Durante sua campanha eleitoral o atual presidente norte-americano apresentou três propostas totalmente contrárias às normas jurídicas internacionais, em total desrespeito a nações amigas:
1º – Incorporar o Canadá como 50º estado norte-americano.
2º – Incorporar a Groenlândia, maior ilha marítima do mundo, pertencente à Dinamarca, por medidas de segurança.
3º – Incorporar o canal do Panamá, por haver sido construído pelos Estados Unidos há mais de cem anos.
Felizmente, até agora, não realizou as três propostas, todavia como presidente da maior potência econômica e militar do planeta já praticou algumas proezas; bloqueou o litoral da Venezuela colocando lá o maior porta-aviões da poderosa marinha militar norte americana que torpedeou toda embarcação suspeita de transporte de drogas. Em seguida invadiu o país e prendeu o ditador Maduro, conduzindo-o para a prisão em Nova York, alegando acabar com a ditadura ligada ao tráfico de drogas, instituindo a democracia, todavia deixou no governo a vice-presidente do mesmo grupo. Imediatamente assumiu o controle do petróleo alegando que as refinarias venezuelanas foram construídas pelas petrolíferas norte-americanas, e proibiu a venda de petróleo para Cuba. É bom lembrar que a Venezuela tem as maiores reservas petrolíferas mundiais.
Empolgado com o sucesso intervencionista em um país sul-americano, no dia 28 de fevereiro último, juntamente com Israel, iniciou uma agressão militar ao Irã, motivo: ameaça de ser atacado com armas nucleares iranianas e, ao mesmo tempo, mudar o regime político iraniano.
No primeiro ataque foi atingida uma escola feminina para adolescentes, gerando a morte de 168 pessoas, sendo 86 jovens alunas. Como sempre, as maiores vítimas de uma guerra são os civis. O Irã respondeu ao ataque lançando mísseis em direção a Israel e a instalações americanas em diversos países do Oriente Médio. Resultado, hotéis de luxo, mecanismos de defesa, bases militares e outras instalações foram atingidas em países neutros, causando mortes de civis.
Israel, por outro lado, bombardeou o Líbano procurando destruir o Hesbolah; assim, civis libaneses que nada tinham com a guerra foram dizimados. O mesmo acontecendo com civis dos países do golfo pérsico atingidos pelo Irã.
Decorridos dez dias do conflito já são 1885 mortos, a maioria iraniana, 1255; ao mesmo tempo a quantidade de feridos atinge a 15.782, alguns mutilados e outros em estado grave, 12.000 iranianos, 2.142 israelitas e 1.622 de onze países que nada têm com o conflito, mas sofrem em virtude da vizinhança dos países do golfo pérsico.
No mundo globalizado de hoje as consequências de uma guerra não ficam limitadas à região em litígio, vão muito além, atingindo continentes distantes, principalmente quando se trata de guerra no oriente médio. Nos primeiros dias algumas repercussões já apareceram em diversos pontos do nosso planeta:
1º – 20% de todo petróleo e gás produzidos no mundo tem origem no Oriente Médio. Haverá acentuado aumento do petróleo. A maior parte do petróleo consumido na Europa é importado do Oriente Médio.
2º – 25% dos fertilizantes negociados no mundo passam pela região em conflito.
3º – 35% dos plásticos comercializados no mundo passam pela região em conflito.
4º – 15% dos cereais negociados no mundo passam por lá rumo aos países árabes.
5º – 36.000 voos que estavam programados passando pelo oriente médio foram suspensos. As novas rotas, provavelmente, custaram valores mais elevados.
6º – Na primeira semana do conflito 20.000 voos comerciais já foram cancelados.
7º – Para o Brasil surgem dificuldades comerciais: as exportações de frango, carne bovina, açúcar e produtos agrícolas para os países do oriente médio estarão com um obstáculo criado pela guerra.
8º – Todos esses fatores geram inflação mundial.
A Venezuela tem as maiores reservas petrolíferas mundiais, enquanto o Irã ocupa o terceiro lugar. Será que o motivo das duas ações militares foi mesmo a mudança de regimes para a democracia?
Meu saudoso e querido pai, com a tranquilidade que era uma das características da sua personalidade, algumas vezes me dizia: “Júlio, toda guerra tem motivo econômico, em geral o petróleo”. Creio que ele tinha completa razão.
Como o dito popular antigo afirma – Parece que por debaixo do angu tem carne.
Júlio Carvalho.
