Atualmente fala-se muito em ecologia, em preservação da natureza, em evitar poluir a natureza, na televisão são apresentados programas instrutivos orientando a população nesse sentido; nos jornais são publicados artigos; até o saudoso Papa Francisco escreveu uma encíclica sobre o assunto, Laudato Si, que foi um sucesso mundial, mostrando que a natureza é a nossa casa comum, que uma vez destruída será, também, o nosso fim.
Na XIX Flican, que se não me engano começou com a saudosa Profa. Maria Lúcia Farah Noronha (Lucinha Farah), a Escola Municipal Alberto Augusto Thomaz apresentou o tema sobre a preservação da natureza tenda em que recebi um marcador de páginas
que no verso tem o seguinte ensinamento: “Lutar pela terra, lutar pelas plantas, lutar pela agricultura, porque se não vivermos dentro da agricultura, vamos acabar. Não há vida que continue sem a terra e sem a agricultura” (Ana Primavesi). Um belo ensinamento, realmente é a natureza, da qual fazemos parte, que nos fornece tudo.
A Ecologia, embora bastante divulgada hoje, já possuía seus defensores desde muitos séculos; já no século XII, no norte da Itália viveu um cidadão que defendia a preservação da natureza; seu nome Francisco, nascido na cidade de Assis, no norte da Itália, em 1181, filho de Pietro Bernadone e de Pica Bourlemont, membros da burguesia italiana. Seu pai era um rico comerciante de tecidos finos, viajando pela Itália, França e outros países da Europa, enquanto sua mãe era de origem francesa.
Quando Francisco era jovem seu pai procurou introduzi-lo no comércio, todavia o mesmo não mostrou nenhuma vocação para o negócio, preferindo viver como filho de papai rico, com vida irregular e conquistas amorosas, passando, posteriormente a sonhar com glórias militares; em 1201, participa de uma guerra que os senhores feudais declaram contra a região de Assis.
Em um dos livros que li sobre a vida de Francisco consta que ele caiu prisioneiro, permanecendo durante um ano em um porão de um castelo de um nobre, sendo alimentado com os restos dos alimentos da família.
No período de 1202 a 1205 permanecia inquieto, confuso, sem saber o que fazer. Certo dia, penetrando na capela de São Damião, que se encontrava abandonada e em ruinas, quando rezava diante de um crucifixo, ouviu uma voz que lhe disse: “Francisco, vai e reconstrói a minha igreja que está em ruina”.
Cidadão de recursos financeiros, Francisco reconstruiu a capela e outras que estavam em mau estado, todavia o que precisava ser reconstruída era a estrutura da própria instituição religiosa, a igreja, que estava em má situação sobre diversos aspectos.
Posteriormente, Francisco devolve a seu pai todos os bens materiais, até a própria roupa, passando a viver em extrema pobreza, pregando o Evangelho por onde passava; aos poucos outros jovens passaram a se juntar a Francisco, surgindo a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, atualmente espalhados por todo mundo.
O exemplo de Francisco inspirou uma jovem rica, chamada Clara, que fundou a Ordem das Clarissas, vivendo no mesmo exemplo de pobreza. Existindo, ainda, a Ordem Terceira de São Francisco, formada por leigos que seguem os ensinamentos do santo de Assis.
Em abril de 2014, um grupo formado por cerca de 20 pessoas de Rio das Ostras e de Cantagalo visitou a Itália, de Roma a Assis, passando por diversas cidades. Em Assis, o inteligente Padre Alexandre José de Albuquerque celebrou missa em uma capela muito simples, no subsolo da Igreja de São Francisco de Assis; aproveitando a singeleza do local, na homilia deu-nos uma excelente lição sobre a simplicidade da vida que todo cidadão deveria manter.
São Francisco dedicou sua vida à pobreza, à natureza e ao próximo; para ele toda forma de vida deveria ser preservada e amada. Era irmão de tudo que existe na natureza; entre seus escritos deixou um relativo aos pássaros:
“Passarinhos, meus irmãos,
deveis louvar, muito e sempre
o seu criador, porque vos deu pena
para vestirdes, asas para voar
e tudo quanto vos é necessário.
Deus vos fez nobres entre todas as criaturas
e vos concedeu de planardes no límpido ar,
vós não semeais nem colheis,
e, no entanto, ele vos socorre e guia,
dispensando-vos de toda preocupação”.
Que possamos, em nossa vida, seguir os exemplos deixados por São Francisco em relação ao próximo e à natureza.
Júlio Carvalho.
