2018 a 2023, no entanto, sem perícias médicas presenciais em 2019/2020, devido à Covid-19, não houve a verificação dos nexos individuais e de Ntep (Nexo Técnico Epidemiológico) para benefícios acidentários. Isso, para Domingos Lino, caracteriza grande subnotificação. Assim haveria redução de grau de risco indevido para vários setores, como exemplo, atividades de extração e de apoio à extração de petróleo e gás natural, que passariam de GR 4 para GR 3.
O especialista defende grau de risco real de cada subclasse; Cipa totalmente eleita por trabalhadores e presente em todas as empresas, independentemente do grau de risco; capacitação efetiva para o desenvolvimento de ações; tempo livre para cipeiros desenvolverem suas atribuições; constituição de Cipa em todo poder público; e evolução para Comissão de Saúde e Meio Ambiente.
