Conselho de Secretários Municipais do Meio Ambiente realiza encontro em São Fidélis
O dentista Márcio da Silva Barbas é o secretário municipal de Saúde de Cantagalo entre abril de 2006 e dezembro de 2012, retornando em janeiro de 2017, e está até hoje.
Em uma entrevista exclusiva ao JORNAL DA REGIÃO, Márcio Barbas explica como funciona o sistema de saúde em Cantagalo, principalmente o atendimento a população e as maiores dificuldades do setor.
JORNAL DA REGIÃO – Há quanto tempo está a frente da Secretaria de Saúde em Cantagalo, e em quais governos atuou no município?
Marcio Barbas: Com relação ao nosso Município, estivemos à frente da SMS de Cantagalo entre abril de 2006 e dezembro de 2012, retornando em janeiro de 2017, permanecendo até a presente data, perfazendo então algo em torno de 15 anos à frente da gestão da Saúde local.
JORNAL DA REGIÃO – Cantagalo é destaque na Atenção Primária à Saúde no estado do Rio de Janeiro. Explica melhor o que significa isso e como foi esta conquista?
Marcio Barbas: É sabido que Sistema Único de Saúde – SUS é organizado, em sua estruturação, de forma hierárquica, ou seja, a atenção à Saúde deverá acontecer do menor para o maior nível de complexidade, de forma ordenada, a fim de que se possa otimizar os recursos existentes. Dessa forma, o Município de Cantagalo, ao longo de décadas, prima por resguardar esse princípio, concentrando esforços no sentido de fomenter a Atenção Primária à Saúde – APS, enquanto primeiro nível de assistência, com o intuito de consolidá-la como porta de entrada ao Sistema Único de Saúde, buscando sempre a maior resolutividade possível ainda no primeiro nível da Atenção. Atualmente a APS em nosso Município está pautada, em sua totalidade, na Estratégia Saúde da Família – ESF, a qual atinge 100% de cobertura populacional.
JORNAL DA REGIÃO – Qual é a estrutura física de toda a Secretaria de Saúde em Cantagalo? Quantos funcionários tem para atender a população em todos os serviços?
Marcio Barbas – A Secretaria Municipal de Saúde conta hoje, na APS, com 08 (oito) Unidades Básicas de Saúde da Família (ESF), sendo 04 (quarto) no Primeiro Distrito e mais uma em cada um dos demais distritos do Município, algumas destas contam ainda com Subpostos em sua area de abrangência. Na Média complexidade (Nível Secundário da Atenção) contamos com uma Policlínica Municipal além da contratação, junto a clínicas privadas, de consultas em especialidades médicas, de forma complementar, conforme previsto na Lei 8.080, de 1990. Contamos também com um Centro de Atenção Psicossocial – CAPS, responsável pela Atenção em Saúde Mental e ainda com um Núcleo de Vigilância em Saúde que se desdobra em três setores, sendo esses Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Ambiental. Temos ainda o setor de Administração do Fundo Municipal de Saúde que é responsável por prover os meios de operacionalização de todo o Sistema de Saúde no Município. Com relação à Atenção Pré Hospitalar às Urgências e emergências, contamos com uma base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Toda essa estrutura é composta, atualmente por 260 Servidores. Não contamos com uma Unidade Hospitalar própria, havendo porém, em nosso território, um Hospital Filantrópico, conveniado ao SUS, que é o responsável pela Atenção Hospitalar no Município.
JORNAL DA REGIÃO – A estrutura física da Secretaria de Saúde é suficiente? Haveria necessidade da Prefeitura construir mais prédios para attender a população?
Marcio Barbas – Atualmente, a fim de que se possa atender as regras propostas pelo Ministério da Saúde, no tocante a critérios populacionais, quanto à distribuição dos usuários entre as Unidades da ESF, respeitando um número máximo de famílias por Unidade, faz-se necessário que o Município providencie a implantação de mais uma Unidade da Estratégia Saúde da Família. A Administração tem ainda se empenhado no sentido de viabilizar a construção ou adequação de um prédio para alocar a Sede Administrativa da Secretaria Municipal de Saúde, uma vez que, atualmente, a mesma se encontra funcionando em imóvel alugado.
