Governo do Rio repassa R$ 300 milhões para as prefeituras fluminenses
Ouvir para acolher e prevenir. Essa é a proposta do Governo do Estado, por meio Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, que vai implementar o programa “A Voz da infância”, para ajudar professores, além de outros profissionais da comunidade escolar, a identificar vítimas ou testemunhas de violência. A ideia do projeto é viabilizar locais de escuta para crianças e adolescentes dentro de escolas públicas municipais a partir de uma parceria com prefeituras nas diversas regiões do estado. A expectativa é que o programa comece a funcionar ainda no primeiro semestre de 2025 em Belford Roxo, Mangaratiba, Paraty e Rio das Flores.
– O Governo do Estado tem o compromisso de garantir que nenhuma criança ou adolescente sofra em silêncio. Com o programa, conseguimos criar uma rede de proteção ainda mais eficiente, que se inicia na escola, local que passam a maior parte do dia. A comunidade escolar será aliada nesta missão de identificar e prevenir a violência infanto-juvenil – afirma o governador Cláudio Castro.
Para a execução do programa, profissionais da educação serão capacitados por equipes da secretaria para identificar sinais e indicadores de violência infantil, para que possam acionar, caso necessário, uma equipe técnica (psicólogos e assistentes sociais) do município para a realização da escuta especializada na própria escola onde a criança estuda. O serviço será levado para dentro do ambiente escolar para detecção mais rápida de sinais da violência, para que se possa agir de modo mais eficiente.
– Estamos trabalhando em sintonia com diversas prefeituras neste projeto porque entendemos a importância de estarmos ampliando essa oferta da escuta especializada, e assim evitando novas vítimas, ou oferecendo o suporte imediato para crianças e adolescentes. É um trabalho de prevenção aliado ao acolhimento – destacou a secretária de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Rosangela Gomes.
A importância da escuta especializada
A escuta especializada é um dos principais mecanismos de proteção a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. É um procedimento de entrevista sobre a situação de violência, feito por um profissional especializado da rede de proteção, em local acolhedor e com privacidade, onde crianças e adolescentes são assistidos por assistentes sociais e psicólogos especializados.
De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, dados de 2021 mostram que cerca de 81% dos casos de violência contra crianças e adolescentes ocorrem dentro de casa. Por isso, é importante tratar essa temática como prioridade.
– O maior índice de violência contra a criança e adolescente é intrafamiliar. Sabemos que a realidade dessa violência acontece dentro de casa. E muitas vezes, o professor passa mais tempo com a criança na escola do que a família dentro de casa. Então, capacitar esse educador para essa realidade é um grande passo para alcançar essa criança e conseguir uma medida protetiva de urgência – disse o subsecretário de Estado da Criança e Adolescente, Arthur Souza.