Comércio e serviços devem gerar 118 mil vagas no fim do ano

O último trimestre de 2025 traz perspectivas positivas para o emprego no Brasil. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) indica que o comércio e os serviços devem abrir cerca de 118 mil vagas, entre contratações temporárias, efetivas, informais e terceirizadas – um crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2024.

As funções mais ofertadas serão presenciais, como vendedor, cabeleireiro, ajudante e balconista. A remuneração média esperada é de R$ 1.819. Outro dado relevante é que 47% das empresas pretendem efetivar os trabalhadores contratados no período sazonal.

Para a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), as contratações são positivas. Ainda assim, há necessidade de ajustes fiscais no país. Por meio do painel “Gasto Brasil”, a CACB alerta que os registros de despesas públicas (federais, estaduais e municipais) superaram os R$ 3,8 trilhões em 2025.

Segundo o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, existe urgência em cortes para recompor o espaço fiscal necessário para reduzir juros. Para Cotait, “o Estado não vai aguentar por muito tempo” esse nível de gasto e soluções estruturais devem ser adotadas para evitar que a crise fiscal sufoque investimentos essenciais.

“O governo arrecada, mas gasta sem critério. Só neste ano, até setembro, o déficit operacional já chega perto de R$ 1 trilhão acima da arrecadação. É como numa casa: você só pode gastar aquilo que recebe. O Brasil está caminhando para uma situação de insolvência”, declarou Cotait.

O economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto Gastão Vidigal e da Associação Comercial de São Paulo, reitera o argumento da CACB. “O país está pisando no freio, o crescimento é mais moderado e essa deve ser a tendência até o fim do ano”, avalia. Para Gamboa, conter o crescimento do gasto público em 2026 é vital para reduzir a pressão inflacionária e viabilizar a redução da taxa Selic mais cedo.

“Com juros tão altos, em algum momento a desaceleração econômica vai se intensificar. Se houver crescimento modesto do gasto e menor pressão de preços, o Banco Central poderá cortar juros antes, beneficiando as micro e pequenas empresas”, afirma o economista.

Contratações

Segundo o gerente executivo da CNDL, Daniel Sakamoto, o último trimestre do ano ainda pode consolidar confiança. “O varejo espera bons números de venda e mais de 100 mil contratações temporárias. Muitas delas podem se tornar empregos efetivos”, afirma.

Embora a perspectiva para o fim do ano seja de recuperação setorial e geração de emprego, o panorama para 2026 inspira cautela. A pesquisa da CNDL revela que 32% dos empresários apontam a instabilidade econômica como motivo para não contratar. O fato de 2026 ser ano eleitoral intensifica essa insegurança.

 

Ver anterior

Ministério Público realiza cerimônia de posse de procuradores de Justiça eleitos para o Órgão Especial

Ver próximo

Dia de Corpus Christi poderá se tornar feriado estadual

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Populares

error: Conteúdo protegido !!