“Para onde caminhamos?”, por Julio Carvalho

Não sendo advogado não posso entender de legislação, todavia, na semana passada, os meios de comunicação mostraram dois acontecimentos inusitados na Câmara Federal, na terça e na quarta feiras, dias 16 e 17.

Há muitos anos, desde jovem, escuto falar e li inúmeras vezes que todos são iguais perante a lei. É um princípio consagrado no artigo 5º da Constituição do Brasil e no artigo 7º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Teoricamente é um princípio maravilhoso, extraordinário, que respeita e iguala todo cidadão, todavia, na prática, infelizmente, ele não ocorre.

Quando um cidadão possuidor de recursos financeiros comete um erro ferindo a lei, imediatamente contrata um advogado dotado de grandes conhecimentos jurídicos que o defende em todas as instâncias, alongando ao máximo o processo tentando evitar a condenação do seu cliente. Se a mesma falta é causada por um cidadão pobre ele será defendido por um defensor público, que nem sempre poderá se empenhar com o mesmo interesse pelo infrator, cumprindo apenas um trabalho de rotina.

No último dia 16, terça feira, a Câmara Federal aprovou por grande maioria de votos, 353 contra 134 votos, um Projeto de Emenda Constitucional (PEC), de proteção aos deputados federais que só poderão ser processados e julgados pela nossa justiça após autorização prévia do Poder Legislativo; desse modo poderão cometer crimes ficando protegidos, aguardando autorização legislativa, em votação secreta, para responder processos judiciais. A PEC ficou conhecida como PEC da Blindagem, embora nas manifestações populares, organizadas em 18 capitais estaduais e diversas cidades já esteja recebendo o nome de PEC da Vagabundagem.

Essas manifestações populares, em algumas capitais, reuniram mais de 40.000 pessoas, o que demonstra o repúdio das últimas matérias aprovadas pelo legislativo federal, devendo repercutir na eleições de 2026.

Votaram a favor, com apoio maciço, os deputados do PL e dos partidos que formam o Centrão e 12 deputados do PT. Contra a PEC da Blindagem se colocaram os deputados do PSOL, PC do B, Novo, Rede e 55 representantes do PT, conforme notícia de O Globo, edição de 17.09.25.    

Insatisfeitos com o primor dessa votação, vinte e quatro horas depois votaram em regime de urgência a anistia para os punidos pelo STF pelos atentados à democracia em oito de janeiro. Estão esquecidos do acampamento mantido defronte ao comando do exército e da invasão das sedes dos três poderes em Brasília; bem como da destruição realizada naquela data. A sorte do Brasil foi a não adesão das forças armadas que não aderiram à desordem implantada na capital federal. Caso contrário, estaríamos mergulhados em uma ditadura.

Os meios de comunicação publicaram os nomes dos deputados que votaram a favor dessas matérias, é importante que fiquem registrados em nossa memória, pois em 2026 teremos que comparecer às urnas para escolher nossos representantes fluminenses, devendo deixá-los no esquecimento, pois são indignos de representar o nosso povo amante da liberdade.

Júlio Carvalho.

Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo e atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo
Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo. Atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo e vice-prefeito de Cantagalo.

 

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