As Academias congregam o pensamento acadêmico, dão honras, preservam a memória, integram e ressaltam valores, experiências, sabedoria, cultura acumulada.
Waldenir de Bragança, Presidente de Honra da Academia Fluminense de Letras
Recentemente tive a satisfação de rever a acolhedora cidade de Cantagalo, da qual guardo gratas recordações. Vizinha da minha querida Bom Jardim, foi lá que dei os primeiros passos na carreira de jornalista, como colaborador do Jornal Cantagalo Novo, sob os bons auspícios de seu saudoso editor Antônio Carvalho.
Desta feita, minha visita se deveu à solenidade de reativação da Academia Cantagalense de Letras, da qual participei como integrante de delegação da Academia Fluminense de Letras, ao lado dos confrades Antônio Machado, Alberto Wermelinger e Márcia Pessanha – nossa incansável presidente.
Fundada em 11 de agosto de 1989 por Edmo Rodrigues Lutterbach, que presidiu a AFL por quase três décadas, a congênere cantagalense encontrava-se inativa há anos, após sofrer a perda de vários membros (inclusive o próprio Edmo).
O ímpeto para a retomada veio através do professor e escritor José Huguenin, natural de Cantagalo e integrante das Academias Fluminense e Volta-Redondense de Letras, que com o incentivo e apoio da presidente Márcia iniciou um movimento para localizar os acadêmicos remanescentes e reativar a importante instituição. Foi formada uma Comissão Especial de Reativação, presidida por Eny Chevrand Baptista (que integrou a 1ª diretoria), encarregada de tomar as providências necessárias, inclusive realizando Assembleia Geral para eleição de novos membros.
Todo esse trabalho se consolidou no dia 26 de julho, quando foi realizada a sessão festiva que oficializou a reativação da ACL, no Centro Cultural Amélia Thomaz. Na ocasião, os veteranos Eny Baptista, Gilberto Cunha e Dilma de Castro receberam quinze novos acadêmicos – entre eles, José Huguenin. Eles vieram somar seus currículos literários e culturais para enriquecer e dar novo fôlego à velha-nova Academia em sua missão de preservar e valorizar a memória de grandes vultos nascidos em Cantagalo, terra de talentos como o escritor Euclides da Cunha, o escultor Honório Peçanha, o maestro Joaquim Naegele, o farmacêutico Rodolpho Albino, o cientista Eduardo Chapot Prévost, entre outros.
A presidente Márcia, que além da AFL atualmente lidera, também, a Federação das Academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro (FALERJ), criada sob a égide da agremiação estadual, saudou o retorno da Academia Cantagalense, ressaltando a importância do intercâmbio entre as entidades irmãs em favor da valorização da cultura no território do estado.
Estiveram presentes autoridades e convidados do cenário cultural, como o vice-prefeito Júlio Carvalho, acatado colunista do Jornal da Região, que assinou um acordo de cooperação com a ACL em nome do município, e Vinícius Stael, diretor da Casa de Euclides da Cunha – que no dia seguinte teríamos a oportunidade de visitar, na companhia da acadêmica Dilma de Castro.
Foi uma noite de alegria e confraternização, em que pude reencontrar velhos amigos e conhecer novos companheiros unidos pelo ideal de valorização da Literatura e da História.
Minhas congratulações aos acadêmicos Huguenin e Eny, que com seus esforços lograram dar continuidade ao sonho do inesquecível Edmo, devolvendo Cantagalo ao seu merecido lugar de destaque no movimento cultural fluminense.