No segundo dia de desfiles da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí, a Estácio de Sá apresentou um enredo dedicado à trajetória e ao legado de Tata Tancredo, nascido em Cantagalo. Logo na comissão de frente do desfile, a escola apresentou uma réplica do coreto do município, local onde Tancredo realizou suas experiências na infância e seus familiares. O monumento, que está localizado na Praça João XXIII, no centro da cidade, é considerado um marco histórico e cultural, sendo frequentemente palco de eventos e celebrações.
O coreto de Cantagalo é patrimônio cultural tombado pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) desde 1985. A atração também recebeu obras de restauração, finalizadas em 2024 (com reparos continuados em 2025), a fim de preservar a sua identidade histórica.
O desfile da Estácio de Sá também combinou elementos simbólicos e pesquisa histórica para construir a narrativa apresentada. Alegorias, fantasias e o samba-enredo reforçaram a proposta de destacar a importância do cantagalense Tancredo como figura representativa de tradições culturais e espirituais.
Quem foi Tata Tancredo
Tancredo da Silva Pinto nasceu em Cantagalo, em 10 de agosto de 1905, falecendo no Rio de Janeiro, em 1979. Tancredo representava um elo entre o mundo da composição e o da religião (LOPES, 2005).
Seus pais carnais eram Belmiro da Silva e Edwirgens Miranda Pinto. Seus avós maternos, eram Manoel Miranda e Henriqueta Miranda (NOGUEIRA,2022). Devemos lembrar que a região de Cantagalo, “estava entre as principais regiões de cafeicultura escravista e mercantil de grande porte” o que demonstra que Tancredo pode ter sido um filho de ex-escravos e libertos. (FARIA, 2018, p.3).
Outro ponto a ser destacado na vida do umbandista é que os laços de Tancredo, com o mundo da música, mais especificamente o samba, já viriam de berço, segundo ele, pois seu avô teria sido fundador de blocos carnavalescos em Cantagalo, dentre os quais estariam o “Bloco Avança” e o “Treme terra”, bem como o “cordão místico”, no qual sua tia carnal Olga da Mata saia vestida de Rainha Ginja (SILVA, 1983, p.18).
Por ser considerado um elo frente a música e a religião, outra dimensão importante de sua vida teria se dado na religião, pois Tancredo teria sido iniciado, em 1918, com apenas 13 anos de idade, sendo feito ou consagrado para o orixá Oxóssi. Segundo Antônio Pereira Camelo de Xangô, que escreveu sobre a vida de Tancredo no jornal “O Saravá”, Tancredo teria sido iniciado por Tia Benedita auxiliado por Tio Bacayodé, ambos de procedência bantus.
Compositor, sambista e líder religioso da omolocô, Tancredo escreveu mais de trinta obras literárias divulgando a sua concepção de umbanda (BAHIA, 2023).
Escreveu, devido aos seus contatos com Chagas Freitas, por mais de 25 anos, uma coluna semanal no jornal O Dia junto a seus companheiros.
Na década de 1960, o líder umbandista teria ganhado tanta popularidade que teria recebido a alcunha de “papa da umbanda omolocô”.
No ano de 1975, ou seja, quatro anos antes de sua morte, Tancredo teria realizado na ponte Rio-Niterói, o ritual propiciatório ecumênico da fusão entre os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975, com respaldo governamental.
