Maior Campeã da Série Ouro, Estácio de Sá homenageia o cantagalense Tata Tancredo

A Estácio de Sá, primeira escola de samba do Brasil, anunciou que seu enredo para o Carnaval de 2026 será uma homenagem a um filho ilustre de Cantagalo: Tancredo da Silva Pinto, mais conhecido como Tata Tancredo. O título do enredo — “O samba que nasceu no interior e ecoou no coração do Rio” — resgata a trajetória de um personagem que marcou a história da cultura popular brasileira, unindo o samba e as religiões de matriz africana.

O convite oficial para que Cantagalo participe das celebrações foi entregue pessoalmente à prefeita Manuela Teixeira, primeira mulher a governar o município.

A GRES Estácio de Sá se reuniu com a prefeita Manuela Teixeira, em seu gabinete, para formalizar a homenagem ao cantagalense Tata Tancredo. 

UM LÍDER DO SAMBA E DA UMBANDA

Nascido em 10 de agosto de 1904, há 121 anos, no distrito-sede de Cantagalo, Tata Tancredo foi compositor, sambista, escritor e um dos maiores líderes umbandistas do século XX. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a se destacar pela atuação cultural e religiosa.

Foi coautor do clássico “General da Banda”, sucesso na voz de Blecaute, e pioneiro do samba de breque, em parceria com Moreira da Silva. Participou da fundação da União de Escolas de Samba em 1935 e ajudou a consolidar a obrigatoriedade de enredos com temática nacional nos desfiles.

No campo religioso, fundou e organizou federações umbandistas em diversos estados para proteger e dar visibilidade aos cultos afro-brasileiros, num período marcado por perseguições. Tata também criou festas tradicionais como a de Iemanjá no Rio de Janeiro e eventos que reuniram milhares de pessoas, entre eles o “Você Sabe o que é Umbanda?”, no Maracanã.

DEFENSOR DAS RAÍZES AFRICANAS

Tata Tancredo defendia a Umbanda com forte identidade africana, mantendo o uso de atabaques, cantos em línguas de origem africana e rituais tradicionais. Foi chamado de “Papa Negro da Umbanda” e protagonizou debates contra setores que defendiam uma umbanda eurocentrica.

Autor de mais de 30 livros sobre a religião, também mantinha colunas em jornais cariocas e gravou pontos cantados que se tornaram conhecidos nacionalmente. Sua atuação lhe rendeu títulos e homenagens, como o de Cidadão Carioca, concedido pela Câmara Estadual do antigo Estado da Guanabara.

LEGADO

Tata faleceu em 1º de setembro de 1979, no Rio de Janeiro, deixando mais de 3,5 mil filhos de santo registrados e um legado de resistência cultural e religiosa. Para a Estácio de Sá, contar a história de Tata Tancredo na Marquês de Sapucaí será uma forma de reconhecer não só sua importância no samba, mas também sua luta em defesa das tradições afro-brasileiras e da tolerância e respeito a todo tipo de crença.

O desfile de 2026 promete unir o ritmo que nasceu no interior fluminense à força cultural da capital, transformando a Avenida em um grande tributo à memória de um cantagalense que fez história.

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