“Flávio Monteiro”, por Julio Carvalho

Cantagalense, filho de Antônio Monteiro (Sr. Antoniquinho Monteiro) e de Carolina Righi Monteiro (Sra. Carola Monteiro); irmão de Ione, Maria Izabel (Belinha) e Terezinha. O pai era viajante de mercadorias, isto é, viajava toda semana ao Rio de Janeiro, pelos trens da Leopoldina, onde fazia as compras solicitadas por seus fregueses, enquanto Dona Carola cuidava da família. 

                              Flávio desde jovem mostrou um bom desenvolvimento físico e habilidade com o futebol; aos 16 anos já atuava como titular do Ferroviário F.C., junto com outros jovens promissores como José Vieira, Pedro Américo, José Antônio Figueira, os irmãos Nicolau (Vicente e Clarindo), Lelinho Tardin e outros que junto com ferroviários como Antônio Penna e os irmãos Mendes de Oliveira formavam uma equipe de futebol que deixou saudade entre os torcedores.

                              Terminado o curso ginasial em Cantagalo Flávio foi estudar em Nova Friburgo, ocupando a posição de lateral esquerdo como titular no Fluminense F.C. daquela cidade. Pouco depois, houve um amistoso entre esse time friburguense e o Fluminense F.C., do Rio de Janeiro, a atuação de Flávio foi tão marcante que o tricolor carioca o contratou, sendo nosso conterrâneo o primeiro cantagalense a atuar como profissional no Rio de Janeiro.

                              Nessa época o técnico do Fluminense F.C. era o Uruguai Ondino Vieira que diversas vezes escalava Flávio como titular. Transferindo-se para o Botafogo de F.R., Ondino solicitou à diretoria do alvinegro que contratasse Flávio, o que aconteceu. No Botafogo, Flávio jogou várias vezes no quadro principal.

                              Quando Ondino Vieira retornou ao Uruguai quis levar Flávio, todavia o mesmo preferiu permanecer no Botafogo, passando, depois, para o Bonsucesso F.C. que participava da primeira divisão carioca. Nesse clube, Flávio era titular absoluto.

                              Certo dia, numa das viagens que, semanalmente, fazia ao Rio de Janeiro como comissário de encomendas, seu pai Sr.  Antoniquinho Monteiro foi atropelado por um veículo, no centro da cidade, sofrendo traumatismo craniano, vindo a falecer.

                              Com esse ocorrido, Flávio abandonou o futebol profissional, retornando à Cantagalo a fim de cuidar da mãe e das duas irmãs mais novas, passando a trabalhar na loja de peças do Sr. Jamil Japor e a atuar no Cantagalo E.C., agremiação resultante da união do Ferroviário F.C. e do Cantagalense A.C., trabalho habilidoso do Sr. Edmo Japor.

                             Num dia 29 de junho, uma quinta-feira, Festa dos Carecas, dia de São Pedro, o Botafogo F.R. fez uma partida amistosa com o Cantagalo E.C. O clube carioca trouxe um time misto com figuras importantes; no segundo tempo, o técnico lançou, pela primeira vez, o ponta direito Garrincha, marcado por Flávio. O desconhecido ponteiro acabou com o jogo, deu uma exibição de talento encima do Flávio, ia até a linha de fundo do campo e rolava para Ariosto, que empurrava para as redes com a maior facilidade por três vezes.

                            Coitado do Flávio, o resto da semana foi motivo de crítica e de gozações por onde passava, todavia, no domingo seguinte, quatro dias depois, no Maracanã, em um clássico Fluminense X Botafogo, o desconhecido Garrincha apareceu como titular na ponta de direita e, com suas pernas tortas, fez com a defesa do Fluminense o que fizera em Cantagalo. Flávio se redimiu, pois fora o primeiro a marcar e sofrer diante do melhor ponta direita que o Brasil já possuiu.

                            Depois de alguns anos em Cantagalo, Flávio passou a namorar Heloisa Carvalho, com quem se casou, passando a residir em Niterói e trabalhando na casa de peças de automóveis do seu cunhado Antônio Simões, ex-combatente da FEB na Itália. Do matrimônio resultaram quatro filhos: dois meninos e duas meninas.

                           Flávio foi um bom exemplo de atleta profissional, filho, irmão, esposo e pai, merecendo permanecer vivo na lembrança dos cantagalenses.

                               Júlio Carvalho.

Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo e atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo
Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo. Atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo e vice-prefeito de Cantagalo.

 

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