JORNAL DA REGIÃO – Como funciona o atendimento para a população no segmento de medicamentos. A Prefeitura fornece quais medicamentos?
Marcio Barbas – A Atenção Farmacêutica em Cantagalo conta com uma Farmácia Municipal que promove a dispensação de medicamentos, constantes da Relação Municipal de Medicamentos Essenciais – REMUME, que são os medicamentos de competência do Município. Atualmente, essa lista conta com 245 itens foi construida e periódicamente revisada por uma comissão interdisciplinar, especialmente designada para tal fim, formada por Farmacêutico, Médico, Odontólogo, entre outros. Os medicamentos do chamado “Componente excepcional”, de maior nivel de complexidade, são de responsabilidade da Esfera Estadual de Governo e sua dispensação se dá nos Polos estaduais. Já os medicamentos do chamado “componente estratégico”, que são aqueles utilizados para tratar doenças de perfil endemico, com impacto sócio econômico ou que tenham protocolos e normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, são responsabilidade da esfera Federal de governo, porém são fornecidos ao Município que os dispensa aos usuários, ou são dispensados em Unidades Especializadas de referência.
JORNAL DA REGIÃO – Cantagalo tem uma área territorial muito grande, com cinco distritos. Como é feito o atendimento medico nos postos de saúde? Quantos profissionais medicos tem para attender a população?
Marcio Barbas – Conforme descrito anteriormente, nossas Unidades da ESF estão distribuídas em todos os Distritos, Havendo um Médico em cada uma delas todos os dias, portanto na APS há 08 profissionais Médicos para attender a municipalidade.
JORNAL DA REGIÃO – O Hospital de Cantagalo estará comemorando este ano 150 anos de existência. Como o senhor analisa a importância desta unidade para a região?
Marcio Barbas – A Santa Casa de Caridade de Cantagalo é um Hospital Filantrópico, conveniado ao SUS que tem sido, ao longo dos anos, um grande parceiro da Secretaria Municipal de Saúde de Cantagalo, responsável por toda Atenção a nível Hospitalar no âmbito do Município e que tem se destacado pelo seu padrão de qualidade no atendimento, que vem crescendo dia a dia, tanto a nível de resultado final de suas atividades, quanto administrativo, uma vez que é notório que, na região, tem sido o Hospital filantrópico que mais tem crescido a nível de implantação de serviços de maior complexidade, dentre as quais, chama a atenção o fato de que é o único Hospital num raio de mais de 40 quilometros a contar com uma Unidade de Terapia Intensiva que, além de assistir os Munícipes de Cantagalo, atende a usuários de todo Estado, uma vez que seus leitos são Regulados pela Central de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde, fazendo com que o Hospital de Cantagalo venha despontando como importante referência em Atenção Hospitalar na nossa região.
JORNAL DA REGIÃO – As vezes a população reclama da demora no atendimento da Saúde. Qual é o motivo principal, e o que senhor teria que dizer para a população?
Marcio Barbas – Como o SUS é norteado por princípios que acabam por oferecer a garantia legal aos Usuários do acesso a todo e qualquer serviço de saúde, de forma integral, que for necessário, em qualquer momento de suas vidas, acabamos por na maioria das vezes, termos uma demanda superior à capacidade de oferta de serviços, culminando numa famosa máxima que dizia: “Os recursos são limitados, já as demandas infinitas…”. Esse talvez seja o desafio basilar na gestão do SUS, não somente em Cantagalo, mas em todo o Brasil, que leva à necessidade prioritária da constante busca de soluções que visam equacionar a razão entre demanda e oferta, através da otimização de recursos e criação de fluxos que consigam promover a equidade no acesso ao Sistema Único de Saúde