“Jornal da Região: a vida escrita em páginas”, por Jalme Pereira

Trinta e nove anos não são pouco tempo.

São quase meio século. Tempo suficiente para uma criança virar avó. Para uma cidade crescer. Para uma região inteira se transformar.

Desde 3 de outubro de 1986, o coração da Região Centro Norte Fluminense passou a bater mais forte. Não apenas no ritmo da vida das cidades, nem somente no pulsar da economia, da política ou da cultura. Era o compasso de uma voz que se levantava para registrar tudo isso.

E lá estava ele: o Jornal da Região. Assistindo, anotando, contando. Porque, se a vida é um filme que passa diante de nossos olhos, o Jornal da Região é aquele que guarda o roteiro — cena por cena, emoção por emoção.

Páginas e mais páginas que contam a vida de um povo. Que eternizam conquistas, denunciam injustiças, exaltam talentos e celebram vitórias.

Foi assim desde o primeiro dia.

Na capa, não estavam apenas notícias. Estavam as marcas do nosso povo. A alegria da festa na praça. A conquista da escola nova. A dor de uma enchente. A coragem de quem recomeça.
O Jornal da Região é mais do que um jornal. É um espelho que reflete quem fomos. É uma janela que mostra quem somos. É uma ponte que nos leva para quem ainda podemos ser.

O Jornal da Região nunca foi apenas de uma cidade. Ele é um elo entre todas elas — entre famílias, comunidades e gerações. Das ruas movimentadas às praças silenciosas, dos eventos grandiosos às histórias simples, ele sempre esteve lá, anotando, registrando, eternizando.
E, como todo grande feito, teve um sonhador, um visionário, um empreendedor por trás. Tem um nome: Célio Figueiredo.

Homem que acreditou que, no interior do Centro Norte Fluminense, também havia histórias dignas de primeira página. Bastava alguém ter a ousadia de contá-las.

Célio foi — e é — o capitão desse barco. Navegou por mares revoltos, enfrentou tempestades de crise, ventos fortes de mudança. Mas nunca soltou o leme. Porque sabia: jornal não é mercadoria. Jornal é herança. É registro. É memória.

E que memória!

Trinta e nove anos de páginas que não apenas narraram a vida: ajudaram a escrevê-la.

E é por isso que, hoje, ao celebrar sua trajetória, não se trata apenas de tinta e papel. Trata-se de pessoas.

De jornalistas, fotógrafos, revisores, entregadores. Dos anônimos — o vizinho que dá a pauta, o amigo que critica, a família que apoia.

E, sobretudo, do leitor.

O leitor é o verdadeiro dono desse jornal. Sem ele, cada página seria apenas papel. Com ele, cada página vira história.

Permitam-me, aqui, um parêntese pessoal. Eu estive presente nestes quarenta anos. Fiz a primeira logomarca. Depois, o projeto do preto e branco para a cor. E hoje, tenho a honra de assinar uma coluna semanal. Assim como a minha, a história de tantas outras pessoas também passa por este jornal.

Hoje, celebrar o Jornal da Região é mais do que comemorar um aniversário. É reconhecer um legado.

É lembrar que, quando a memória se perde, um povo perde a si mesmo. E que, quando a memória é preservada, o futuro se fortalece.

Que venham outros quarenta anos.

Que o Jornal da Região continue sendo esse guardião da nossa cultura e identidade.

Que continue nos ajudando a reconhecer o passado, a viver o presente e a escrever o futuro.

Parabéns, Jornal da Região.

Parabéns, Célio Figueiredo.

E parabéns a você, leitor, razão maior de cada palavra impressa.

Porque, no fim das contas, não somos nós que escrevemos o jornal. É o jornal que escreve a gente.

Jalme Pereira é músico, palestrante, desenhista e trabalha na Universidade Veiga de Almeida (UVA)
Jalme Pereira é músico, palestrante, desenhista e trabalha na Universidade Veiga de Almeida (UVA)

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