Viver se aprende vivendo. Por isso, a imagem de um sábio geralmente é associada ao ser humano mais velho. Uma anciã, de cabelos brancos, que carrega em si um vasto conhecimento sobre os mistérios do mundo. A ideia de tempo como aliado à compreensão da vida, suas nuances e significados, está no fantasioso popular.
Na prática, não existem aquelas pessoas que parecem ter congelado sua forma de agir, tendo mudanças meramente físicas? Em vez de 15 anos, o físico se apresenta com o aspecto de 40; tão somente isso. Sim, há idosos imaturos, vale lembrar.
Seria o tempo, por si só, o responsável por tornar alguém mais sábio ou seria ele uma oportunidade para que isso acontecesse?
As experiências induzem o ser humano à reflexão, ainda que seja por sobrevivência. Não há como ser, integralmente, a mesma pessoa ao longo de tantos anos. Somos como as árvores em estações diferentes, rios desaguando no oceano, um fruto em processo de maturação, alternando o seu sabor.
Mesmo assim, a existência parece exigir um pouco mais; forneceu à nossa espécie a faculdade da razão, das emoções, da complexidade. Neste curto espaço – que chamamos de existência humana – existem a dor, o sofrimento, a alegria, a felicidade. Quanto mais os anos se passam, maior é a possibilidade de experiências diferentes. Diante desses momentos, os quais nos fazem sentir um turbilhão de emoções, surge: como devemos agir frente a tudo isso?
Muitos, diante da felicidade, se assustam. Sem perceber, acostumados ao desconforto, repelem a serenidade, por exemplo. Outros passam a entender o valor sobre a gestão das emoções. Um caso constante: em processo de luto, seja por pessoas ou sonhos, alguns fogem desesperados para os anestésicos: álcool, trabalho, corrida, cigarro, estimulantes.
A angústia, tão comum a nós, induz a distrações – desde títulos acadêmicos a blusinhas da Shopee. Maratonar séries televisivas é mais cômodo do que olhar para a própria realidade. O mundo atual, com tantas opções, é capaz de fazer do tempo tábula rasa.
Todos nós precisamos de uma certa dose de distração para sobreviver. A realidade, nua e crua, a todo instante, pode ser insuportável. O conselho da maioria dos sábios e estudiosos da mente? Equilíbrio, o caminho do meio, com a moderação.
Diante de cada acontecimento, há sempre a possibilidade de reflexão, integração e aprendizado. Sendo corajosos e lançando-se ao campo do viver, sempre teremos a oportunidade para sermos um pouquinho diferente do que éramos ontem.
Não se trata de acumular anos e assoprar velinhas, mas sim de colocar para si a proposta de aprimoramento do próprio ser. De testar virtudes. De errar, se levantar, errar novamente, mas, dessa vez, tentando fazer diferente. Perceber que não se pode tudo, sob pena de machucarmos muitas pessoas. Entender que a vida não é somente sobre você ou sobre mim. Aprender que a cada escolha há uma necessária renúncia, e que nunca renunciar é escolher por nada.
Aprender a escutar e falar um pouco menos. Entender que as pessoas são movidas por expectativas e sonhos. Compreender que o simples pode preencher muito mais do que um turbilhão de bens. E que o seu olhar pode mudar a vida do próximo. O que este plano tem realmente a nos oferecer? Responde José Saramago: “Não tenhas pressa, porque onde tens de ir é a ti mesmo”.
