O fim do jornal impresso, ou o recomeço?

À medida que as redações diminuem, as gráficas fecham as portas e a rotina matinal com o jornal impresso vai se tornando uma saudade, a pergunta que não quer calar é: estamos testemunhando o fim do jornal impresso ou o início de um novo ciclo?

O fechamento das edições impressas de veículos tradicionais, como Tribuna de Petrópolis e Jornal do Brasil, acende um alerta para o futuro da comunicação.

Digital é o futuro? Ou o presente já está falhando?

De acordo com dados de 2025 do Reuters Institute, 47% da população brasileira evita consumir notícias, e, entre os que ainda consomem, apenas 11% recorrem à mídia impressa. Para muitos, isso é visto como progresso tecnológico e maior acesso à informação. Mas há quem aponte que esse avanço pode ter um preço elevado.

“Esse é um problema mais grave do que imaginamos”, afirma o jornalista e radialista Gilmar Marques. “A tecnologia está, na verdade, trazendo o ‘emburrecimento’ da população e, segundo especialistas, existe a probabilidade de aumento de doenças cognitivas, como demência, nas próximas décadas, muitas vezes de forma precoce”, destaca ele, ecoando uma preocupação crescente sobre os impactos da hiperconectividade no cérebro humano.

Memória, tato e presença: O que estamos perdendo?

A jornalista e consultora de conteúdo Maria Prata compartilhou, nas redes sociais, uma experiência que tocou muitos pais e leitores atentos. Após anos consumindo jornais exclusivamente em formato digital, ela decidiu voltar a assinar a versão impressa para proporcionar às suas filhas o contato físico com as notícias.

“Precisamos sair desse ‘cercadinho digital’ em que nos enfiamos, mais importante ainda: precisamos tirar nossas crianças desse isolamento. Elas precisam criar uma visão de mundo a partir da realidade”, defende Maria, que acredita que a experiência do tato, das cores e da presença física do jornal é fundamental para a formação das novas gerações. Para ela, o jornal impresso vai além de um mero meio de comunicação — é uma ferramenta de conexão com o mundo real.

Nos tempos dos Millennials, pessoas nascidas entre o início dos anos 1980 e meados da década de 1990, o jornal impresso tinha um papel ativo na rotina entre casa e escola, estabelecendo uma ligação sensorial e afetiva. Hoje, com a Lei nº 15.100/2025, que limita o uso de celulares nas escolas, a desconexão entre as crianças e a mídia tradicional ganha um novo significado, mas também uma nova oportunidade.

Educação e o jornal como ferramenta pedagógica

Para o professor Jorge Moraes, de Itaocara (RJ), o fim do impresso não é apenas uma perda estética ou nostálgica. Ele destaca o papel fundamental do jornal na formação crítica dos alunos e na construção de um olhar mais atento e reflexivo sobre o mundo.

“O jornal em sala de aula sempre foi um instrumento vital. Ele obriga o aluno a parar, a ler, a interpretar. A mídia digital, por outro lado, é fragmentada e imediatista”, explica o educador, ressaltando a diferença entre o tempo dedicado à leitura de um jornal e o consumo apressado de notícias online.

Além da velocidade e da fragmentação, há a questão da credibilidade. Quantos sites, blogs e portais se apresentam como fontes de informação confiáveis, mas distorcem a realidade ou propagam fake news? “A falta de informação é mortal! O fim do impresso não é apenas uma perda para ele, é uma perda para todos nós”, alerta a jornalista Clara Maria Lino.

E você, como se informa?

Ainda sente falta do jornal impresso na porta de casa ou já acredita que o digital tem dado conta do recado?

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